domingo, 28 de julho de 2013
domingo, 21 de julho de 2013
Líder estudantil ganha R$ 9.361,80 do PT ?
Em 1992, minha geração foi à rua pelo impeachment do Collor. Na ocasião, o então presidente da UNE Lindbergh Farias (agora senador e já com investigação em curso) ficou com a fama de ter negociado com o então Governador Fleury um pequeno mimo para os estudantes: a Lei estadual 7.844, de 13/05/92, garante o direito à meia-entrada aos alunos do ensino fundamental, médio e superior.
Agora, tudo indica, que caminhamos para uma nova moeda de troca: o passe-livre.
Deryck é estudante de mentirinha e um estudante chapa-branca. Ele ocupa o cargo de diretor de Projetos e Ações Temáticas da Secretaria Municipal da Juventude, nome pomposo para um cargo que, segundo o blog 24 horas, lhe rende todo mês o generoso salário de R$ 9.361,80 (prefeitura petista).
Deryck Santana foi entrevistado pelo Jornal Anhanguera 2º Edição, na noite desta sexta-feira, para falar sobre o passe livre estudantil adotado pelo governador Marconi Perillo (PSDB), pelo prefeito Paulo Garcia (PT) e demais prefeitos dos municípios da região metropolitana de Goiânia.
Segundo o blog 24 horas, o “estudante” faz parte da tropa de choque “jovem” que foi formada no Paço Municipal na época de Iris Rezende e assumida como herança por Paulo Garcia.
Foi Deryck, juntamente com o secretário municipal da Juventude, Pablo Resende, quem organizou as “reuniões” de Paulo Garcia com estudantes, para discutir a questão do passe estudantil, na verdade uma encenação para a imprensa – que caiu no embuste.", diz o blog 24horas
O ponto é: fica evidente que a UNE presta contas aos chefões petistas.
Todos sabem qual é a ordem do alto comando petista: distraiam os estudantes, falem da ditadura do passado, enquanto organizamos a ditadura do presente.
Meu recado: resta aos estudantes mudar de liderança ou pedir o seu bolsa-UNE.
Copiado e colado de : http://invernobrasileiro.blogspot.com.br
Dilma, Cristina e o 'efeito Orloff'
Ao analisar as contas públicas do governo federal, o Tribunal de Contas da União (TCU) alertou para o risco de "argentinização do Brasil", referindo-se aos truques e maquiagens a que o governo Dilma Rousseff tem recorrido para manipular o resultado fiscal do País. Na Argentina, estatísticas sociais e indicadores econômicos ficaram desacreditados, desmoralizados desde que o governo interveio no Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), demitiu profissionais sérios e passou a maquiar pesquisas e índices econômicos. O divórcio da realidade é tal que o índice de inflação oficial em 2012 ficou em 10,8 % e o real, em 26,9%.
O alerta do TCU faz lembrar o fenômeno "efeito Orloff" nas relações Brasil-Argentina. Nos anos 1980, uma propaganda de TV no Brasil mostrava dois homens - um bebendo uma dose de vodca e outro sóbrio e saudável que respondia ao primeiro: "Eu sou você amanhã". O objetivo do anúncio era avisar que bebida de qualidade não provoca ressaca. Mas os economistas brasileiros rapidamente inverteram a ideia e passaram a chamar de "efeito Orloff" os erros cometidos pela Argentina e depois repetidos no Brasil no enfrentamento da hiperinflação. Para o TCU, o Brasil estaria começando a praticar o "efeito Orloff" ?
Não chega a tanto. Aqui seria impensável destruir quase 80 anos de trabalho do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), transformando-o em uma instituição servil, desonesta, mentirosa e desrespeitada mundo afora, como é hoje o Indec argentino. Obrigado a trabalhar com índices oficiais produzidos pelos governos dos países, o Fundo Monetário Internacional (FMI) já ameaçou até suspender a Argentina, caso continue falsificando estatísticas.
É verdade que os mirabolantes truques do Ministério da Fazenda para alcançar a meta fiscal tornam nossa contabilidade desacreditada, carregando junto bancos públicos e empresas estatais, usados pelo governo como meros instrumentos de maquiagem. E acabam produzindo efeito contrário ao pretendido porque só o governo e mais ninguém acredita que a meta de 2012 foi cumprida e tampouco será a de 2013. Bancos, fundos de investimentos, instituições financeiras e consultorias calculam seus próprios números, já descontando a camuflagem, e é com eles que trabalham. Ou seja, além de produzirem um resultado desacreditado, o ato de tentar falsear contribui para nutrir o cenário de desconfiança em relação à economia brasileira, já baqueada pela estranha combinação de inflação alta e crescimento medíocre. E este é um cenário ruim para um país que precisa atrair investimentos privados.
Mas há uma diferença fundamental: enquanto a Argentina resolve o descumprimento de metas e compromissos com falsificações grosseiras, gestos autoritários e desrespeito às regras da democracia, intervindo e demitindo funcionários honestos do Indec, o governo brasileiro não ousa fazer o mesmo com o IBGE. E as triangulações financeiras - criticadas e contestadas - que faz com o Banco do Brasil, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Petrobrás e Eletrobrás podem até desaparecer da dívida líquida, mas inevitavelmente aparecem e inflacionam a dívida bruta. E isso o governo não esconde.
No câmbio. É verdade também que o Brasil começa a enfrentar problemas na área cambial que a Argentina vive há tempos, desde 2011. Porém há outra diferença a favor do Brasil: até agora o País não perdeu reservas cambiais e a desvalorização do real em relação ao dólar não tem sido mais grave do que têm enfrentado outras moedas, desde que o Federal Reserve anunciou a retirada de estímulos à economia dos EUA. Apesar disso, preocupa a fuga de capitais de investidores estrangeiros: só da Bovespa saíram R$ 4,073 bilhões no mês passado. E a explicação maior é a desconfiança com os rumos da economia, além do desastre com as ações das empresas do Grupo X, de Eike Batista.
Já a vizinha Argentina vem perigosamente perdendo reservas desde outubro de 2011, quando o governo começou a aplicar medidas de controle do câmbio. Só este ano a perda chegou a US$ 5,242 bilhões e entre 2010 e o mês passado o estoque das reservas desabou de mais de US$ 50 bilhões para US$ 38 bilhões. E como reagiu a presidente Cristina Kirchner? Na segunda-feira anunciou anistia para quem fugiu do controle cambial: nos próximos 90 dias quem repatriar ou legalizar dólares guardados em casa ou em caixas-fortes de bancos poderá fazê-lo sem pagar qualquer taxa ou imposto: o cidadão entrega os dólares não declarados a qualquer banco e recebe em troca papéis garantidos pelo governo. Economistas argentinos apostam que a anistia vai transformar o país em temporário paraíso de lavagem de dinheiro.
Guardadas as diferenças (a favor da brasileira), há uma semelhança entre Dilma e Cristina: como as duas gostam de intervir na economia! E com enormes chances de cometer equívocos. Exemplo no Brasil foi o programa de renovação das concessões elétricas e redução da conta de luz: estrangulou a Eletrobrás e vem sendo desfeito pelos reajustes concedidos à tarifa das empresas. Além disso, o engessamento dos modelos dos leilões atrasou investimentos em rodovias, ferrovias e aeroportos, fundamentais para aliviar gargalos da produção industrial do País.
Mas Cristina Kirchner faz muito pior. Com a inflação fugindo do controle, desde fevereiro ela decretou congelamento de preços dos alimentos em supermercados. Era para ser temporário, mas já renovou duas vezes e, na quinta-feira, fechou quatro supermercados por "desrespeito ao congelamento". Criou uma lei determinando eleição com voto popular do Conselho da Magistratura, intervindo diretamente no Poder Judiciário. Felizmente, a juíza Maria de Cubría declarou a lei inconstitucional porque "suprime a necessária independência política dos juízes". Sem programas consistentes de governo, as duas vivem apagando incêndios, evidentemente com mais erros do que acertos. Mas as ações de Cristina são bem mais desastradas porque denotam desespero.
Por isso, caro leitor, por enquanto estamos livres do "efeito Orloff" e vamos torcer para assim continuar.
SUELY CALDAS, JORNALISTA, É PROFESSORA DE COMUNICAÇÃO DA PUC-RIO. E-MAIL: SUCALDAS@TERRA.COM.BR
Fonte:Estadao
quinta-feira, 11 de julho de 2013
A esquerda e os mitos difamatórios
Por Olavo de Carvalho
No show de ignorância dado à Folha de S. Paulo, em entrevista, pelos líderes da FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty), recém encerrada, a estrela maior foi sem dúvida o sr. Milton Hatoum, que, incapaz de lembrar o nome de um só escritor brasileiro importante, que fosse de direita, ainda completou a performance com esta maravilha: "Diziam que Nelson Rodrigues era, mas discordo. Era provocador, irônico, e na ditadura lutou para libertar presos."
De um lado, é impossível, a quem quer que tenha lido o cronista carioca, ignorar seu anticomunismo intransigente, seu horror aos "padres progressistas", seu apoio ao governo militar e até o orgulho com que ele se qualificava publicamente de "reacionário".
