domingo, 31 de março de 2013

Prefeitura faz propaganda de lei que ainda nem existe




A gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) iniciou ontem a veiculação de uma campanha de mídia sobre uma lei que não existe. No anúncio transmitido por emissoras de rádio, a Prefeitura afirma ter cedido o terreno de uma antiga fábrica na zona leste para a criação de um novo câmpus da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em Itaquera. Mas o projeto de lei que faz essa concessão só foi aprovado em primeira votação na Câmara Municipal. Após ser questionada sobre o assunto, a Prefeitura tirou o anúncio do ar.

Para virar lei, a proposta deve ser levada novamente a plenário e depois ser sancionada pelo prefeito, o que deve ocorrer ao longo da próxima semana. Segundo a Promotoria do Patrimônio Público, a iniciativa pode ser configurada como improbidade administrativa. Para o Ministério Público Estadual, a administração não pode gastar verba na divulgação de uma inverdade. Um inquérito civil deve ser instaurado pelo órgão para apurar as condições de veiculação da campanha publicitária.

A propaganda de 30 segundos menciona o crescimento da zona leste e a importância de ter na região uma universidade federal. Em seguida, anuncia a doação do terreno. Para a bancada de vereadores que faz oposição ao governo na Câmara, a atitude da Prefeitura sinaliza falta de respeito com o trabalho desenvolvido pelo Legislativo.

"Todos sabemos que o prefeito tem maioria na Casa, mas isso é passar por cima de todos os partidos e do próprio presidente da Câmara (José Américo), que é do PT", reclamou o vereador Floriano Pesaro, líder do PSDB. "O projeto só passou em primeira votação ontem (anteontem). Votamos porque o governo pediu urgência, mas ainda não virou lei."

"Estamos estudando juridicamente o que fazer. Provavelmente vamos entrar com uma representação no Ministério Público. Isso é improbidade e propaganda falsa", disse o vereador.

Em nota, a Prefeitura informou que "já providenciou a correção do erro de inversão detectado na veiculação dos espaços de mídia comprados até o dia 4 para tratar de ações de saúde e educação". Segundo a Prefeitura, o anúncio que deveria ser veiculado era um de saúde.

Na mesma propaganda, a Prefeitura anuncia a doação de outro terreno ao governo federal: uma área em Pirituba, na zona norte, para instalação de um instituto tecnológico. Neste caso, porém, o projeto de lei já foi aprovado em segunda votação e sancionado ontem pelo prefeito.

Fonte:Estadão

quinta-feira, 21 de março de 2013

Um autorama para os irmãos Fidel

Humberto de Luna Freire Filho

A imprensa publicou que o ministro dos esportes, Aldo Rebelo, pede a Bernie Ecclestone, o todo poderoso detentor dos direitos da Formula 1, que inclua Cuba no circuito da categoria e promete que o Brasil construirá um autódromo na ilha.

Inicialmente pensei tratar-se de uma piada. Mas não sendo, apesar de envergonhado, eu acrescentaria ao pedido, que se crie um premiação também para o último colocado. Assim teríamos o Exu de Garanhuns, bêbado, entregando a taça e uma garrafa de 51 a Fidel Castro após ter pilotado um Chevrolet Bel Air azul e branco, ano 1950.

Digníssimo ministro Aldo Rebelo, não seja ridículo e tenha respeito ao cidadão brasileiro, que trabalha pesado e vê seus impostos sendo usados para fazer política suja e alimentar ideologias de botequim por essa imensa quadrilha, que tomou conta do poder e da qual o sr. infelizmente faz parte.

Não admito que meu dinheiro vá para o lixo. Como médico lhe digo que os hospitais da rede pública precisam de novalgina, esparadrapo e fios para suturas, o mínimo que se teria na rede pública de saúde em uma país pobre mas sério, e nós não temos porque não somos um país sério. Somos uma país tocado, em sua grande maioria, por uma leva de bandidos, verdadeiros ratos que infestam os três poderes e se proliferam a cada dia em progressão geométrica.

Fonte:alertatotal.net
Humberto de Luna Freire Filho é Médico.

Zoo vai separar casal de pinguins machos no Canadá

 

Pinguins Buddy (E)e Pedro (D) compartilham o ninho desde que chegaram ao zoológico de Toronto O zoológico de Toronto vai separar um casal de pinguins africanos machos que compartilham o ninho desde que chegaram ao local há cerca de um ano. Mas, como os animais estão entre as espécies ameaçadas de extinção, as autoridades da instituição planejam separar Pedro e Buddy para que possam procriar com fêmeas.

O casal tem o que é conhecido como "ligação social", mas não necessariamente sexual, afirmou Tom Mason, responsável por pássaros e invertebrados do zoológico, nesta quarta-feira. O zoo recebeu centenas de ligações por causa do casal. Mason disse que recebeu até uma chamada de uma pessoa dizendo representar a Sociedade Canadense para Animais Gays, grupo que não pôde ser localizado imediatamente.

 

Por ser uma espécie ameaçada de extinção, zoológico decidiu separá-los para que pinguins possam procriar A história do par homossexual se espalhou pela internet, resultando em vídeos no site YouTube. Programas humorísticos também se aproveitaram da história, com Jimmy Kimmel chamando-a de "Brokeback Iceberg", em referência ao filme Brokeback Mountain, que trata da história de amor de dois homens.

Mas não é assim como parece, disse Mason. "Os pinguins são sociais e precisam de companhia. O grupo em que vieram era de machos solitários esperando pela chance de fazer par com fêmeas", lembrou Mason, que recebeu os animais de um zoológico dos Estados Unidos no início do ano. "Eles formaram um par lá e chegaram assim; é nosso trabalho fazê-los encontrar as fêmeas".

Buddy, de 21 anos, teve uma parceira fêmea por dez anos e produziu crias, mas sua parceira morreu, contou Mason. Já Pedro, de 10 anos, ainda não procriou.
Fonte:http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/meioambiente/zoo-vai-separar-casal-de-pinguins-machos-no-canada/n1597363340657.html

quarta-feira, 20 de março de 2013

A paranóia totalitária


A escritora australiana  Anna Funder escreveu um excelente livro, no qual, através de entrevistas com ex-membros da Stasi e algumas de suas vítimas, oferece uma visão de uma sociedade assustadora  em que  a polícia secreta  possuia um número de agentes maior que o próprio exército.
Leia mais abaixo

terça-feira, 19 de março de 2013

Galileu, o que nos ensinou a ver



De passagem por Princeton em 2004, Jerome Silvester confessou em uma entrevista que amava, mais do que a todos os homens de ciência e filósofos do mundo, o célebre físico italiano Galileu Galilei, que provou ser o sol o centro do nosso sistema planetário, contra a opinião conservadora e supersticiosa que pretendia ser a Terra o centro do universo.

Galileu, à esquerda, foi uma inspiração para o dramaturgo Bertold Brecht, que também teve restrições de expressão./Reprodução

Foram três frases tiradas de documentos deixados por Galileu as que mais impressionaram Jerome. "Não podemos", dizia uma delas, rabiscada em meio às perseguições que sofreu pela Inquisição, "ensinar tudo às pessoas, mas podemos, sim, ajudá-las a descobrir quase tudo por elas mesmas". Em outra ocasião ele escreveu: "Todas as verdades são fáceis de entender, desde que sejam percebidas em sua essência. A dificuldade está em percebê-las". Ainda em outro momento, o astrônomo fez este registro: "No que diz respeito ao percebimento, a autoridade de mil homens vale menos que a percepção direta de um único homem".

silvester esteve novamente em Princeton, então para montar uma peça de Bertold Brecht, chamada exatamente Galileu, em que é mostrado o personagem central às voltas com o raciocínio obsessivo e sinuoso de seu carrasco-inquisidor.

Segue-se a isso a reclusão a que o "pai da ciência" foi condenado por nove anos, até a sua morte. O uso inicial do telescópio pelo astrônomo desperta forte antipatia nas autoridades eclesiásticas, que viam nisso um arrogante desafio ao Deus que eles afirmavam estar representando.

Brecht falava de si mesmo e do personagem, pondo nos seus lábios o que teria dito aos fanáticos e medíocres que o interrogavam, falando em nome da devoção e do zelo religioso. O autor da peça intuía que a fraqueza daquele Deus defendido pelos inquisidores era o fato dele ser imaginário, pura projeção do medo daqueles que falavam em seu nome.