É óbvio que o sr. Hatoum só conheceu o pensamento de Nelson Rodrigues por ouvir falar, e ainda assim com muita cera nos ouvidos. Em segundo lugar, socorrer e proteger presos e perseguidos políticos durante a ditadura foi uma das ocupações mais constantes dos intelectuais de direita, entre os quais Adonias Filho, Josué Montello, Antônio Olinto, Gilberto Freyre e Paulo Mercadante. Para cúmulo de ironia, o mais célebre e aguerrido defensor de presos políticos naquela época foi o advogado Heráclito Sobral Pinto, um católico ultraconservador que confessava e comungava todos os dias e, quando não estava tirando gente da cadeia, estava escrevendo furiosas diatribes contra o Concílio Vaticano II.
Hoje seria chamado de "fundamentalista" e jogado no lixo com a multidão
dos outros "ninguéns".
O que nunca se viu no mundo foi o beautiful people comunista correr em massa para estender a mão a perseguidos da ditadura soviética, chinesa, húngara, polonesa, romena ou cubana. Ao contrário, sempre que aparecia algum foragido revelando as torturas e padecimentos sem fim nos cárceres comunistas, a gangue se reunia, não raro em escala mundial, para achincalhá-lo como "agente do imperialismo".
Se o sr. Hatoum não conhece nem Nelson Rodrigues, seria loucura esperar que soubesse algo, por exemplo, do caso Kravchenco, em que toda a intelectualidade esquerdista se juntou para desmoralizar o ex-funcionário soviético que denunciava os horrores do Gulag. Kravchenco reuniu testemunhas, provou o que dizia e venceu um processo judicial contra toda a plêiade dos bem-pensantes.
Soljenítsin, quando esteve nos Estados Unidos, contou que os dissidentes soviéticos nunca receberam a menor ajuda da elite esquerdista americana, mas apenas de sindicatos de trabalhadores (na época, acentuadamente anticomunistas).
Quando esteve no Brasil, o pastor Richard Wurmbrand, homem que por dezesseis anos sofrera torturas e maus tratos numa prisão romena (confirmados em público por uma comissão médica da ONU), a mídia esquerdista o tratou como se fosse um demônio, um conspirador fascista.
A mentalidade esquerdista intoxica-se de mitos difamatórios de maneira a não cair jamais na tentação de ver no adversário um rosto humano. Até hoje os quatrocentos guerrilheiros mortos na ditadura, muitos deles caídos de armas na mão, merecem mais lágrimas do que os cem milhões de civis desarmados que eles, como membros do movimento comunista internacional, ajudaram a matar.
Até hoje os que nadam em indenizações milionárias como prêmio da sua cumplicidade com os regimes mais bárbaros e genocidas não consentem em dizer uma só palavra de conforto às vítimas da guerrilha brasileira, dando por pressuposto que a condição de ser humano é monopólio da esquerda, que aqueles que a esquerda matou, mesmo transeuntes inocentes, não passam de cachorros loucos abatidos pelo bem da saúde pública. Para o sr. Hatoum, basta um sinal de bondade na pessoa de Nélson Rodrigues, para produzir a conclusão automática e infalível: Não, ele não pode ter sido de direita.
Nunca li os romances do sr. Hatoum, mas até admito, como hipótese extrema, que um idiota possa escrever um bom livro de ficção. O que é inadmissível é aceitar como "intelectual", como formador de opinião, um sujeito que formou a sua na base do puro zunzum e sai por aí arrotando julgamentos sobre o que desconhece.
Hoje, esse tipo de gente domina todo o mercado editorial, as universidades e a mídia cultural, mas um dia a juventude brasileira, cansada de ser ludibriada por esses farsantes, adquirirá cultura por conta própria (espero sinceramente ajudá-la nisso) e não se curvará
mais às opiniões recebidas. Submeterá seus gurus aos testes mais duros e chutará o traseiro daqueles que forem desmascarados como ignorantes palpiteiros a serviço de interesses mafiosos e partidários.
Garanto que, entre meus alunos, há pelo menos cem que são incomparavelmente superiores a eles em inteligência e conhecimentos. O renascimento cultural do Brasil vem-se preparando no silêncio e na modéstia do trabalho sério, do esforço genuíno, na paciente aquisição dos instrumentos da vida intelectual superior.
Quando esses jovens ocuparem o espaço que merecem, não haverá mais lugar para os picaretas de luxo, para os comedores insaciáveis de verbas públicas, para os apadrinhados de um governo que vive da mentira e da corrupção. Quando soar a hora,
cada um destes últimos, desprovido da interproteção mafiosa, será julgado no tribunal
da competência e da honradez intelectual e, muito previsivelmente, jogado às trevas do anonimato, de onde nunca deveria ter saído.
Olavo de Carvalho é ensaísta, jornalista e professor de Filosofia
Fonte: http://www.dcomercio.com.br/index.php/opiniao/sub-menu-opiniao/112360-a-esquerda-e-os-mitos-difamatorios
Leia também: Alguém e Ninguém
No show de ignorância dado à Folha de S. Paulo, em entrevista, pelos líderes da FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty), recém encerrada, a estrela maior foi sem dúvida o sr. Milton Hatoum, que, incapaz de lembrar o nome de um só escritor brasileiro importante, que fosse de direita, ainda completou a performance com esta maravilha: "Diziam que Nelson Rodrigues era, mas discordo. Era provocador, irônico, e na ditadura lutou para libertar presos."
De um lado, é impossível, a quem quer que tenha lido o cronista carioca, ignorar seu anticomunismo intransigente, seu horror aos "padres progressistas", seu apoio ao governo militar e até o orgulho com que ele se qualificava publicamente de "reacionário".
É óbvio que o sr. Hatoum só conheceu o pensamento de Nelson Rodrigues por ouvir falar, e ainda assim com muita cera nos ouvidos. Em segundo lugar, socorrer e proteger presos e perseguidos políticos durante a ditadura foi uma das ocupações mais constantes dos intelectuais de direita, entre os quais Adonias Filho, Josué Montello, Antônio Olinto, Gilberto Freyre e Paulo Mercadante. Para cúmulo de ironia, o mais célebre e aguerrido defensor de presos políticos naquela época foi o advogado Heráclito Sobral Pinto, um católico ultraconservador que confessava e comungava todos os dias e, quando não estava tirando gente da cadeia, estava escrevendo furiosas diatribes contra o Concílio Vaticano II.
Hoje seria chamado de "fundamentalista" e jogado no lixo com a multidão
dos outros "ninguéns".
O que nunca se viu no mundo foi o beautiful people comunista correr em massa para estender a mão a perseguidos da ditadura soviética, chinesa, húngara, polonesa, romena ou cubana. Ao contrário, sempre que aparecia algum foragido revelando as torturas e padecimentos sem fim nos cárceres comunistas, a gangue se reunia, não raro em escala mundial, para achincalhá-lo como "agente do imperialismo".
Se o sr. Hatoum não conhece nem Nelson Rodrigues, seria loucura esperar que soubesse algo, por exemplo, do caso Kravchenco, em que toda a intelectualidade esquerdista se juntou para desmoralizar o ex-funcionário soviético que denunciava os horrores do Gulag. Kravchenco reuniu testemunhas, provou o que dizia e venceu um processo judicial contra toda a plêiade dos bem-pensantes.
Soljenítsin, quando esteve nos Estados Unidos, contou que os dissidentes soviéticos nunca receberam a menor ajuda da elite esquerdista americana, mas apenas de sindicatos de trabalhadores (na época, acentuadamente anticomunistas).
Quando esteve no Brasil, o pastor Richard Wurmbrand, homem que por dezesseis anos sofrera torturas e maus tratos numa prisão romena (confirmados em público por uma comissão médica da ONU), a mídia esquerdista o tratou como se fosse um demônio, um conspirador fascista.
A mentalidade esquerdista intoxica-se de mitos difamatórios de maneira a não cair jamais na tentação de ver no adversário um rosto humano. Até hoje os quatrocentos guerrilheiros mortos na ditadura, muitos deles caídos de armas na mão, merecem mais lágrimas do que os cem milhões de civis desarmados que eles, como membros do movimento comunista internacional, ajudaram a matar.
Até hoje os que nadam em indenizações milionárias como prêmio da sua cumplicidade com os regimes mais bárbaros e genocidas não consentem em dizer uma só palavra de conforto às vítimas da guerrilha brasileira, dando por pressuposto que a condição de ser humano é monopólio da esquerda, que aqueles que a esquerda matou, mesmo transeuntes inocentes, não passam de cachorros loucos abatidos pelo bem da saúde pública. Para o sr. Hatoum, basta um sinal de bondade na pessoa de Nélson Rodrigues, para produzir a conclusão automática e infalível: Não, ele não pode ter sido de direita.
Nunca li os romances do sr. Hatoum, mas até admito, como hipótese extrema, que um idiota possa escrever um bom livro de ficção. O que é inadmissível é aceitar como "intelectual", como formador de opinião, um sujeito que formou a sua na base do puro zunzum e sai por aí arrotando julgamentos sobre o que desconhece.