Brecht via em Galileu a vaga repetição da sua história pessoal, dividido entre a liberdade interior e a prisão ideológica. Depois da Segunda Guerra, ele perambulou pela Europa em busca de um lugar para viver e acabou, quem diria, na Alemanha Oriental. Nos últimos anos de vida criticou acerbamente o governo de Walter Ulbricht, –que não lhe permitia expressar seu descontantamento com a "ditadura do proletariado", mas o tolerava por sua fama internacional.

Era então inevitável que Brecht voltasse a Galileu, essa pedra no caminho dos inquisidores dos últimos cinco séculos. Era previsível que Jerome Silvester voltasse a montar o Galileu de Brecht, que agora vinha com carga dupla e conteúdo metafórico.

Uma peça anterior dele, O Círculo de Giz Caucasiano, mostra um personagem russo fixado na ideia de fazer uma autocrítica – essa coisa que o autor não faria nos "moldes burgueses" mas sim à feição proletária, verberando o líder comunista alemão Ulbricht quando este se propôs dissolver um partido aliado.

"Melhor dissolver logo o povo", gritava Brecht nos folhetos que assinou em Berlim Oriental, "e arranjar habitantes novos para a Alemanha".

Em um poema datado de 1930, Brecht clama contra o silêncio que pesa sobre um povo petrificado pela propaganda política engajada, aquela mesma que cobra a liberdade e entretanto exerce a opressão. "Mas os homens não dirão: os tempos agora são negros. E sim perguntarão porque os poetas se calam", escreveu Brecht.

Na peça Galileu as cenas vão aos poucos mostrando como raciocina o fanatismo, desafiando a piedade e o bom senso. Primeiro, o pai da ciência moderna e seus fascinados amigos contemplam o telescópio, adiante, num salão de Florença, monges no Colégio Romano comparam novas descobertas a novas heresias. Na casa do Cardeal Bellarmin em Roma, ao lado de Virgínia, filha de Galileu, há um constrangimento que prenuncia o processo e o interrogatório.

Finalmente, numa câmara no Vaticano, o Papa Urbano VIII ouve o cardeal inquisidor e o círculo se fecha. A prisão em uma casa de campo durante nove anos, e afinal a morte natural de Galileu, que viveu os seus últimos anos em profunda meditação – se é possível descrever dessa maneira a vida interior de um homem extraordinariamente dotado.

Pelas mãos de Jerome Silvester, Princeton se deslumbrou com a beleza e o horror da história. E creio que sei porque Jerome colheu aquelas frases de Galileu, fixadas com amor na memória para definir o tom dominante de sua montagem da peça monumental de Brecht.

Isso, se for de fato possível ajudar a entender totalmente aquilo que só entendemos em parte. A essência das verdades que passam por nós nem sempre se consegue guardar como joia no cofre da nossa memória porque ela se desfigura quando escondida. Finalmente, a autoridade com que revestimos nossas escolhas vale muito pouco comparada à beleza delicada e quase infinita de um percebimento instantâneo, que ilumina todo um universo.

Galileu nos ensinou a ver o céu, e com isso a filosofar; Brecht nos ajudou a entendê-lo e Silvester nos faz pensar nisso tudo quando passa por Princeton com sua trupe.

Fonte: dcomercio

Luiz Carlos Lisboa é jornalista, escritor e reside em Princeton (EUA). Algute22@gmail.com

quinta-feira, 14 de março de 2013

Ministros demitidos estão de volta da faxina ética de Dilma



Um ano e meio depois da faxina promovida pela presidente Dilma Rousseff no primeiro escalão do governo, em resposta à crise ética gerada pelas suspeitas de irregularidades em vários ministérios, dois dos sete ministros que caíram estão sendo reabilitados pelo Palácio do Planalto: os presidentes do PR, senador Alfredo Nascimento, e do PDT, Carlos Lupi. Eles foram chamados pela presidente para discutir a prometida reforma ministerial, que será feita para garantir o apoio de todos os partidos da coalizão governista à reeleição, ano que vem.

Dos processos abertos contra os ministros que deixaram o governo em 2011, acusados de irregularidades, poucos andaram. Afora censuras e advertências sem efeito prático na vida pública dos acusados, não houve punições. Alguns inquéritos se arrastam na Justiça.

Além de Nascimento e Lupi, perderam o cargo sob suspeita ao longo de 2011 os ex-ministros Antonio Palocci (Fazenda), Wagner Rossi (Agricultura), Orlando Silva (Esporte), Pedro Novais (Turismo) e Mário Negromonte (Cidades). Todos voltaram à vida política ou empresarial. Como Palocci, que retomou com força sua atividade de consultor — motivo da demissão —, assumindo recentemente um trabalho para o grupo CAOA, que controla a Hyundai no Brasil.

Mas o ex-todo poderoso ministro do governo petista não tem mantido atuação político-partidária. Deputados petistas, inclusive os paulistas, afirmam que nunca mais falaram com Palocci. Ele tem se mantido tão distante da política que sequer apareceu para votar na eleição de Ribeirão Preto, no ano passado.

Outro que também está sumido da política é o peemedebista Wagner Rossi, que optou por uma discreta passagem na convenção nacional do PMDB que reelegeu Michel Temer, no fim de semana passado. Na Câmara, Negromonte e Novais mergulharam no ostracismo e se escondem na multidão de 513 parlamentares. Orlando Silva continua na política, como vereador em São Paulo pelo PCdoB. Quem conseguiu se recolocar na órbita de Dilma deve essa retomada ao poder que exerce em seus partidos.

— Acho que a presidente sentiu saudade de mim. O partido teve muita resistência à forma como foi conduzida (a minha sucessão), se sentiu desprestigiado. Agora voltamos a conversar. A presidente está mais solta, mais destravada, mais politizada — contou Alfredo Nascimento, que já esteve com Dilma três vezes este ano.

— A presidente quer uma aproximação maior da bancada do PDT, falou da nossa história comum — confirma Lupi, que responde ação civil pública por improbidade administrativa por ter pego carona no avião de um empresário com negócios no ministério. — Daquilo tudo, o que ficou foi o “eu te amo Dilma”. Muitos me encontram na rua e gritam “eu também te amo”.
Contra Negromonte e Orlando Silva investigações da Comissão de Ética foram arquivadas por falta de provas.

— Eu me sinto injustiçado porque sei que não há nada contra mim — disse Orlando
— Mantenho minha atuação como parlamentar, mas estou desencantado. Vasculharam tudo, fizeram papel de FBI e não encontraram nada — disse Negromonte.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/ministros-demitidos-estao-de-volta-da-faxina-etica-de-dilma-7794170#ixzz2NX4Lvttj

quarta-feira, 13 de março de 2013

Farra com o dinheiro público: Em 2 anos de governo, Dilma gasta com festas mais que o dobro do que FHC em 4 anos



Governo festeiro. É assim que o portal Contas Abertas classificou o governo da presidente Dilma Rousseff após divulgarem os gastos de sua gestão com festas e homenagens. Pasmem, a presidente gastou em apenas 2 anos de mandato mais que o dobro do que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso gastou nos quatro anos do seu último governo.

Em números, foram R$ 131,7 milhões que a presidente Dilma investiu em festas e homenagens em 2011 e 2012 contra R$ 58,3 milhões gastos por FHC de 1999 a 2002. A festança de Dilma bateu recorde até dentro da própria administração do PT. Enquanto o ex-presidente Lula desembolsou R$ 144,6 milhões entre 2007 e 2010, a atual presidente já utilizou 91,1% desse valor em apenas dois anos de governo, o que significa montante de R$ 131,7 milhões.

Gastos nas gestões Dilma, Lula e FHC - Fonte: Contas Abertas
Os gastos destinados a homenagens e festividades são, na avaliação do deputado João Leite (PSDB), legítimos, mas ele alega que a aplicação dos recursos deve ser transparente, sem que haja distorções da sua finalidade. “O que percebemos claramente é uma distorção de prioridades na aplicação dos recursos públicos”, afirmou o deputado que pertence ao Bloco Transparência e Resultado da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (PSDB).


João Leite compara as altas cifras investidas em festas ao que o governo do PT aplica de recursos em áreas prioritárias para os brasileiros, como saúde por exemplo. “Um valor expressivo do dinheiro do povo ao invés de estar sendo aplicado no social, minimizando o sofrimento das pessoas que estão nas filas do SUS, está sendo utilizado para fazer propaganda, para seduzir pessoas de destaque na sociedade pela vaidade”, criticou.

O órgão líder do ranking de gastos, conforme divulgou o jornal O Globo, foi a Fundação Nacional da Arte (Funarte), subordinada ao Ministério da Cultura, que gastou R$ 11,3 milhões em 2012. O maior dos contratos foi firmado com a “Romepar Consultoria, Representações e Participações”, do Rio de Janeiro. Foram desembolsados R$ 1 milhão para a comemoração do ano “Brasil em Portugal”.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Mui Amigo


Soa como piada a mensagem de condolências da Presidenta Dilma, classificando Hugo Chávez como “amigo do Brasil”.

Ele morre deixando uma dívida de US$ 14 bilhões de dólares da Venezuela com o nosso BNDES, e uma promessa de investimento nunca concretizada pela PDVSA no superfaturado negócio da refinaria Abreu e Lima, com a Petrobrás, em terras pernambucanas.

De amigos assim, como diria o caboclo, o inferno está superlotado...

A Farsa de Hugo Chavez



Talvez por esquizofrenia, deficiência mental ou falta de caráter, aqueles que pensam e agem de maneira burra, radicalóide e sem ética, se dizendo socialistas, comunistas, fascistas, nazistas, etc, costumam atentar contra a Verdade – definida como realidade universal permanente. Mas os bolivarianos exageraram na dose da mistificação na gestão da morte do mito Hugo Chávez Frias.

Nos meios diplomáticos e na área de inteligência militar argentina circula uma informação 1-A-1 acerca dos procedimentos ante e pós fúnebres do Presidente e revolucionário inventor da República Bolivariana da Venezuela. A revelação bombástica é que o corpo exibido, cheio de sigilo e segurança, em um super-caixão lacrado, não é de um ser humano normal, deformado por um terrível câncer. O cadáver seria um boneco de cera. O simulacro de um Chávez “embalsamado”.

A surpreendente descoberta de que o corpo no faraônico féretro bolivariano não correspondia ao Hugo Chávez original foi da “Presidenta” da Argentina Cristina Kirchner. A grande amiga de Chávez estava escalada para fazer o mais emocionado discurso politico do velório. No entanto, Cristina se sentiu enganada no momento em que chegou perto do defunto. Ficou tão revoltada e contrariada que arranjou uma desculpa esfarrapada para voltar urgentemente a seu país – deixando até sem carona o presidente uruguaio José Mujica, que com ela veio até Caracas.

A explicação bombástica para o retorno súbito de Cristina é relatada pela inteligência militar argentina. Cristina teve um choque emocional quando se viu envolvida na farsa bolivariana montada para o velório de Chávez. Não acreditando no que seus olhos lhe mostravam, Cristina escalou uma oficial ajudante-de-ordens para investigar, de imediato, se não estaria diante de uma “brincadeira de mau gosto com a morte de alguém que lhe era muito querido”.

A oficial argentina interpelou um alto-membro do Exército pessoal de Chávez – que praticamente confessou a armação: ali não estava o corpo original do amado comandante. A militar transmitiu a informação imediatamente para Cristina – que surtou. Saiu esbravejando do Velório para o hotel, avisando que não mais faria o discurso para um boneco. O presidente imposto da Venezuela, Nicolas Maduro, tentou convencê-la do contrário, sem sucesso. Cristina voltou voando para casa.

A Presidenta Dilma Rousseff, que levava o ex Luiz Inácio a tiracolo, foi informada do incidente. Dilma e Lula deram uma breve olhada no caixão de Chávez, conversaram rapidamente com os presentes, e também foram embora o mais depressa possível – alegando coisas urgentes a serem resolvidas no Brasil. A exemplo de Cristina, não quiseram participar da farsa completa do sepultamento daquele que era o líder operacional-militar do Foro de São Paulo (organização que reúne as esquerdas revolucionárias, guerrilheiras ou simplesmente gramcistas na América Latina e Caribe).

Leia o Texto na Íntegra aqui

Fonte:alertatotal.net

segunda-feira, 4 de março de 2013

Tão Parecido!


Lula, aliás Lincoln


O Estado de S.Paulo

Lula deu agora para se comparar com Abraham Lincoln. A maior afinidade com o presidente responsável pela abolição da escravatura nos Estados Unidos, Lula a vê diretamente relacionada com a postura crítica da imprensa em relação a ambos: "Esses dias eu estava lendo o livro do Lincoln. E fiquei impressionado como a imprensa batia no Lincoln em 1860, igualzinho bate em mim".

Com seu habitual descompromisso com a seriedade, Lula pretendeu ombrear-se com um dos maiores vultos da História e, ao mesmo tempo, mais uma vez desqualificar o trabalho da imprensa, a quem acusa do imperdoável crime de frequentemente contrariar suas opiniões e interesses. Foi um dos melhores momentos de seu show de meia hora durante as comemorações dos 30 anos da CUT, na última quarta-feira em São Paulo.

Essa nova bravata do Grande Chefe do Partido dos Trabalhadores (PT) não chega a ser novidade. É apenas mais uma a enriquecer a já alentada antologia das melhores pérolas de seu sofisticado pensamento político-filosófico. Novidade é a revelação de que Lula anda lendo livros. Confessou-o explicitamente, em tom de blague, dirigindo-se ao ministro Gilberto Carvalho, que fazia parte da mesa. "Estou lendo muito agora, viu Gilberto? Só do Ricardo Kotscho e do Frei Betto, li mais de 300", exagerou, em simpática referência a dois ex-colaboradores com quem já manteve relações mais estreitas.

Depois de falar mal da imprensa, Lula sugeriu que, diante da "falta de espaço" para as questões de interesse dos assalariados na mídia "conservadora", os sindicatos de trabalhadores se articulem para ampliar e tornar mais eficazes seus próprios meios de comunicação.

Uma recomendação um tanto ociosa, pelo menos do que diz respeito à CUT, que dispõe de uma ampla rede de comunicação integrada por uma emissora de televisão, três de rádio, dois sites de notícias, dois jornais e uma revista mensal. Mas o verdadeiro problema não é exatamente a existência ou não de veículos de comunicação abertos às questões de interesse das organizações sindicais, mas o nível de credibilidade e, consequentemente, de audiência e leitura desses veículos.

Na verdade, o que o lulopetismo ambiciona para a consolidação de seu projeto de poder é dispor de mecanismos de controle da grande mídia, dos jornais, revistas e emissoras de rádio e televisão que atingem o grande público e por essa razão têm maior peso na formação de opinião. Por entenderem que a maior parte da grande mídia está comprometida com interesses das "elites" e, por essa razão, é "antidemocrática", o PT e seus aliados à esquerda defendem a criação de mecanismos que permitam a "democratização dos meios de comunicação".

Trata-se de um argumento absolutamente falacioso, pela razão óbvia de que, se a grande mídia tivesse realmente o viés que lhe é atribuído pela companheirada, o petismo, que se diz discriminado e perseguido por ela, não venceria três eleições presidenciais consecutivas e não estaria comemorando 10 anos de hegemonia política no plano federal.

Ocorre que o pouco que existe de pensamento político em Lula e seus companheiros está hoje quase todo vinculado estritamente à garantia das vantagens materiais que o poder proporciona. O que vai além disso se deixou impregnar pelo autoritarismo que sustenta regimes como os do Irã, Coreia do Norte e China, no Oriente, e Cuba e as repúblicas "bolivarianas" da Venezuela, Equador, Bolívia e Nicarágua, no Ocidente. Ou seja, as autocracias às quais a diplomacia do governo petista se aliou.

Lula, a bem da verdade, não tem formação marxista - ou qualquer outra. Foi sempre um pragmático, avesso a dogmatismos. Forjado na luta sindical, seu pensamento se resume ao confronto de interesses entre empregados e patrões. O resultado desse pragmatismo é a indigência de valores que, como nunca antes na história deste país, predomina hoje na vida política nacional e tem seu melhor exemplo no nosso desmoralizado Parlamento.

Mas Lula é líder popular consagrado, glória que lhe subiu à cabeça e lhe permite acreditar no que quiser, inclusive que se parece com Abraham Lincoln.