Hoje, esse tipo de gente domina todo o mercado editorial, as universidades e a mídia cultural, mas um dia a juventude brasileira, cansada de ser ludibriada por esses farsantes, adquirirá cultura por conta própria (espero sinceramente ajudá-la nisso) e não se curvará
mais às opiniões recebidas. Submeterá seus gurus aos testes mais duros e chutará o traseiro daqueles que forem desmascarados como ignorantes palpiteiros a serviço de interesses mafiosos e partidários.
Garanto que, entre meus alunos, há pelo menos cem que são incomparavelmente superiores a eles em inteligência e conhecimentos. O renascimento cultural do Brasil vem-se preparando no silêncio e na modéstia do trabalho sério, do esforço genuíno, na paciente aquisição dos instrumentos da vida intelectual superior.
Quando esses jovens ocuparem o espaço que merecem, não haverá mais lugar para os picaretas de luxo, para os comedores insaciáveis de verbas públicas, para os apadrinhados de um governo que vive da mentira e da corrupção. Quando soar a hora,
cada um destes últimos, desprovido da interproteção mafiosa, será julgado no tribunal
da competência e da honradez intelectual e, muito previsivelmente, jogado às trevas do anonimato, de onde nunca deveria ter saído.
Olavo de Carvalho é ensaísta, jornalista e professor de Filosofia
Fonte: http://www.dcomercio.com.br/index.php/opiniao/sub-menu-opiniao/112360-a-esquerda-e-os-mitos-difamatorios
Leia também: Alguém e Ninguém
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Médicos portugueses rejeitam proposta do MS para trabalhar no interior do país
“Brasil não está nos tratando com dignidade”
Leia entrevista com José Manuel Silva, presidente da Ordem dos Médicos de Portugal:
Médicos de Portugal rejeitam a proposta feita pelo Ministério da Saúde de abrir vagas temporárias no interior do Brasil e acusam o governo brasileiro de não tratar os portugueses com "dignidade". Presidente da Ordem dos Médicos de Portugal, José Manuel Silva alerta que dificilmente um profissional do país aceitará as condições impostas e diz que o plano do ministro Alexandre Padilha é "desprestigiante".
Como os portugueses receberam a proposta brasileira?
Essa proposta deixa os médicos portugueses confinados a uma região. Não é uma forma de tratar com dignidade profissionais portugueses. Há muitos médicos brasileiros em Portugal e não fizemos isso com eles. O que o Brasil oferece é desprestigiante. A qualidade dos profissionais em Portugal é alta e a proposta desconsidera essa qualidade.
Mas Portugal vive sua pior crise em 30 anos, com desemprego recorde. A proposta brasileira não seria uma solução?
Temos acordos com Alemanha, Reino Unido, Dinamarca e França. Todos nos oferecem melhores condições que o Brasil. Dificilmente algum médico português aceitará as condições oferecidas pelo Brasil. Até porque a situação de trabalho nesses locais mais distantes certamente é mais dura e haveria problemas de adaptação.
Qual sua posição sobre a oferta de que os médicos portugueses não tenham de revalidar o diploma?
Qualquer proposta entre governos deve primeiro passar por aprovação do Conselho Federal de Medicina no Brasil As condições de reconhecimento de diploma devem respeitar as regras de cada país.
Mas o senhor está disposto a dialogar com o governo brasileiro?
Temos disposição para o diálogo. Mas ele não pode ocorrer apenas entre governos. Não foi positiva a forma como foi apresentada a ideia. Assim como pedimos isso de um brasileiro aqui, a lei brasileira deve ser aplicada para um estrangeiro.
Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo, publicada no dia 22 de maio de 2013.
Leia entrevista com José Manuel Silva, presidente da Ordem dos Médicos de Portugal:
Médicos de Portugal rejeitam a proposta feita pelo Ministério da Saúde de abrir vagas temporárias no interior do Brasil e acusam o governo brasileiro de não tratar os portugueses com "dignidade". Presidente da Ordem dos Médicos de Portugal, José Manuel Silva alerta que dificilmente um profissional do país aceitará as condições impostas e diz que o plano do ministro Alexandre Padilha é "desprestigiante".
Como os portugueses receberam a proposta brasileira?
Essa proposta deixa os médicos portugueses confinados a uma região. Não é uma forma de tratar com dignidade profissionais portugueses. Há muitos médicos brasileiros em Portugal e não fizemos isso com eles. O que o Brasil oferece é desprestigiante. A qualidade dos profissionais em Portugal é alta e a proposta desconsidera essa qualidade.
Mas Portugal vive sua pior crise em 30 anos, com desemprego recorde. A proposta brasileira não seria uma solução?
Temos acordos com Alemanha, Reino Unido, Dinamarca e França. Todos nos oferecem melhores condições que o Brasil. Dificilmente algum médico português aceitará as condições oferecidas pelo Brasil. Até porque a situação de trabalho nesses locais mais distantes certamente é mais dura e haveria problemas de adaptação.
Qual sua posição sobre a oferta de que os médicos portugueses não tenham de revalidar o diploma?
Qualquer proposta entre governos deve primeiro passar por aprovação do Conselho Federal de Medicina no Brasil As condições de reconhecimento de diploma devem respeitar as regras de cada país.
Mas o senhor está disposto a dialogar com o governo brasileiro?
Temos disposição para o diálogo. Mas ele não pode ocorrer apenas entre governos. Não foi positiva a forma como foi apresentada a ideia. Assim como pedimos isso de um brasileiro aqui, a lei brasileira deve ser aplicada para um estrangeiro.
Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo, publicada no dia 22 de maio de 2013.
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Fogos de Artifício
DORA KRAMER - O Estado de S.Paulo
Dos pactos ao plebiscito às carreiras, passando pela Constituinte exclusiva e uma reunião ministerial inócua, nada do que o governo federal disse ou fez nos últimos dias "colou". Uma série de palpites infelizes descolados da realidade.
Evidência de total falta de sintonia com o conteúdo do que diz o respeitável público e ausência de um diagnóstico (planejamento) sobre os problemas a serem resolvidos em ordem de prioridade conforme as necessidades reais do País. Em duas palavras: propaganda enganosa.
Pode ser só uma primeira impressão, mas tudo indica que o artificialismo "morreu" como solução para situações difíceis, que feitiçarias marqueteiras não têm mais o mesmo efeito reparador e as velhas artimanhas estão com a validade vencida.
Pelas propostas até agora apresentadas ficou claro que o governo só tinha uma agenda: navegar na onda da popularidade da dupla Dilma/Lula com o único objetivo de vencer eleições por apreço ao poder pelo poder.
O Congresso não rejeita a realização de um plebiscito no molde proposto porque seja contra o princípio da consulta ao povo. Esta conclusão rudimentar é a que o Planalto gostaria que prevalecesse, mas não é isso que emerge do debate a respeito.
As coisas são mais complexas que uma mera jogada de transferência de responsabilidades. Ao contrário, trata-se de usurpação ladina de prerrogativas. Inversão dolosa dos fatos.
Ou a presidente e seus conselheiros não sabem que a função de convocar e definir a pauta do plebiscito é do Congresso? Ou desconhecem que uma consulta da complexidade da reforma política não se faz assim de estalo? Ou não notaram que a ira contra políticos não era motivada por regras eleitorais e sim pelo dar de ombros do Estado traduzido em desleixo administrativo e degradação moral?
Bobagem achar que o governo não entendeu. Entendeu perfeitamente o nome do jogo. Até porque do contrário teríamos de admitir que o Brasil é governado há dez anos por um bando de tolos. São mesmo bem espertos. Mas, como reza o velho dito, a esperteza quando é muita vira bicho e come o dono. Pelo jeito, é o caso.
O Congresso só tem uma maneira de desarmar o truque: fazendo a sua parte, trabalhando direito, atuando com autonomia, adotando critérios de decência, abrindo mão de privilégios.
Quanto à reforma política, é colocar mãos e cabeças à obra para a elaboração de uma pauta voltada para o eleitor que depois seria chamado a referendo para aprovar ou rejeitar as mudanças. Nem tão devagar que pareça embromação nem tão depressa que dê margem a retrocessos. Para 2014 ou 2016. Importante é que valha a pena para sempre.
Piloto automático. Não foi um "equívoco", como disse o presidente da Câmara depois de descoberto, o que o levou a lotar de parentes um avião da FAB em caravana para assistir à final da Copa das Confederações no Maracanã.
Foi o uso contínuo do cachimbo que faz a boca torta. Em outras palavras: a força do hábito. Agora mudado à força. Há um mês o deputado Henrique Eduardo Alves responderia às críticas com evasivas sobre a prerrogativa do cargo para o uso do transporte, a ociosidade da aeronave e coisas do gênero.
A reposição do valor das passagens não o redime do ato que fala mais alto que qualquer explicação sobre a razão dos protestos. Suas excelências terão de fazer mais que dar declarações de apoio "à voz das ruas" e aprovar uma batelada de leis. Vão precisar mudar de comportamento.
Hoje dificilmente a sociedade veria com a condescendência de outrora as férias no Palácio da Alvorada patrocinadas pelo então presidente Lula a um grupo de amigos de um de seus filhos. Todos transportados em avião oficial, como a família Alves.
Charge: Sponholz
O ocaso de Dilma . O ciclo petista se encerrou.