Fonte:Estadão
Foto: Capa do Diário do Comércio

Uma estratégia fora do tempo


Washington Novaes 

É difícil até de acreditar que estejam ocorrendo simultaneamente fatos tão esdrúxulos na área energética brasileira como os que têm sido estampados diariamente pela comunicação. Mas que refletem como estamos perdidos em nossa estratégia - ou falta dela - nesse setor vital. E como estamos perdendo um tempo e recursos que nos custarão muito caro.

Em meio às notícias sobre apagões e disputas de concessionárias com a área federal de energia, ficamos sabendo (Folha de S.Paulo,14/2) que o governo "prepara uma mudança" em que, "para não ficar tão dependente das hidrelétricas" e de eventuais baixas no seu sistema de reservatórios de água, vai pôr as usinas térmicas para funcionar ao lado das hidráulicas, "em um sistema híbrido ou hidrotérmico". E isso poderá ser feito até com uso de carvão mineral ou de novos projetos de usinas nucleares.

Como? - perguntará o cidadão. Usinas a carvão não constituem o formato que mais poluentes emite, nesta hora de tanto temor com aquecimento da atmosfera e mudanças climáticas? Não são de energia muito mais cara até que a de turbinas eólicas, das quais temos muitas dezenas já implantadas e sem funcionar - porque o governo não constrói as linhas de transmissão? Não há térmicas a óleo diesel com custo de geração até dez vezes mais alto que o das as eólicas? Usinas nucleares não estão sendo desativadas na Alemanha, no Japão e em outros países, por causa da insegurança e da falta de destino para o lixo nuclear produzido em seus reatores?

Não é só. Informa-se também que agora, mais de duas décadas depois da construção da usina de Tucuruí, se decidiu construir (a que custo?) a linha de transmissão que afinal levará sua energia do Pará para o Amapá e o Amazonas - depois de esses Estados passarem décadas consumindo energia gerada pelo caro e poluente óleo diesel, para podermos destinar grande parte (a cada hora se fornece um número) da energia de Tucuruí a empresas de outros países produtoras de alumínio e ferro gusa. Parte delas foi fechada em sua origem e veio para cá exatamente para se beneficiar dos preços subsidiados da energia de Tucuruí. Agora não se sabe quanto custará a linha de transmissão rumo ao norte, que terá de partir de um ponto 300 quilômetros ao sul de Belém e cruzar grandes distâncias, depois de ultrapassar o Rio Amazonas (por cima? Por baixo? A que preço?).

Enquanto isso, informa a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) que, tal como já ocorreu em 2012, o atraso na construção de linhas de transmissão de energia impedirá que novos parques eólicos comecem a operar este ano (Folha de S.Paulo, 4/1) - e isso custará R$ 600 milhões mais aos consumidores. Porque as usinas eólicas construídas e que não podem operar recebem da mesma forma do governo, além de o consumidor pagar mais caro pela energia de termoelétricas. E isso quando as eólicas passaram a dominar os leilões de energia do governo federal em 2012 (10 de 12 projetos). Porque o preço médio da energia que fornecerão ficará em R$ 87,94 por megawatt/hora (MWh), mais barato até que o de hidrelétricas.

Trocar energia eólica por termoelétrica não condiz com as insistentes advertências que nos chegam de toda parte. Ainda há pouco um diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) disse no Fórum Econômico de Davos (mercadoetico, 12/2) que "as próximas gerações serão assadas, tostadas, fritas e grelhadas" se não formos competentes para lidar com as questões do clima. E o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Jim Yong Kim, acrescenta que "o aquecimento põe em risco o desenvolvimento de outros setores, inclusive o econômico".

Mas nós seguimos agravando nosso déficit na balança comercial importando mais insumos energéticos, como petróleo, gasolina, diesel, querosene de aviação, até etanol. Enquanto isso, o presidente Barack Obama - apesar das contradições internas dos Estados Unidos nesse tema - coloca a questão do clima como um dos tópicos centrais de sua mensagem de início de mandato: "Os seres humano estão influenciando mudanças no clima de forma sem precedentes; em 50 anos a temperatura terrestre subirá 2 graus Celsius; as chuvas, 5%; o nível do mar, 8 polegadas; e as populações mais vulneráveis serão as pobres e indígenas". Chegou a dar um ultimato ao Congresso: ou ele aprova um plano para reduzir as emissões, "ou a Casa Branca irá sozinha". 

Segundo o presidente, "podemos acreditar que a supertempestade Sandy, a mais severa seca em uma década, os piores incêndios florestais são apenas coincidência. Ou acreditar no esmagador julgamento da ciência - e agir antes que seja tarde" (Reuters). É evidente que há e haverá contradições, com os Estados Unidos, enquanto isso, voltados para gigantescos projetos na área de combustíveis fósseis, especialmente os da extração em rochas de xisto e no Ártico. Mas não anulam as advertências.

No Brasil, "o governo está desmantelando o sistema elétrico", diz Roberto D'Araujo, do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético (Ilumina) - citado por Mário Osava em Inter Press Service (IPS), 8/2. Enquanto isso, os preços da energia dobraram desde 1995 e os subsídios aos combustíveis em geral chegaram a US$ 2 bilhões mensais. 

Nesse quadro, a Petrobrás, já às voltas com os graves problemas mencionados há pouco por sua presidente, não consegue discutir com a sociedade como será a polêmica exploração da camada pré-sal (que tem isso que ver com a retórica oficial do governo de reduzir as emissões e aceitar compromissos na área do clima?). Que tecnologias pretende utilizar? A que custos financeiros? E com que riscos ambientais, para os quais tem sido alertada? Quanto custaria o petróleo, sabidamente de alto teor de enxofre e problemática emissão? Quem o compraria, nessas condições?

E assim vamos, com grande parte do mundo (Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Japão, até a Arábia Saudita) caminhando a largos passos para as energias eólica e solar, enquanto por aqui ficamos enredados na confusão, nos apagões, em mais custos, etc.

Fonte:Estadão

Furacão sobre Cuba




Grande parte dos neurônios da esquerda triunfante brasilera foram irremediavelmente perdidos na Guerra Fria.Com seus aliados cubanos, ela nos jogou no século passado, durante a visita da blogueira Yoani Sanchez.
Sartre pediria uma dose de absinto para compreender que outro furacão ameaça Cuba: a revolução digital.
Karl Marx precisaria de boas almofadas para acomodar seus furúnculos no bumbum, ao constatar que uma ditadura comunista não resiste ao avanço tecnológico e científico da humanidade.

Cuba e Venezuela estão ligados por fibra ótica. De um ponto de vista técnico, a ilha poderia estar toda conectada com o mundo e através da criatividade e boa educação de seu povo achar novos caminhos para superar seu atraso econômico.
O instrumento não pode ser usado em sua amplitude porque ameaça a estabilidade do governo. Para que o governo exista, o atraso precisa sobreviver.
Yoani Sanchez não é a primeira voz dissidente em Cuba. Mas foi a que melhor usou a conexão com o mundo não só para divulgar seus artigos mas para garantir algum nível de proteção diante da burocracia.

De longe, com seus cabelos longos, saias compridas, pode sugerir aquela personagem, que sobe no fio e desanda a fazer milagre no filme Teorema de Pasolini.
Mas é articulada, responde a todas as perguntas, mesmo as mais provocativas, e certamente, também foi arrastada para o século passado, com aquelas pessoas gritando palavras de ordem.

Digo isso, porque no seu blog confessou que a experiência com os militantes brasileiros a lembrou de coisas parecidas em Cuba, sobretudo os gritos de traidora contra uma vizinha que iria para o porto de Muriel naquela grande debandada permitida pelo governo.

Numa entrevista, ressaltou que nem os jovens cubanos usam mais a expressão ianque. Um forte cheiro de naftalina exalou não apenas dos cartazes e dos gritos mas de toda a história da campanha organizada pela Embaixada cubana, com apoio do batalhão digital do PT.

O curioso é que dentre aqueles cartazes, havia um que Yoani empunharia com naturalidade: o que pede o fim do embargo econômico contra a ilha.

O problema é o bloqueio mental porque torna mais denso o cerco econômico. A manobra articulada pelos cubanos e seus aliados na esquerda é típica de estrategistas que perderam o contato com a realidade. Constantemente obtem o oposto de que projetaram.

A campanha contra Yoani ampliou a repercussão de sua visita ao Brasil e estendeu o halo de simpatia em torno de uma pessoa que luta pela liberdade de expressão.
Em todos os contatos espontâneos, ela recebeu carinho no Brasil. Isso talvez tenha mostrado rapidamente a uma estrangeira que nossa política externa expressa a vontade de um partido dominante, mas não a vontade nacional.

Os neurônios perdidos na Guerra Fria fazem uma enorme falta à esquerda no poder. Por que não contestar com argumentos a luta pela liberdade de expressão num regime ditatorial?
Simplesmente porque a burocracia cubana e agora a brasileira já não se dispõem ao debate mas apenas à desqualificação dos que divergem delas.

No livro de Reinaldo Arenas, Antes que Anoiteça, segui emocionado alguns lances do aniquilamento de uma geração de intelectuais e poetas pelas forças da repressão.
Percebi que tanto nele, como em Raul Rivero e mesmo em Juan Pedro Gutierrez, que vive em Havana, existe um grande vinculo com a vida, com os sentidos, e intui que talvez venha dai a força para prosseguir adiante apesar da aspereza do cotidiano numa ditadura.

No dossiê que os burocratas cubanos prepararam contra Yoani constava que ela gosta de comer bananas e, as vezes, tomar cerveja com os amigos.
O último fim de semana dela foi passado no Rio. Deve ter percebido que o crime que atribuem a ela é uma delinqüência de massa, com tanta gente tomando cerveja num domingo de muito calor

A burocracia investe contra isso não apenas pela cerveja ou mesmo pelas bananas. Ela investe contra o prazer, contra a vida, da mesma forma que investiu contra os antecessores de Yoani.
Esse é o núcleo indestrutível que ela não consegue alcançar. Suas táticas puritanas no Brasil então não tem a mínima chance de prosperar.

Yes, nós temos bananas. O Brasil não é apenas um grupo de caras de barba vociferando nas ruas e nos blogs. A passagem de Yoani foi uma contribuição nacional para iluminar a realidade cubana e dissipar a aura de romantismo em torno da revolução.

Os adversários ajudaram, é verdade. Os adversários fizeram a parte do leão, admito. Se continuo nesse tom acabo me empolgando e escrevendo que os adversários são bons companheiros, ninguém pode negar.
Em alguns momentos você pode errar de século ou mesmo de alvo. Os seqüestradores do embaixador americano, em setembro de 69, quase o confundiram com o embaixador de Portugal.

Quando houve um quebra pau em Minas, na passagem do Brizola por BH, um pouco antes do golpe de 64, José Maria Rabelo era protegido por um segurança que socava todo mundo aos gritos de vamos acabar com esses comunistas.

José Maria o agarrou pelos braços e disse: comunistas somos nós, comunistas somos nós. E ele respondeu: ah, bem.A recepção que os cubanos e petistas eletrônicos deram a Yoani não tem a graça do século passado. É um equívoco que envolve o destino de 11 milhões de cubanos e a reputação internacional do Brasil.

No passado, pelo menos havia alguma imaginação. Se um dia a esquerda encastelada no poder for obrigada a voltar a lutar nas ruas por uma causa justa, ela estará perdida.
Imaginem quem será convencido por um grupo de pessoas, narizes de palhaço, gritando coisas do século passado.

Não descobriam que o século passou, levou consigo a juventude hitlerista os guardas vermelhos deixando-nos apenas com uns estridentes palhaços chamando de traidora uma jovem mulher cuja vida é o exercício de liberdade.
Eduardo Suplicy bem que tentou fazê-los discutir, mostrar que tudo aquilo era absurdo. O embaixador cubano chegou a perguntar se o senador não era da CIA.
Suplicy da CIA? Só quem não o conhece poderia pensar nisso, E quem conhece um pouco a CIA sabe que, apesar de todas as suas loucuras, não seria ousada a esse ponto.

domingo, 3 de março de 2013

Filme: O Escarlate e o Negro


Sinopse: A verdadeira história do Monsenhor Hugh O'Flaherty (Gregory Peck), um corajoso padre irlandês que trabalhava no Vaticano durante a ocupação alemã, na Segunda Guerra Mundial. O Monsenhor devota todo o seu tempo e energia para esconder refugiados e Aliados, construindo uma rede de centenas de pessoas que o ajudam em seus esforços. O chefe local da Gestapo, Coronel Kappler (Christopher Plummer), descobre as atividades do O'FIaherry. O padre possui imunidade diplomática devido aos serviços prestados ao Vaticano, mas o coronel ordena a sua captura e morte, caso seja visto fora de lá. Apesar desses abusos, o Papa Pio XII permanece indiferente, insistindo na neutralidade da Igreja. Arriscando a própria vida e trabalhando junto à uma valente viúva de um aristocrata, o padre se utilizará até de disfarces para conseguir escapar e voltar ao Vaticano sem que seja reconhecido, e continuará sua perigosa missão até que, finalmente, Roma seja libertada, e milhares de pessoas sejam salvas da morte.

sexta-feira, 1 de março de 2013

‘Em Cuba, erraram diagnóstico e tratamento de Chávez’, diz médico venezuelano



Em entrevista ao jornal venezuelano “El Nacional”, o médico venezuelano José Rafael Marquina, que se tornou famoso por revelar detalhes sobre a saúde do presidente Hugo Chávez em sua conta no Twitter, disse que se manteve a par do estado de saúde do líder através de relatos de parentes próximos ao chefe de Estado, pois temia que o governante não recebesse a assistência médica adequada.

— E esses temores não eram infundados, pois em Cuba erraram o diagnóstico e o tratamento de Chávez — disse o especialista em pneumologia.

O médico, que vive nos Estados Unidos, também afirmou que o retorno do presidente à Venezuela não simboliza qualquer melhora, apenas que a doença se tornou terminal e que os cuidados intensivos são inúteis.

Marquina disse que se recusa a ser “um agente da CIA ou algo assim”. Ele ainda afirmou que muitas outras pessoas, de dentro e de fora na Venezuela, sabiam da informação que ele divulgou na internet.

— A diferença, creio eu, é que eu não tenho medo — declarou por telefone ao veículo venezuelano. — Muitas pessoas dentro chavismo me confirmaram as informações que comecei a divulgar e me incentivaram a continuar fazendo isso.

De acordo com o médico, a preocupação em torno do estado de saúde do líder político aumentou quando se descobriu que sua doença não se tratava de um câncer de cólon, como os médicos cubanos haviam diagnosticado inicialmente, mas um rabdomiossarcoma no músculo psoas (localizado na cavidade pélvica).

— O tumor não foi tratado como deveria. Deram [a Chávez] medicamentos de quimioterapia para o câncer de cólon. O rabdomiossarcoma responde muito melhor à radioterapia do que à quimioterapia. Ao alterar o tratamento, há riscos de que ocorra uma mutação no tumor e que ele se torne resistente. O tratamento inicial não serviu para nada. Houve uma recidiva em tempo recorde — comentou Marquina.

O pneumologista afirmou que o hospital MD Anderson Cancer Center, em Houston, seria o melhor lugar para tratar esse tipo de câncer, já que os médicos do local são especialistas no assunto.

— Os médicos são avaliados pela experiência que eles têm. Eu não estou questionando a qualidade dos médicos cubanos, mas a sua falta de experiência — enfatizou, confirmando que, em Havana, havia apenas médicos cubanos tratanto o presidente venezuelano.

Após descrever as quatro cirurgias pelas quais Chávez passou, Marquina disse que, provavelmente, o presidente perdeu a capacidade física para governar em setembro de 2012, “quando se mostrou mais fraco”.

— Muito provavelmente Chávez está deprimido e, nesse estado, não pode tomar decisões.

Marquina concluiu sua linha de pensamento com um prognóstico mórbido:

— Neste momento, não há cura, apenas o tratamento paliativo para a dor. Chávez tem uma doença terminal e que é irreversível.

Fonte: O Globo

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Mulheres da Coreia do Norte só têm 18 opções de cortes de cabelo



Na Coreia do Norte não é comum ver a mulherada ostentando por aí o novo cabelo da moda ou cortes inspirados nas atrizes de Hollywood.

Isso porque lá, as mulheres são encorajadas a usar apenas os cortes de cabelo pré-aprovados pelo governo, como parte de uma campanha oficial que tem o objetivo de reduzir as influências ocidentais no país. As informações são do tabloide britânico "Daily Mail".