Por Fernando Gabeira
O ciclo petista se encerrou. Hoje, a pesquisa da Data Folha indica uma queda de 27 pontos na aceitação da presidente Dilma, queda só comparável ao de Fernando Collor, antes do impeachment.
O PT sonha em passar o projeto de lista fechada.
Mas nesse momento da história do Brasil, tentar fazer aprovar um método que afasta o eleitor de seu candidato e dá à burocracia do partido o direito de escolher quem será eleito, terá forte oposição no próprio Congresso.
Se me lembro do que vi, vai haver uma batalha campal para evitar a vitória de lista fechada, na qual apenas os caciques partidários se beneficiam.
O que dirão os eleitores quando perceberem que não elegem mais um deputado mas sim uma lista fechada, produzida nos bastidores dos partidos?
Vamos primeiro deixar que haja a batalha pelas perguntas no plebiscito. Primeiro, a pergunta sobre a viabilidade. Depois cuidaremos dessa especificamente, o grande sonho do PT para eleger apenas os mais bem colocados no partido e forçar os outros à obediência, para que um dia seu nome possa subir mais na lista fechada.
Toda o esforço do PT é para reforçar a hierarquia interna. E isto num momento em que os jovens que foram as ruas contestam hierarquias fechadas, sentem-se lideres de si próprios.
O momento é de ampliação da liberdade e o PT propõe um esquema mais rígido. Eles não só estão no fim. São incapazes de decifrar o novo momento e tiram do bolso respostas do passado, que não solucionam as questões do presente.
Não se trata apenas da corrupção, da picaretagem, da fanfarronice, a própria estrutura mental dos petistas pertence a outra época. Talvez nesse ponto, exista uma ponta de sensação: os passos dos dinossauros em tempo de grandes manifestações oriundas das redes sociais.
Dilma chamou ao palácio do Planalto todos os movimentos domesticados, alguns recebendo dinheiro do PT. Queria simular um “reencontro do com o povo”, só que o povo eram figurantes colhidos entre os comensais do regime.
Lamento que um setor do movimento gay tenha se prestado a isso. Desde quando começou a receber verbas oficiais, alguns de seus líderes vestiram sua gravata e se comportam como sombrios funcionários do governo.
Não deixa de ser curioso ver o governo encenar com seus figurantes um acordo que não existe entre ele e os manifestantes reais.
Dilma é dura como esse penteado que inventaram para ela. É uma espécie de marionete nas mãos dos lideres do PT que vão encenar ad nauseam seus rituais burocráticos e autoritários.
O povo para eles sempre foram aqueles movimentos que chamaram ao palácio do Planalto: o “nosso povo”que abana a cauda sempre que é preciso.
Essa UNE é simplesmente decrépita. Viveu anos à custa do governo, silenciou sobre todas as injustiças e agora vem encenar a representatividade de uma revolta que não fez e, se chamada antecipadamente a participar, diria não.
O governo e seus apoiadores são muito cínicos, muito deformados pela corrupção generalizada que estimularam no Brasil.
Podem sobreviver como Maluf sobrevive. Podem ter até seus eleitores, como Maluf os têm.
Dificilmente serão donos do país, como têm sido até hoje. Que outro governo poderia ter a audácia de realizar uma política externa partidária, em detrimento dos interesses nacionais?
Que outro governo faria uma Copa do Mundo plantando elefantes brancos, estádios que depois dos jogos cairão na inutilidade?
Que outro governo sairia montando embaixada por dezenas de países minúculos, alguns sem nenhum retorno no horizonte?
Lembro-me da discussão da compra do avião para Lula. Os defensores da ideia diziam: é para projetar nosso poder no exterior.
Eles não imaginariam a crise de 2008 que trazia todo o planeta de novo para a realidade. A projeção de poder não é mais material, a ostentação inútil é apenas o reflexo de um complexo de inferioridade que existe no país e sobretudo do profundo complexo de inferioridade do próprio Lula.
O nunca antes neste país era apenas o sempre de antes nesse país, era apenas o sempre de antes na curso da humanidade: um conto de fanfarras e bandeirolas, significando nada.
charge: Sponholz
PF combate esquema de desvio em 11 Estados
Federais acompanham Sebastião José Vieira Filho, ex-procurador de Montes Claros, acusado de envolvimento no esquema denunciado em abril pelo EMA Polícia Federal deflagrou ontem operação para desbaratar quadrilha acusada de desvio de verbas públicas em mais de 100 municípios de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Sergipe, Santa Catarina, Rio, Pernambuco, Maranhão, Paraíba, Pará e Bahia. O esquema, segundo a PF, foi montado para fraudar licitações. Só em Minas foi houve desvio de mais de R$ 70 milhões em recursos públicos.
Dois ex-prefeitos de municípios mineiros - Warmillon Fonseca Braga (DEM), de Pirapora, e José Benedito Nunes (PT), de Janaúba - foram presos. Já o ex-prefeito de Montes Claros, Luiz Tadeu Leite (PMDB) é considerado foragido. Ele também teve a prisão decretada e é procurado pela Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), pois estaria em Miami (EUA). Leite teria viajado para os EUA há cerca de uma semana, com a justificativa de fazer um tratamento médico.
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em imóveis de outros suspeitos de integrar a quadrilha.
Segundo o delegado Marcelo Freitas, chefe da PF em Montes Claros, onde foram centralizadas as investigações, a prisão do ex-prefeito é "questão de tempo". Ao todo, de acordo com a PF, foram executados 20 mandados de busca e apreensão, 21 de sequestro de bens e valores, três de condução coercitiva e nove de prisão temporárias.
Entre os presos está o advogados e ex-procurador da prefeitura de Montes Claros Sebastião Vieira, que ainda ocupa cargo comissionado no município. O também advogado e ex-procurador da prefeitura montes-clarense Farley Menezes foi alvo de condução coercitiva para prestar depoimento.
O delegado contou que a quadrilha envolve ainda pessoas físicas e jurídicas e servidores públicos. Segundo Freitas, o grupo direcionava licitações para uma empresa do Espírito Santo para aquisição de precatórios com créditos junto à Receita, que eram depois repassados para serem compensados em tributos pelos municípios, artifício vedado pela lei.
A PF apurou que também havia negociação de documentos falsos, com assinaturas nos nomes de Cláudio Maia Silva e Ângelo Marinho como auditores da Receita, apesar de essas pessoas não fazerem parte dos quadros do órgão.
De acordo com o delegado da PF, o esquema provocou uma "sangria de milhões de reais dos cofres públicos", principalmente do "sofrido" norte mineiro.
Os acusados serão indiciados por crime contra a administração pública, formação de quadrilha, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, fraude em licitações, corrupção ativa e passiva. As penas, somadas, ultrapassam 30 anos de prisão.
Defesa. Os advogados dos ex-prefeitos e dos ex-procuradores municipais presos na operação não foram localizados ontem pelo Estado. Em nota, o advogado Sanzio Baioneta, que representa Luiz Tadeu Leite, contestou a condição de foragido do seu cliente. Ele disse que o ex-prefeito havia comunicado à PF que iria deixar o País para um tratamento médico.
De acordo com o delegado da PF, o esquema provocou uma "sangria de milhões de reais dos cofres públicos", principalmente do "sofrido" norte mineiro.
Os acusados serão indiciados por crime contra a administração pública, formação de quadrilha, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, fraude em licitações, corrupção ativa e passiva. As penas, somadas, ultrapassam 30 anos de prisão.
Defesa. Os advogados dos ex-prefeitos e dos ex-procuradores municipais presos na operação não foram localizados ontem pelo Estado. Em nota, o advogado Sanzio Baioneta, que representa Luiz Tadeu Leite, contestou a condição de foragido do seu cliente. Ele disse que o ex-prefeito havia comunicado à PF que iria deixar o País para um tratamento médico.
Plebiscito é só embromação!
Por JOSÉ NÊUMANNE *
A presidente Dilma Rousseff tem feito o possível para fazer do limão das multidões contra tudo nas ruas das cidades brasileiras a mesma limonada envenenada com que seu Partido dos Trabalhadores (PT) tenta em vão engabelar o País desde 2007. Há seis anos os petistas querem moldar as instituições republicanas a seus interesses específicos e impor a suas bases no Congresso Nacional uma reforma política que favoreça, se não uma imitação tupiniquim do bolivarianismo chavista, pelo menos a garantia de sua permanência no poder.
Mas a acachapante maioria no Legislativo não bastou para aprovar o que os maiorais do socialismo caboclo consideram fundamental para manter suas "boquinhas". Agora o povo foi para a rua e a chefe do governo tentou incontinenti surrupiar suas palavras de ordem para convocar uma Constituinte exclusiva, capaz de satisfazer os caprichos que a reforma constitucional não possibilitou. O óbvio golpe sujo não colou, mas ela mantém idêntica embromação em forma de consulta popular, o plebiscito.
Acontece que as multidões ocuparam as ruas para reclamar, primeiro, da elevação da tarifa do transporte público. E daí em diante, sem oposição à altura que os represente na democracia, os manifestantes passaram a protestar contra o óbvio: a inflação, a impunidade, a violência, a corrupção e, sobretudo, a péssima prestação de serviços por um Estado que cobra um absurdo de impostos. A Central Única dos Trabalhadores (CUT), braço sindical do PT (ou será o contrário?), foi rechaçada a pauladas de manifestação no Rio.