O catálogo abaixo foi encontrado em um salão de beleza em Pyogyang, a capital do país, e mostra apenas 18 opções de cortes. Já os homens têm apenas 10 opções, todas de cabelos curtos.
Reprodução
Catálogo com os 18 cortes de cabelo permitidos na Coreia do Norte
Catálogo com os 18 cortes de cabelo permitidos na Coreia do Norte


É possível dizer até se uma mulher é casada ou solteira, apenas olhando para o cabelo.

As mulheres casadas tendem a ser desaprovadas se não usarem um cabelo mais curto. Já as solteiras podem ser um pouco mais ousadas e optar por cabelos mais longos e ondulados, além de poderem usar tranças e rabos-de-cavalo.

Em 2005, a TV estatal da Coreia do Norte lançou uma série de cinco capítulos intitulada "Vamos cortar o cabelo de acordo com o estilo de vida socialista" com o objetivo de promover modelos curtos para os homens.

Equipes do programa iam às ruas com câmeras escondidas em busca de coreanos "rebeldes" que usavam cabelo comprido para mostrá-los na televisão.

Segundo o tabloide, justificativas bizarras foram veiculadas no tal programa, como a de que cabelo comprido rouba a energia do cérebro.

Os homens são encorajados ir ao barbeiro a cada 15 dias para manter os fios sempre mais curtos do que cinco centímetros. Já os homens idosos podem ter o cabelo com até sete centímetros de comprimento.

Fonte:Folha UOL

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Dois projetos para eleitor ver



Edison Nunes - O Estado de S. Paulo - 21/02/2013


O PT comemora sua década no governo federal sustentando, em curiosa cartilha, o embate entre dois projetos para o País: o primeiro, democrático e virtuoso; o segundo, o neoliberal dos conservadores de plantão.

Contudo, há que se explicar o enorme consenso social e político sobre as principais políticas públicas, em particular as macroeconômicas, e a ausência de uma voz oposicionista contumaz.

Se há dois projetos antinômicos, seria de se esperar alguma polarização política, além de crescente depuração das alianças eleitorais e congressuais representando a consequente clivagem. O sistema político está longe de apresentar tais características.

Considere-se, em primeiro lugar, o alinhamento do governo federal com as elites empresariais na formulação das políticas econômicas. Nada indica que os empresários estejam particularmente descontentes e não contemplados. Sabe-se que certas indefinições permanecem mais por não haver unidade de expectativas entre os vários setores produtivos do que dificuldades de acordo político.

Quanto às elites políticas, o espectro de alianças é tão largo que dificilmente poderia ser abarcado por um. projeto de poder polarizador.

Quanto mais à esquerda estariam os peemedebistas José Sarney e Renan Calheiros do tucano Aécio Neves? Se Eduardo Campos (PSB-PE) alinha-se ao projeto petista, por que está se comportando como alternativa?

De fato, pesquisas sobre a posição dos parlamentares tem revelado enorme e crescente convergência ao centro, em todos os partidos. Isso tudo desde que o oposicionismo sistemático, antes descompromissado com a agenda governativa, chegou ao poder.

Por que, então, insistir na existência de uma polarização? Exatamente porque, ao não existir agendas realmente conflitantes, aumenta-se a pressão no sentido de criá-la pela retórica.

O que o eleitor vai ajuizar é a versão quando se encontrar diante das urnas.

Professor do Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da PUC-SP e pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Políticas Públicas da USP.

Fonte-   Estadão - Edson Nunes  é PROFESSOR DO PROGRAMA DE ESTUDOS PÓS-GRADUADOS EM CIÊNCIAS SOCIAIS DA PUC-SP, PESQUISADOR DO NÚCLEO DE PESQUISA EM POLÍTICAS PÚBLICAS DA USP

O Estado gerencial e o fordismo tupiniquim




Análises: Rudá Ricci


São dois projetos distintos e muito nítidos. A gestão FHC trouxe elementos da lógica e da estrutura organizacional empresarial para o interior do Estado. Não adotou a cartilha neoliberal que, aliás, é extremamente pobre, mas a lógica do Estado gerencial, que se alimentou de alguns elementos neoliberais. Já a concepção lulista estaria mais próxima do que a Escola da Regulação Francesa denominou de "fordismo". Um fordismo tardio, já que seu declínio nos EUA e Europa teve início a partir do choque do preço do petróleo na segunda metade dos anos 1970.

O fordismo tardio adotou os seguintes instrumentos anticíclicos: Estado central controlador e concentrador de recursos públicos para investimento (o que esvaziou a autonomia dos municípios e gerou total dependência de convênios federais); BNDES como banco de fomento de grandes projetos; Bolsa Família e aumento real do salário mínimo e da renda média dos trabalhadores e criando potente e voraz mercado consumidor.

Politicamente, instalou-se a lógica neocorporativa no País, em que centrais sindicais e organizações da sociedade civil passaram a ser financiadas e a participar ativamente das deliberações e instâncias governamentais (estatais, agências reguladoras) e consolidou-se a coalizão presidencialista - em que grande parte dos partidos se envolve diretamente na gestão do aparelho de Estado.

Essa potente estrutura de Estado diminuiu sobremaneira os espaços de qualquer oposição política. A inserção social ocorreu pelo consumo e não pela ampliação de direitos ou pela política, o que apartou ainda mais a lógica política da lógica social. Quase totalidade dos partidos está, hoje, controlada por parlamentares e não pela sociedade civil. Os deputados, inclusive, acabaram se tornando príncipes deste fordismo tardio, mediando convênios entre prefeituras e agências federais. Como se percebe, o fordismo tardio tupiniquim é muito mais articulado e poderoso que a agenda dos anos de gestão tucana. Avança socialmente, mas atualiza a lógica política clientelista que marca a História da República brasileira desde seus primórdios.
Fonte: Estadão - Rudá Ricci é SOCIÓLOGO, DOUTOR EM CIÊNCIAS SOCIAIS, DIRETOR GERAL DO INSTITUTO CULTIVA, AUTOR DE LULISMO (FUNDAÇÃO ASTROJILDO PEREIRA/EDITORA CONTRAPONTO).

Por que Cuba tem mêdo de Yoani Sanchez



Leia a Entrevista com ela   Aqui

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Mosquito da dengue criou resistência a repelente, diz pesquisa


  • Cientistas concluíram que, ainda que inicialmente repelidos pelo composto químico do repelente, os insetos depois o ignoraram
    Cientistas concluíram que, ainda que inicialmente repelidos pelo composto químico do repelente, os insetos depois o ignoraram
Uma pesquisa conduzida por cientistas no Reino Unido revelou que o mosquito da dengue aparentemente desenvolveu resistência a um princípio ativo presente na maioria dos repelentes atualmente comercializados no mundo, inclusive no Brasil.

A substância, conhecida como DEET, ou dietiltoluamida, é largamente empregada em repelente contra insetos, combatendo mosquitos, pernilongos, muriçocas e borrachudos. O composto age interferindo nos receptores sensoriais desses animais, inibindo seu desejo de picar o usuário.

O estudo, divulgado pela publicação científica Plos One, analisou a reação de mosquitos da espécie Aedes aegypti, vetores da dengue e da febre amarela, à substância. Os cientistas concluíram que, ainda que inicialmente repelidos pelo composto químico, os insetos depois o ignoraram.

Eles recomendaram que governos e laboratórios farmacêuticos realizem mais pesquisas para encontrar alternativas à DEET.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dengue é hoje a doença tropical que se propaga mais rapidamente no mundo. Nos últimos 50 anos, sua incidência aumentou 30 vezes, o que pode transformá-la em uma pandemia, advertiu o órgão.

Isca

Para provar a eficácia da DEET os cientistas pediram a voluntários que aplicassem repelente com DEET em um braço e soltaram mosquitos.

Como esperado, o repelente afastou os insetos. No entanto, poucas horas depois, quando ofereceram aos mesmos mosquitos uma nova oportunidade de picarem a pele, os cientistas constataram que a substância se mostrou menos eficiente.

Para investigar os motivos da ineficácia da DEET, os pesquisadores puseram eletrodos na antena dos insetos.

"Nós conseguimos registrar a resposta dos receptores na antena dos mosquitos à DEET, e então descobrimos que os mosquitos não eram afetados pela substância", disse James Logan, da London School of Hygiene and Tropical Medicine, instituição que realizou o estudo.

"Há algo sobre ter sido exposto ao composto químico pela primeira vez que muda o sistema olfativo dos mosquitos. Ou seja, a substância parece mudar a capacidade dos mosquitos de senti-la, o que a torna menos eficiente", acrescentou.

Uma pesquisa anterior feita pela mesma equipe descobriu que as mudanças genéticas em uma mesma espécie de mosquito podem torná-los imunes à DEET.

"Os mosquitos evoluem muito rapidamente", disse ele. "Quanto mais nós pudermos entender sobre como os repelentes funcionam e os mosquitos os detectam, melhor poderemos trabalhar para encontramos soluções para o problema quando tais insetos se tornarem resistentes à substância".

O especialista acrescentou que as descobertas não devem impedir as pessoas de continuarem usando repelentes com DEET em áreas de alto risco, mas salientou que caberá aos cientistas tentar desenvolver novas versões mais efetivas da substância.

Para complementar o estudo, os pesquisadores britânicos agora planejam entender por quanto tempo o efeito dura depois da primeira exposição ao composto químico.

A equipe também deve estudar o efeito em outros mosquitos, incluindo espécies que transmitem malária.





Brasil

No Brasil, a dietiltoluamida está presente na maioria dos repelentes encontrados à venda. Produtos com termetrina e citronela também podem ser achados, mas em menor número.

Não é a primeira vez, entretanto, que a substância causa polêmica.

No ano passado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu à consulta popular uma proposta de resolução para assegurar a segurança e a eficácia dos repelentes a ser adotada pelos fabricantes.

No documento, cujo objetivo era disciplinar o comércio desse tipo de produto, o órgão determinava, por exemplo, a proibição do uso de repelentes com DEET em crianças menores de dois anos, além de informar sobre a necessidade de um estudo prévio para produtos com dosagem acima de 30% para um público acima de 12 anos. Em altas dosagens, especialmente em crianças, repelentes com DEET podem ser tóxicos.

Em entrevista à BBC Brasil, Jorge Huberman, pediatra e neonatologista do Hospital Albert Einstein e diretor do Instituto Saúde Plena, sugeriu alternativas ao uso de repelentes com DEET.

"É comum que depois de algum tempo os mosquitos adquiram certa imunidade ao produto, ainda que sejam necessários mais estudos para comprovar tal tese", explicou.

"Como alternativa, as pessoas podem usar repelentes com citronela e tomar complexo B, cujo cheiro desagrada os mosquitos, além, é claro, de usar mosquiteiros", disse.

Fonte: UOL notícias 21/02/13

Caminhando e Cantando e Seguindo a Canção







Fonte: Eramos 6

Os 10 anos do PT no Phoder




Charges de Sponholz

domingo, 17 de fevereiro de 2013

O enterro da responsabilidade fiscal (LRF)


Felipe Salto

Desde 2006 o governo federal vem estabelecendo novos padrões para o desenho das políticas macroeconômicas no Brasil, o que foi intensificado no governo Dilma Rousseff. Os objetivos são: câmbio desvalorizado, juro real baixo e crescimento de 4,5% ao ano. O instrumento: expansão fiscal. A economia já está colhendo os frutos dessa "nova matriz" de política econômica: crescimento baixo e inflação alta. Adicionalmente, tal conjunto de políticas lega à economia e à sociedade um Estado obeso, menos transparente e que regride no âmbito das instituições de finanças públicas.

A expansão serve tanto ao controle da inflação (via desonerações pontuais) como à meta de produzir crescimento a todo custo, seja pelo avanço das despesas, seja por meio de pacotes de estímulos e crédito público subsidiado pelo restante da sociedade, não escolhida para participar do banquete. A coroar todo o processo está a contabilidade criativa, que serve como maquiagem para o lado feio expansão.

A política fiscal no País tomou um rumo incompatível com a sustentação de um regime de metas para o superávit primário. Não apenas os descontos do PAC são utilizados para reduzir a meta anual de superávit, como um volume importante de gastos vem sendo realizado sem a devida contabilização na despesa primária. É o caso dos subsídios implícitos nas operações de concessão de crédito ao BNDES, que oneram as contas públicas em R$ 15 bilhões ao ano, pelo menos, mas que aparecem apenas parcialmente na desagregação das despesas. Além disso, um fluxo elevado de receitas tem sido fabricado pelo governo por meio dessa relação espúria entre os bancos públicos e o Tesouro Nacional. Trata-se das receitas de dividendos pagos à União.

O problema resume-se no fato de que as receitas de dividendos - que foram gerados na própria atividade realizada pelos bancos públicos - entram na conta do superávit, mas as despesas com os subsídios, não. A diferença, simplesmente, acaba por produzir um resultado primário maior do que aquele que efetivamente vem sendo realizado pelo governo. O total em créditos do Tesouro junto ao BNDES já superou a marca dos R$ 350 bilhões, conforme abertura da dívida líquida do setor público consolidado, divulgada pelo Banco Central.

Como se não bastassem tais artifícios, essa contabilidade criativa, o governo decidiu sacar novos instrumentos do estojo de maquiagem. No último dia de 2012 o Tesouro resgatou R$ 12,4 bilhões do Fundo Soberano do Brasil (FSB), registrou receita de R$ 2,3 bilhões em títulos pagos pelo BNDES à guisa de antecipação de dividendos e de R$ 4,7 bilhões, por meio do mesmo mecanismo, usando a Caixa Econômica. Agora, em fevereiro, anunciou-se a cereja do bolo: os R$ 20 bilhões previstos pelo governo em renúncias fiscais com as medidas de desoneração tributária poderão, da mesma forma que os gastos do PAC, compor o montante a ser abatido da meta de superávit primário, como se o gasto não tivesse sido realizado.

Em verdade, tais medidas representam o abandono definitivo do regime de metas de superávit primário. E evidenciam que o governo não medirá esforços para buscar subterfúgios capazes de ampliar a intensidade da política fiscal mal-acabada instituída em 2009. Pisará fundo no acelerador do gasto público, reduzindo o potencial de crescimento do produto interno bruto (PIB).

Quanto ao FSB, é preciso lembrar que os recursos sacados para produzir resultado, às pressas, foram originados no próprio orçamento fiscal, em 2008, quando a arrecadação apresentava recorde atrás de recorde. Isto é, reservou-se 0,5% do PIB, num fundo criado pela Fazenda, que poderia simplesmente servir para fazer política efetivamente "anticíclica". No entanto, como se sabe, os objetivos do fundo eram outros: intervir no mercado de câmbio a fim de produzir a taxa cambial depreciada almejada pelo governo. Agora, passados quatro anos, e após o fundo amargar prejuízos vultosos, por causa de sua política equivocada de investimento em ações da Petrobrás, o governo age de maneira a fazer crer que nunca imaginara o FSB como um instrumento da Fazenda para ampliar seu potencial de atuação no mercado cambial. Atuou, de forma pouco transparente e tomando a medida aos 45 minutos do segundo tempo, para apagar o incêndio produzido pela sua própria ingerência, motivada pelo desprezo ao papel exercido pela responsabilidade fiscal, nos últimos 15 anos, na sustentação do processo de crescimento e de controle inflacionário.

Há diversas maneiras de construir um arcabouço de instrumentos e de políticas com o fim de garantir a austeridade fiscal. A fixação de metas para o superávit primário, como é sabido, pode ser questionada em vários pontos, mas seu abandono apenas deveria ocorrer na hipótese de o governo ter construído uma alternativa melhor para substituir esse mecanismo de geração de esforço fiscal e redução da dívida/PIB.

O Brasil já passou por momentos de crise da dívida interna, quando a credibilidade do País era baixa, a confiança do restante do mundo na economia doméstica era mínima e o governo não dispunha de nenhum mecanismo institucional para controlar a evolução de suas despesas. Mas conseguiu conquistar uma situação positiva nessa seara, que teve efeitos extremamente benéficos sobre a dinâmica de crescimento, o controle inflacionário e a sustentação de poupança externa razoavelmente elevada para alicerçar a aceleração do consumo observada nos últimos anos.

Hoje em dia, com a marcha à ré engatada pelo governo, no campo fiscal conseguiremos um feito quase impossível de ser empreendido, mesmo com tanto empenho: enterrar o sistema de metas fiscais e, em seu lugar, deixar um enorme ponto de interrogação.