Acontece que as multidões ocuparam as ruas para reclamar, primeiro, da elevação da tarifa do transporte público. E daí em diante, sem oposição à altura que os represente na democracia, os manifestantes passaram a protestar contra o óbvio: a inflação, a impunidade, a violência, a corrupção e, sobretudo, a péssima prestação de serviços por um Estado que cobra um absurdo de impostos. A Central Única dos Trabalhadores (CUT), braço sindical do PT (ou será o contrário?), foi rechaçada a pauladas de manifestação no Rio.
E ninguém no País ouviu os gritos de "fascistas" com que militantes esquerdistas tentaram abafar o clamor apartidário que abortou a tentativa de infiltrar bandeiras do partido e camisas vermelhas numa passeata na Avenida Paulista. Esses invasores obedeciam à palavra de ordem do presidente nacional petista, Rui Falcão, que queria reverter a onda contra políticos numa manifestação a favor de Dilma e seus correligionários, alvos prioritários da insatisfação generalizada.
A resposta do governo foi de um cinismo atroz. Com o ministro da Educação, Aloizio Mercadante Oliva, no papel de Richelieu do Cerrado, dona Dilma pediu ao povo na rua o aval para uma reforma política de interesse exclusivo de sua grei. O PT quer lista fechada de candidatos indicados pela oligarquia partidária para furtar do eleitor o direito de escolher seu parlamentar preferido. E financiamento público exclusivo para campanha eleitoral para extorquir do bolso do contribuinte despesas de propaganda de candidatos, cada vez mais altas. O cidadão já contribui para o tal Fundo Partidário e está com as finanças exauridas de tanto patrocinar vantagens e benesses dos "pais da Pátria".
Ao fazê-lo, ela diz que está ouvindo a "voz rouca das ruas". Mas o povo quer mudar tudo e ela só dará mais do mesmo. Enquanto seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciava que aumentará a carga tributária, com que o brasileiro não suporta mais arcar, para pagar promessas feitas para dissolver as passeatas das massas, ela reuniu 37 de seus 39 ministros, quase todos recrutados das bancadas dos partidos que alicia para seu palanque para a reeleição.
Talvez ela não tenha nomeado um ministro para cuidar das redes sociais porque o 40.º à mesa lembrará certo conto das 2.001 noites. Tal referência certamente não é nada agradável enquanto Rosemary Noronha, amiguinha íntima de seu padrinho e antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, protagoniza um escândalo em que é acusada pela Polícia Federal (PF) de fazer parte de uma quadrilha que traficava influência na cúpula federal. Por que Dilma não aproveita a capacidade auditiva que nunca tinha demonstrado antes para dispensar seu ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, da condição de Maquiavel do Planalto para que ele solucione este caso e descubra quem lucrou com a tenebrosa transação da compra da refinaria de Pasadena pela Petrobrás?
Mas ela preferiu foi se aproveitar com desfaçatez oportunista da conquista da Copa das Confederações, definindo a própria gestão, contestada em praça pública, como "padrão Felipão". Mesmo tendo o Datafolha revelado na véspera sua queda de 27 pontos porcentuais e a constatação de que já não ganharia a reeleição no primeiro turno. Em vez de reunir o Ministério, cujo número a incapacita de conversar com um por um, ela deveria tê-lo reduzido a 12, número fixado por Jesus Cristo como ideal para uma equipe administrável. Mas como esperar isso de quem convoca governadores, prefeitos, sindicalistas, gays e lésbicas para que a escutem, e não para ouvi-los?
Pelos decibéis de suas broncas em subordinados, que contrastam com o papel de boneco de Olinda (só que falante!) que ela desempenha em pronunciamentos públicos convocados para embromar os cidadãos, que trata como súditos, Dilma deve ter muita dificuldade em ouvir a própria voz. Quanto mais a dos interlocutores que convoca para... escutá-la! Seus berros de "otoridade", porém, não impedirão que os clamores da rua cheguem às casas dos brasileiros.
A resposta do governo foi de um cinismo atroz. Com o ministro da Educação, Aloizio Mercadante Oliva, no papel de Richelieu do Cerrado, dona Dilma pediu ao povo na rua o aval para uma reforma política de interesse exclusivo de sua grei. O PT quer lista fechada de candidatos indicados pela oligarquia partidária para furtar do eleitor o direito de escolher seu parlamentar preferido. E financiamento público exclusivo para campanha eleitoral para extorquir do bolso do contribuinte despesas de propaganda de candidatos, cada vez mais altas. O cidadão já contribui para o tal Fundo Partidário e está com as finanças exauridas de tanto patrocinar vantagens e benesses dos "pais da Pátria".
Ao fazê-lo, ela diz que está ouvindo a "voz rouca das ruas". Mas o povo quer mudar tudo e ela só dará mais do mesmo. Enquanto seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciava que aumentará a carga tributária, com que o brasileiro não suporta mais arcar, para pagar promessas feitas para dissolver as passeatas das massas, ela reuniu 37 de seus 39 ministros, quase todos recrutados das bancadas dos partidos que alicia para seu palanque para a reeleição.
Talvez ela não tenha nomeado um ministro para cuidar das redes sociais porque o 40.º à mesa lembrará certo conto das 2.001 noites. Tal referência certamente não é nada agradável enquanto Rosemary Noronha, amiguinha íntima de seu padrinho e antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, protagoniza um escândalo em que é acusada pela Polícia Federal (PF) de fazer parte de uma quadrilha que traficava influência na cúpula federal. Por que Dilma não aproveita a capacidade auditiva que nunca tinha demonstrado antes para dispensar seu ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, da condição de Maquiavel do Planalto para que ele solucione este caso e descubra quem lucrou com a tenebrosa transação da compra da refinaria de Pasadena pela Petrobrás?
Mas ela preferiu foi se aproveitar com desfaçatez oportunista da conquista da Copa das Confederações, definindo a própria gestão, contestada em praça pública, como "padrão Felipão". Mesmo tendo o Datafolha revelado na véspera sua queda de 27 pontos porcentuais e a constatação de que já não ganharia a reeleição no primeiro turno. Em vez de reunir o Ministério, cujo número a incapacita de conversar com um por um, ela deveria tê-lo reduzido a 12, número fixado por Jesus Cristo como ideal para uma equipe administrável. Mas como esperar isso de quem convoca governadores, prefeitos, sindicalistas, gays e lésbicas para que a escutem, e não para ouvi-los?
Pelos decibéis de suas broncas em subordinados, que contrastam com o papel de boneco de Olinda (só que falante!) que ela desempenha em pronunciamentos públicos convocados para embromar os cidadãos, que trata como súditos, Dilma deve ter muita dificuldade em ouvir a própria voz. Quanto mais a dos interlocutores que convoca para... escutá-la! Seus berros de "otoridade", porém, não impedirão que os clamores da rua cheguem às casas dos brasileiros.
A queda vertiginosa nas pesquisas deixa claro que as favas para a reeleição já não são contadas e, se ainda é cedo para prever sua eventual derrota no pleito, não custa lembrar que a galáxia de adesões obtidas com a barganha de cargos por apoio parlamentar pode encolher com os índices de prestígio.
De fato, seu antecessor e padrinho Lula caiu para 28 pontos (dois menos do que ela agora) na pesquisa Datafolha feita à época em que o mensalão foi denunciado e, ainda assim, se reelegeu. Só que agora o julgamento desse escândalo no Supremo Tribunal Federal STF) e a condenação de seus companheiros Dirceu e Genoino deram à Nação a certeza de que seu partido em nada contribuiu para reduzir a corrupção no País. E se ela continuar condescendendo com a inflação e a impunidade, os cidadãos poderão sair de suas casas e das ruas para votar contra a perenização do status quo que os deixa indignados.
De fato, seu antecessor e padrinho Lula caiu para 28 pontos (dois menos do que ela agora) na pesquisa Datafolha feita à época em que o mensalão foi denunciado e, ainda assim, se reelegeu. Só que agora o julgamento desse escândalo no Supremo Tribunal Federal STF) e a condenação de seus companheiros Dirceu e Genoino deram à Nação a certeza de que seu partido em nada contribuiu para reduzir a corrupção no País. E se ela continuar condescendendo com a inflação e a impunidade, os cidadãos poderão sair de suas casas e das ruas para votar contra a perenização do status quo que os deixa indignados.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
PT tenta pegar carona no protesto de São Paulo, mas militantes são vaiados e hostilizados
Deu errado – Cumprindo a promessa feita pelo presidente do PT, Rui Falcão, que em comunicado distribuído à imprensa informou que militantes do partido participariam da grande manifestação marcada para esta quinta-feira (20) em várias cidades brasileiras, petistas foram xingados e hostilizados por integrantes do movimento que protesta contra a degradação moral do Estado.
Portando bandeiras e vestindo camisetas com a insígnia do partido, os petistas foram mal recebidos, o que mostra que fracassou a tentativa de pegar carona no movimento que tem como principal alvo de críticas a própria legenda e o governo inoperante de Dilma Vana Rousseff, que temendo as reticências dos protestos decidiu cancelar pelo menos duas das viagens oficiais agendadas para os próximos dias: Japão e Bahia.
A ousadia de Rui Falcão evidencia a desfaçatez como o partido, que obedece a todas as ordens do fugitivo Luiz Inácio da Silva, trata a população, cansada dos desmandos oficiais e cada vez mais indignada com a situação do País, cuja economia se esgueira sobre o despenhadeiro da crise.
Os brasileiros de bem que participam dos protestos devem impedir a infiltração de integrantes do partido político responsável pelo período mais corrupto da história nacional, não sem antes apontar o dedo na direção das inúmeras transgressões cometidas por um agrupamento político que tem todos os requisitos para ser considerado uma quadrilha.
Lula, que encomendou os primeiros protestos com o objetivo de encurralar politicamente o governador Geraldo Alckmin, até porque o objetivo do PT é tomar de assalto o Palácio dos Bandeirantes, precisa ser alçado ao patíbulo da culpa, pois é inimaginável que um ex-presidente, que ainda deve explicações sobre escândalos de corrupção, transforme o País em capitania hereditária, como se o Brasil não tivesse um ordenamento jurídico que pudesse levá-lo à prisão.
terça-feira, 18 de junho de 2013
Protestos revelam 'pane do milagre brasileiro', diz 'Le Monde'
Segundo o jornal, o governo da presidente Dilma Roussef "paga hoje o
preço" de uma revolta popular instigada pelas "despesas suntuosas da
Copa do Mundo de 2014".
"Ao vermos dia após dia os manifestantes cada vez mais números irem às ruas para criticar à má administração e as quantias abissais investidas na organização da Copa do Mundo, enquanto os serviços públicos como a saúde e a educação estão em um estado deplorável, podemos questionar se os dirigentes (do país) não tiveram o olho maior do que a barriga", escreve o Le Monde.
Segundo o jornal, uma conjunção de diferentes fatores fez desmoronar o "paradigma" de que a Copa do Mundo iria permitir desenvolver diferentes regiões do país.
O primeiro fator, diz o vespertino, é o fraco crescimento econômico brasileiro, que sinaliza "perda de fôlego". Outro elemento importante é a inflação, "um tema sensível para os brasileiros", que "dá sinais de febre forte".
"A tudo isso se somam os anúncios sobre o custo suplementar astronômico das obras dos estádios. Alguns deles permanecerão carcaças vazias por falta de espectadores (após a Copa) e outros serão dificilmente acessíveis às pessoas de baixa renda em razão do aumento dos preços dos ingressos", diz o Le Monde.
Bastou então o aumento de R$ 0,20 do preço das passagens de ônibus em São Paulo, associada "a uma repressão desproporcional da polícia" para "atear fogo na pólvora", escreve o diário.
O Le Monde destaca que não apenas as autoridades "esqueceram" de mencionar que o transporte em São Paulo se torna um dos mais caros do mundo, já que cada usuário utiliza, em média, duas ou três passagens por dia, "mas eles também deixaram de evocar o estado do sistema de transportes, deplorável".
Protecionismo
Em outro artigo, intitulado "o protecionismo de Dilma Rousseff pôs fim ao crescimento milagroso dos anos 2000", o diário francês critica o desempenho econômico do Brasil sob a gestão atual.
"A presidente Dilma não tem a arte e o talento em economia de seu predecessor, Lula. Basta olhar a curva em declínio do crescimento" do PIB.
O jornal destaca ainda que as taxas de juros estão subindo com o risco de uma inflação mais alta e que apesar do bom desempenho da produção agrícola, a atividade industrial vem caindo no país.
Outros indicadores negativos são as perdas registradas no ano pela bolsa de valores, o rebaixamento das notas dos bancos públicos e o consumo estagnado, escreve o Le Monde.
"Esses resultados são ainda mais decepcionantes se considerarmos que o governo brasileiro tentou estimular a demanda e os investimentos internos com políticas orçamentárias e monetárias generosas e por injeções maciças de recursos em 2012."
O jornal lembra que o"inamovível" ministro da Fazenda, Guido Mantega, repete que o Brasil sofre os efeitos da crise nos países ricos, sobretudo na Europa.
"O problema não é apenas conjuntural. O ex-presidente Lula soube conciliar uma política social com um liberalismo econômico que ampliou a atividade. Dilma se voltou para um dirigismo econômico, que é reivindicado", escreve o Le Monde.
Para o diário francês, o aumento das tarifas de importação e o "patriotismo econômico" do governo estão prejudicando o sistema que permitiu ao país emergir nos anos 2000.
Hoje há o risco, escreve o jornal, de fuga de capitais do país, no momento em que ele deveria estar atraindo investimentos, já que o Brasil realiza inúmeras obras para a Copa do Mundo e as Olimpíadas.
Fontehttp://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/06/130618_protestos_brasil_le_monde_df_tp.shtml
"Ao vermos dia após dia os manifestantes cada vez mais números irem às ruas para criticar à má administração e as quantias abissais investidas na organização da Copa do Mundo, enquanto os serviços públicos como a saúde e a educação estão em um estado deplorável, podemos questionar se os dirigentes (do país) não tiveram o olho maior do que a barriga", escreve o Le Monde.
Segundo o jornal, uma conjunção de diferentes fatores fez desmoronar o "paradigma" de que a Copa do Mundo iria permitir desenvolver diferentes regiões do país.
O primeiro fator, diz o vespertino, é o fraco crescimento econômico brasileiro, que sinaliza "perda de fôlego". Outro elemento importante é a inflação, "um tema sensível para os brasileiros", que "dá sinais de febre forte".
"A tudo isso se somam os anúncios sobre o custo suplementar astronômico das obras dos estádios. Alguns deles permanecerão carcaças vazias por falta de espectadores (após a Copa) e outros serão dificilmente acessíveis às pessoas de baixa renda em razão do aumento dos preços dos ingressos", diz o Le Monde.
Bastou então o aumento de R$ 0,20 do preço das passagens de ônibus em São Paulo, associada "a uma repressão desproporcional da polícia" para "atear fogo na pólvora", escreve o diário.
O Le Monde destaca que não apenas as autoridades "esqueceram" de mencionar que o transporte em São Paulo se torna um dos mais caros do mundo, já que cada usuário utiliza, em média, duas ou três passagens por dia, "mas eles também deixaram de evocar o estado do sistema de transportes, deplorável".
Protecionismo
Em outro artigo, intitulado "o protecionismo de Dilma Rousseff pôs fim ao crescimento milagroso dos anos 2000", o diário francês critica o desempenho econômico do Brasil sob a gestão atual.
"A presidente Dilma não tem a arte e o talento em economia de seu predecessor, Lula. Basta olhar a curva em declínio do crescimento" do PIB.
O jornal destaca ainda que as taxas de juros estão subindo com o risco de uma inflação mais alta e que apesar do bom desempenho da produção agrícola, a atividade industrial vem caindo no país.
Outros indicadores negativos são as perdas registradas no ano pela bolsa de valores, o rebaixamento das notas dos bancos públicos e o consumo estagnado, escreve o Le Monde.
"Esses resultados são ainda mais decepcionantes se considerarmos que o governo brasileiro tentou estimular a demanda e os investimentos internos com políticas orçamentárias e monetárias generosas e por injeções maciças de recursos em 2012."
O jornal lembra que o"inamovível" ministro da Fazenda, Guido Mantega, repete que o Brasil sofre os efeitos da crise nos países ricos, sobretudo na Europa.
"O problema não é apenas conjuntural. O ex-presidente Lula soube conciliar uma política social com um liberalismo econômico que ampliou a atividade. Dilma se voltou para um dirigismo econômico, que é reivindicado", escreve o Le Monde.
Para o diário francês, o aumento das tarifas de importação e o "patriotismo econômico" do governo estão prejudicando o sistema que permitiu ao país emergir nos anos 2000.
Hoje há o risco, escreve o jornal, de fuga de capitais do país, no momento em que ele deveria estar atraindo investimentos, já que o Brasil realiza inúmeras obras para a Copa do Mundo e as Olimpíadas.
Fontehttp://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/06/130618_protestos_brasil_le_monde_df_tp.shtml
domingo, 9 de junho de 2013
Professores de Juazeiro do Norte terão salários reduzidos em até 40%
Professora chora diante da aprovação da redução do salário dos professores em Juazeiro do Norte, no Ceará. O corte pode chegar a até 40%
Os professores da rede municipal de Juazeiro do Norte (a 548 km de Fortaleza), no Ceará, terão seus salários reduzidos em até 40%, aumento na carga horária, além de outras mudanças regidas no PCCR (Plano de Cargos, Carreira e Remuneração), aprovado pela Câmara de Vereadores, apesar dos protestos na última quinta-feira (6).
A aprovação causou desespero e revolta nos professores que recebem o piso nacional de docentes estabelecido pelo MEC, no valor de R$ 1.567, além de gratificações, que totalizam o valor de R$ 2.193.
De acordo com o SSM (Sindicato dos Servidores Municipais), 2.000 professores devem ter os salários reduzidos em até R$ 650.
Devido à aprovação da reformulação do PCCR, o sindicato disse que todos os professores estão em greve por tempo indeterminado. De acordo com a presidente do sindicato, Mazé dos Santos, a greve não foi deflagrada ainda devido aos trâmites legais.