Fonte: Estadão 12/02/13 - http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-enterro-da--responsabilidade-fiscal-,996084,0.htm

Felipe Salto é PROFESSOR DO MASTER IN BUSINESS ECONOMICS (FGV/EESP), É ESPECIALISTA EM FINANÇAS PÚBLICAS DA TENDÊNCIAS CONSULTORIA

Charge: Ivan Cabral

O crime entrou em campo


O Estado de S.Paulo

Paixão popular no mundo inteiro, o futebol não é isento de denúncias de corrupção. Já na transição do amadorismo para o profissionalismo, ele é tema de extenso folclore contendo casos como o do dirigente de um clube que prometeu pagar ao goleiro do adversário certa quantia por gol tomado e, após o quinto, avisou-lhe que o trato não valia para os próximos. Tendo esse esporte se transformado num negócio muito próspero, a manipulação de resultados de partidas se tornou relativamente comum. E as quantias envolvidas, cada vez maiores. Ainda assim, os dados revelados no último escândalo divulgado impressionam: quase 700 jogos - 380 em 15 nações europeias e mais de 300 na América do Sul, América Central, África e Ásia, inclusive no Brasil, na Copa dos Campeões da Europa e nas eliminatórias para a Copa do Mundo - estão sob investigação do Serviço Europeu de Polícia (Europol).


Os policiais calculam que na Europa, onde se concentra a elite do futebol mundial, a máfia devassada pagou 2 bilhões (R$ 5,4 milhões) em propinas e recebeu 8 bilhões (R$ 35 bilhões) em prêmios de loteria e apostas feitas pela internet. "Nunca vimos uma rede tão grande de criminosos no futebol. Trata-se de uma operação sofisticada e uma evidência clara de como a corrupção invadiu o esporte", comentou o diretor do Europol, Rob Wainwright.

O esquema devassado baseia-se na compra de jogadores, árbitros e dirigentes para assegurar resultados de interesse de apostadores. Jogos de pouco destaque no noticiário esportivo estão sob suspeita. O trio que apitou um amistoso entre seleções sub-20 da Argentina e da Bolívia em 2010 deu à partida um acréscimo de 13 minutos sem razão aparente. E o juiz ainda marcou um pênalti inexistente para garantir a vitória dos argentinos. Pelo menos um jogo válido pela Copa dos Campeões na Inglaterra, dois das eliminatórias para a Copa da África e um na América Central estão sendo investigados. De acordo com os investigadores, além de obter lucros milionários, os bandidos também usam a fraude para lavar dinheiro ilícito obtido na venda de entorpecentes.

Esta é a principal diferença entre o escândalo denunciado esta semana pelo Europol e outros ocorridos em passado recente. Em 2006, a descoberta da manipulação de resultados no futebol italiano resultou no rebaixamento da tradicional Juventus de Turim para a segunda divisão do campeonato nacional. No ano passado, esquema similar foi denunciado no mesmo país, cuja seleção já conquistou quatro Copas do Mundo da Fifa.

No Brasil, também não é incomum o registro de casos escabrosos. Há 30 anos, quando a Loteria Esportiva era uma mania nacional quase igual à paixão pelo próprio futebol, a revista especializada em esportes Placar revelou que jogos que constavam das cartelas de aposta tinham resultados alterados à base do suborno de seus participantes. Em 2005, outra revista, a Veja, denunciou a chamada Máfia do Apito, sob o comando de Edilson Pereira de Carvalho, acusado de chefiar uma quadrilha de árbitros venais. Das investigações feitas após a reportagem resultou a anulação de 11 jogos do Campeonato Brasileiro.

Só que a corrupção não se limita ao que ocorre dentro das quatro linhas que delimitam o gramado. Também prospera nos escritórios de um negócio que movimenta fortunas em transferências e contratos de craques e treinadores. E em quantias vultosas investidas em publicidade na transmissão pela televisão de torneios acompanhados por bilhões de espectadores pelo mundo inteiro. Recentemente, Ricardo Teixeira foi apeado da presidência da CBF sob suspeita de enriquecimento ilícito. E a revista francesa France Football revelou que dirigentes da Fifa teriam recebido propina para escolher o Catar para sediar a Copa do Mundo de 2022.

O combate a essa praga deve começar pela transparência na contabilidade de clubes, federações, confederações e da Fifa, entidades privadas em que dirigentes reinam por anos a fio, sem a obrigação de prestar contas de suas gestões.

Boa safra, grandes problemas


O Estado de S.Paulo

Mais uma vez a previsão de uma boa safra, no Brasil, é recebida como prenúncio de sérios problemas de armazenagem, transporte e embarque nos portos. Com muito investimento em pesquisa, em novos processos e em modernização produtiva, o País converteu-se numa das principais potências mundiais produtoras de alimentos, posição consolidada nas últimas duas décadas. Mas foi incapaz de criar nesse período a infraestrutura necessária à estocagem e à movimentação eficiente e barata de suas colheitas.
 Neste ano o problema se repete. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima para a safra 2012-2013 um novo recorde na produção de cereais e oleaginosas - 185 milhões de toneladas, 11,3% maior que a obtida na temporada anterior. A área cultivada deve ser 4,1% maior que a da safra 2011-2012 e o aumento da safra resultará principalmente, como tem ocorrido há muitos anos, do aumento da produtividade. A estimativa do IBGE, quase sempre com pequena diferença em relação aos cálculos da Conab, também aponta um resultado recorde, de 183,3 milhões de toneladas.

Se as projeções se confirmarem, as condições de abastecimento interno continuarão favoráveis, com benefícios para o consumidor, e o País manterá uma posição destacada no mercado internacional de produtos agrícolas. Mas produtores, processadores e exportadores terão de enfrentar, como sempre, condições logísticas muito ruins. Pelas contas do governo, os armazéns públicos e privados têm capacidade para receber até 145 milhões de toneladas de grãos.
 Mas o problema é certamente maior que o indicado por esse número, porque faltam armazéns adequados para as duas maiores culturas - soja, com produção prevista de 83,4 milhões de toneladas, e milho, com colheita estimada em 35,1 milhões na primeira safra e 40,9 milhões na segunda. A insuficiência e a distribuição inadequada de armazéns já encarecem o produto, porque forçam o transporte em longas distâncias, entre a zona produtora e as instalações de estocagem.

O segundo grande problema é o das vias de transporte interno. Rodovias são muito mais importantes para o agronegócio no Brasil do que nos Estados Unidos e em vários outros países produtores, onde o uso de ferrovias e hidrovias é mais comum. Só isso bastaria para deixar os brasileiros em séria desvantagem. Mas, além disso, há os problemas de conservação e de qualidade das estradas no Brasil.

A esses problemas é preciso acrescentar a dificuldade de acesso aos portos. Pesquisa recente da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) chamou a atenção para o problema. Segundo 73,1% dos agentes de transporte marítimo entrevistados, o acesso terrestre deficiente é um obstáculo grave ou muito grave ao exercício de sua atividade. Os acessos rodoviários foram descritos como inadequados por 61,3%, por causa de fatores como a travessia de área urbana, congestionamento de veículos de carga e falta de segurança, entre outros.
 Os acessos ferroviários foram classificados como ruins por 29,3% dos profissionais ouvidos na pesquisa, por deficiência de infraestrutura para embarque e desembarque de carga, mau estado de conservação das áreas de entrada e ainda travessia de área urbana. Além disso, faltam silos nas zonas portuárias. Os próprios portos, como têm indicado outros levantamentos, ainda apresentam deficiências importantes em seu funcionamento.

Os problemas de capacidade e de operação dos portos são conhecidos e discutidos há muito tempo. O governo pelo menos se dispõe a adotar novas políticas de estímulo a investimentos em terminais. Os critérios oficiais têm sido criticados por diferentes grupos de interesses. Isso inclui tanto empresários quanto sindicalistas.

O governo ainda terá de enfrentar dificuldades políticas para conseguir os novos investimentos e precisa agir com urgência. Deficiências logísticas são problemas bem conhecidos e agravam-se ano a ano, encarecendo as mercadorias e tornando o País menos competitivo. Não adianta muito ganhar produtividade no interior da fazenda ou dentro dos muros da fábrica, se faltam condições para movimentar a produção.