"Vamos respeitar o prazo de 72 horas para entrar em greve. O que não podemos é ficarmos calados. Vamos continuar os protestos", disse Santos em entrevista ao UOL.
Ao final da votação dos vereadores, que foi de 12 votos a favor e quatro votos contra, os professores pegaram ovos para jogar nos políticos. Durante o tumulto, a PM (Polícia Militar) e guardas municipais usaram spray de pimenta para dispersar os manifestantes.
Os vereadores a favor dos professores e que votaram contra o projeto foram Cláudio Luz (PT), Glédson Bezerra (PTB), Rita Monteiro (PT do B) e Tarso Magno (PR). Eles informaram que vão debater a possibilidade de pedir anulação da sessão extraordinária.
A sessão foi tumultuada e até os vereadores discutiram com a mesa diretora. Luz discutiu com o presidente da Câmara de Vereadores, Antônio de Lunga (PSC).
Durante a votação os professores chegaram a mostrar pacotes de dinheiro e jogar no plenário notas para que os vereadores pegassem "porque eles são comprados", diziam em coro.
A sessão esquentou depois que três professores conseguiram invadir o plenário e foram retirados pela polícia. Os manifestantes gritavam palavras para agredir os vereadores, chamando-os de "ladrões", "bandidos", "quadrilha" e "vendidos".
A prefeitura de Juazeiro do Norte disse que o corte no salário dos professores foi necessário para se enquadrar na LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) e reforçou que os valores pagos aos professores não fechava a folha de pagamento. O projeto foi enviado pelo prefeito Raimundo Macedo (PMDB).
Os professores da rede municipal de Juazeiro do Norte (a 548 km de Fortaleza), no Ceará, terão seus salários reduzidos em até 40%, aumento na carga horária, além de outras mudanças regidas no PCCR (Plano de Cargos, Carreira e Remuneração), aprovado pela Câmara de Vereadores, apesar dos protestos na última quinta-feira (6).
A aprovação causou desespero e revolta nos professores que recebem o piso nacional de docentes estabelecido pelo MEC, no valor de R$ 1.567, além de gratificações, que totalizam o valor de R$ 2.193.
De acordo com o SSM (Sindicato dos Servidores Municipais), 2.000 professores devem ter os salários reduzidos em até R$ 650.
Devido à aprovação da reformulação do PCCR, o sindicato disse que todos os professores estão em greve por tempo indeterminado. De acordo com a presidente do sindicato, Mazé dos Santos, a greve não foi deflagrada ainda devido aos trâmites legais.
"Vamos respeitar o prazo de 72 horas para entrar em greve. O que não podemos é ficarmos calados. Vamos continuar os protestos", disse Santos em entrevista ao UOL.
Ao final da votação dos vereadores, que foi de 12 votos a favor e quatro votos contra, os professores pegaram ovos para jogar nos políticos. Durante o tumulto, a PM (Polícia Militar) e guardas municipais usaram spray de pimenta para dispersar os manifestantes.
Os vereadores a favor dos professores e que votaram contra o projeto foram Cláudio Luz (PT), Glédson Bezerra (PTB), Rita Monteiro (PT do B) e Tarso Magno (PR). Eles informaram que vão debater a possibilidade de pedir anulação da sessão extraordinária.
A sessão foi tumultuada e até os vereadores discutiram com a mesa diretora. Luz discutiu com o presidente da Câmara de Vereadores, Antônio de Lunga (PSC).
Durante a votação os professores chegaram a mostrar pacotes de dinheiro e jogar no plenário notas para que os vereadores pegassem "porque eles são comprados", diziam em coro.
A sessão esquentou depois que três professores conseguiram invadir o plenário e foram retirados pela polícia. Os manifestantes gritavam palavras para agredir os vereadores, chamando-os de "ladrões", "bandidos", "quadrilha" e "vendidos".
A prefeitura de Juazeiro do Norte disse que o corte no salário dos professores foi necessário para se enquadrar na LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) e reforçou que os valores pagos aos professores não fechava a folha de pagamento. O projeto foi enviado pelo prefeito Raimundo Macedo (PMDB).
sábado, 18 de maio de 2013
ASSISTENCIALISMO SEM FUTURO
"É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade.
Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber.
O governo não pode dar para alguém aquilo que não tira de outro alguém. Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.
É impossível multiplicar riqueza dividindo-a."
Adrian Rogers, 1931
Num país do hemisfério Sul, NÃO TRABALHAR confere RECOMPENSAS.
O número de pessoas que deixaram os empregos em determinadas regiões deste país é maior que a força de trabalho formal. Isto está se configurando num flagelo, pois não existe perspectiva positiva quando a ociosidade e a preguiça gerada que toma conta da sociedade.
Hoje, o programa é nitidamente assistencialista e eleitoreiro. Não imputa responsabilidades, não educa, não forma mão-de-obra, não tem controle público, se coloca na contra-mão da qualificação do cidadão e coloca alguns lugarejos do Brasil a serem totalmente dependentes desta renda, inoperando o desenvolvimento da economia formal. No Piauí, 54% das famílias recebem Bolsa Família. Estima-se que mais de 25% do benefício é distribuído no país de forma irregular por falta de controle público ou por aquilo que conhecemos, mas não nos indignamos, a corrupção.
O objetivo do programa seria de erradicar a pobreza e a fome, além de reduzir a desigualdade social no país.
Um estudo dá conta que são aproximadamente 12 milhões de famílias atendidas, em todos os municípios do país. O custo do programa, entre benefícios e operacionalização é de aproximadamente 3 bilhões ao mês ou, 36 bilhões ao ano. Se metade deste recursos fosse aplicado em produção e microcrédito, poderíamos gerar em torno de 1 milhão de empregos diretos e formais gerando para uma renda média familiar de 1,2 mil reais, contra os 200 reais do programa.
Para sustentar este programa, cada um dos 192 milhões de brasileiros desembolsa R$ 16,3 por mês. Em síntese, 8,6% do PIB é gasto no programa. O gasto no Bolsa Família iguala-se ao lucro liquido da Petrobrás em 2008.
Fonte: http://gollnick.blog.terra.com.br/2010/02/03/assistencialismo-sem-futuro/
O 'bolsismo' permanente que condena o futuro do Brasil
Por Roberto Freire, para o Brasil Econômico
Criado na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e também adotado pelo então governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque, o programa Bolsa Escola serviu como base para Lula e o PT, que o ampliaram e o rebatizaram de Bolsa Família. Promovido à condição de principal programa social da gestão petista após o retumbante fracasso do Fome Zero, foi concebido como um paliativo emergencial para o combate à miséria. Passada uma década, o que era uma medida temporária se transformou em política assistencialista permanente e em importante ativo eleitoral.
Grande beneficiária desse instrumento, Dilma Rousseff mobilizou sua gigantesca base aliada no Congresso e logrou êxito na aprovação da Medida Provisória 590/12, editada pelo governo para ampliar outro programa social alardeado pela propaganda petista, o Brasil Carinhoso, que beneficia crianças de até 6 anos pertencentes a famílias cuja renda mensal per capita é de R$ 70. A MP determina que famílias com crianças e adolescentes entre 7 e 15 anos também passem a receber o benefício para superação da extrema pobreza, já previsto no Bolsa Família.
Na prática, o texto incorpora mudanças previstas em outra MP, a 607/13, que concede esse complemento a todas as famílias com renda mensal inferior a R$ 70, independentemente de terem ou não crianças e adolescentes. Com as alterações, mais 4,8 milhões de famílias serão favorecidas a um custo extra de R$ 4,9 bilhões por ano no Bolsa Família, cujo orçamento para 2013 chega a R$ 23 bilhões.
O que se tem, na verdade, é um enorme curral eleitoral cuja capilaridade se concentra nos grotões do Brasil profundo e mais atrasado. O programa tem funcionalidade conservadora, pois pode melhorar o presente, mas não muda a realidade nem tira as famílias da miséria, além de mantê-las sob tutela do governo. Trata-se do mesmo instrumento de cooptação utilizado pelos coronéis, outrora tão criticados pelos petistas e que hoje se refestelam com as benesses do poder.
Ao invés de incentivar o trabalho, que traz dignidade aos jovens e gera riqueza ao país, o governo do PT se limita a transferir renda e relega a segundo plano a qualificação dos jovens para o mercado. Para piorar, apesar do cenário fantasioso traçado pelo discurso oficial, o país paga um preço elevado pela irresponsabilidade do governo Lula, que optou pelo populismo ao incentivar o consumo, não investiu em infraestrutura e nos condenou à delicada situação que vivemos hoje, com estagnação econômica e a inflação já se fazendo sentir no bolso do trabalhador. Sem um projeto de desenvolvimento, o PT se apega aos programas sociais para esconder sua própria incompetência.
Não é com práticas coronelistas ou bravatas meramente eleitoreiras que o Brasil avançará. A miséria só deixará de ser realidade quando crescermos de forma sustentável e permanente, a partir do desenvolvimento gerado pela força do trabalho de nossa população. O “bolsismo” imposto pelo PT para se perpetuar no poder nos remete a um passado de triste memória e condena o país a um futuro sombrio em que as pessoas se conformarão com esmolas e perderão a capacidade de sonhar.
Roberto Freire é deputado federal por São Paulo e presidente nacional da Mobilização Democrática (MD)
sábado, 11 de maio de 2013
FALTA TUDO NA VENEZUELA! De farinha a papel higiênico. Inflação cresce
Fotos com as longas filas de consumidores com o braço marcado para comprar o produto --ingrediente da arepa, quitute base da dieta do país-- se tornaram nesta semana o símbolo da escassez de produtos na Venezuela, que chegou ao maior patamar dos últimos cinco anos, segundo medição feita pelo Banco Central.
Há outro dado preocupante para o presidente Nicolás Maduro, divulgado nesta semana: a inflação de abril foi 4,3%, contra 2,8% de março. O acumulado dos últimos 12 meses é 29,4%.
Além da farinha de milho, cujo nível de escassez é o dobro do geral faltam farinha de trigo, frango, leite em pó, açúcar e papel higiênico.
Para tentar obter farinha, venezuelanos marcam o braço em Barquisimeto, no centro do país.
O governo atribui a alta de preços e o desabastecimento à especulação de empresários que querem dar um "golpe econômico" em Maduro.
Para analistas, os problemas são fruto da queda da produção (desestimulada em parte pelos tabelamentos de de preços), do aumento da demanda e da paralisação nas importações pelo atraso na entrega de divisas oficiais.
Durante visita a Brasília, anteontem, Maduro disse que o Brasil vai ajudar seu país a "conseguir o objetivo de curtíssimo prazo" de aumentar a produção alimentícia local.
"O problema não se resolve pedindo cacau [ajuda] a países 'amigos', mas estimulando o investimento", criticou Luis Vicente León, do instituto Datanálisis ontem. "Podem passar horas de discursos, ataques, mas sem abastecimento as pessoas se irritam. E não haverá sem empresas, preços e divisas", declarou o analista
Deputados do Mercosul estudam suspensão da Venezuela
Os representantes pediram ao presidente do Parlamento do Mercosul, o paraguaio Ignacio Mendoza, uma análise das acusações de fraude eleitoral, perseguição e ataque à oposição para determinar se o país cumpre a cláusula democrática do Protocolo de Ushuaia. “Vários fatos motivam a análise. Entre eles, a preocupante situação derivada do processo eleitoral, o espancamento de deputados opositores pelo regime governante, a perseguição aos veículos críticos de imprensa e as denúncias de severas violações de direitos humanos”, diz o texto da petição.
Os deputados pediram também que se retire a suspensão do Paraguai e a paralização do processo de entrada da Venezuela até que o senado paraguaio ratifique o protocolo de adesão. “Não é possível que esteja suspenso um país como o Paraguai, que defende valores democráticos, e se queira incorporar a Venezuela, cujo governo viola sistematicamente todos os princípios que qualquer democracia deve resguardar”, disse o deputado argentino Julián Obiglio. O Paraguai foi suspenso do bloco após o impeachment do então presidente Fernando Lugo.
A petição foi apresentada por senadores e deputados de Uruguai, Paraguai e Argentina. Esperava-se que representantes do Brasil fizessem o mesmo na tarde de quinta-feira, o que não aconteceu.
Venezuela – Na tarde de quinta-feira, o presidente venezuelano Nicolás Maduro estava reunido com Dilma Rousseff em Brasília no último dia de seu primeiro giro internacional como mandatário da Venezuela. “Pedimos mais apoio do Brasil para o desenvolvimento de uma revolução agroalimentícia na Venezuela”, disse Maduro em uma coletiva de imprensa que não permitiu perguntas de jornalistas. Do site da revista Veja
terça-feira, 7 de maio de 2013
Supermercados devem ter caixas operados por clientes em 2013
Caixas de supermercado operados pelo próprio consumidor devem chegar a cidades de São Paulo, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul em 2013. "Estamos em fase final de negociação com varejistas grandes e menores. Teremos lojas em operação nesses locais ainda no segundo semestre", afirma Claudio Reina, diretor da RMS, empresa que instalou, em novembro passado, equipamentos pioneiros do tipo em Londrina e Maringá (PR).
Nesses caixas, o cliente registra cada produto pelo código de barras e em seguida o coloca na sacola, que fica apoiada sobre uma balança para verificar se o peso corresponde ao do item, para evitar furtos. Câmeras também são instaladas no local para reforçar a segurança. Depois, o próprio consumidor faz o pagamento com cartão de crédito ou débito.
De acordo com a RMS, o sistema diminui em 20% a 30% o tempo no caixa. Além disso, no espaço de dois caixas comuns podem ser instalados quatro de autoatendimento.
A novidade é uma aposta do setor supermercadista para diminuir as filas. "Os consumidores das classes C, D e E passaram a usar caixa eletrônico, por isso acreditamos que o brasileiro está aculturado para o self checkout , afirma Fernando Yamada, presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). "Vimos também que o uso não é determinado pela idade do cliente, mas pela pressa no momento da compra", diz.
'Sistema funciona bem fora do País'
No Paraná, o self checkout foi adotado pela rede Super Muffato, que tem 40 lojas e 9 mil funcionários. Em maio, a varejista irá estrear a tecnologia em outras duas unidades no Estado, em Curitiba e Cascavel. No mesmo mês, uma loja do grupo Comper em Campo Grande (MS) passa contar com o sistema. No segundo semestre, a RMS afirma que a tecnologia deve chegar ao interior de São Paulo e ao Rio Grande do Sul. "Ao todo, temos 20 contas em negociação, em diferentes regiões do País", diz
O diretor da empresa trabalhou em Portugal e na Espanha por 20 anos com self checkout – na Europa, essa forma de pagamento é mais comum do que na América Latina. Em 2011, foi chamado para dirigir a área na RMS, que fornece há 22 anos sistemas informatizados para varejistas. "Agora teremos grande foco na área do autoatendimento, porque sabemos que isso funciona bem fora do País", afirma.
Em 2003, o Pão de Açúcar implantou o primeiro sistema de self checkout brasileiro, numa unidade de São Paulo. O projeto se transformou no Personal Shop, atualmente em funcionamento em quatro lojas da cidade, que permite também escolher produtos e pode até entregá-los em casa, após a compra
Fonte IG : http://economia.ig.com.br/2013-05-07/supermercados-devem-ter-caixas-operados-por-clientes-em-2013.html
sábado, 27 de abril de 2013
Eike, Emblema e Indício
Eike Batista valia US$ 1,5 bilhão em 2005, US$ 6,6 bilhões em 2008, US$ 30 bilhões em 2011 e US$ 9,5 bilhões em março passado, depois de 12 meses em que seu patrimônio encolheu num ritmo médio de US$ 50 milhões por dia. Desconfie das publicações de negócios quando se trata do perfil dos investimentos de grandes empresários. Apenas cinco anos atrás uma influente revista de negócios narrou a saga de Eike sem conectá-la uma única vez à sigla BNDES. Mas o ciclo de destruição implacável de valor das ações do Grupo X acendeu uma faísca de jornalismo investigativo. Hoje o nome do empresário anda regularmente junto às cinco letrinhas providenciais - e emergem até mesmo reportagens que o conectam a outras quatro letrinhas milagrosas: Lula.
A história de Eike é, antes de tudo, um emblema do capitalismo de Estado brasileiro. Durante o regime militar, Eliezer Batista circulou pelos portões giratórios que interligavam as empresas mineradoras internacionais à estatal Vale do Rio Doce. Duas décadas depois seu filho se converteu no ícone de uma estratégia de modernização do capitalismo de Estado que almeja produzir uma elite de megaempresários associados à nova elite política lulista.
"O BNDES é o melhor banco do mundo", proclamou Eike em 2010, no lançamento das obras do Superporto Sudeste, da MMX. O projeto, orçado em R$ 1,8 bilhão, acabava de receber financiamento de R$ 1,2 bilhão do banco público de desenvolvimento, que também é sócio das empresas LLX, de logística, e MPX, de energia. No ano seguinte o banco negociou com o empresário duas operações de injeção de capital no valor de R$ 3,2 bilhões, aumentando em R$ 600 milhões sua participação na MPX e abrindo uma linha de crédito de R$ 2,7 bilhões para as obras do estaleiro da OSX, orçadas em pouco mais de R$ 3 bilhões, no Porto do Açu, da LLX. Hoje o endividamento do Grupo X com o banco mais generoso do mundo gira em torno de R$ 4,5 bilhões - algo como 23% do seu valor total de mercado.
"A natureza sempre foi generosa comigo", explicou Eike. "As pessoas ricas foram as que mais ganharam dinheiro no meu governo", explicou Lula. A política, não a economia, a "natureza" ou a sorte, inflou o balão do Grupo X. Dez anos atrás o BNDES não era "o melhor banco do mundo". Alcançou essa condição por meio de uma expansão assombrosa de seu capital deflagrada no final do primeiro mandato de Lula da Silva. A mágica sustentou-se sobre o truque prosaico da transferência de recursos do Tesouro Nacional para o BNDES. O dinheiro ilimitado que irrigou o Grupo X e impulsionou uma bolha de expectativas desmesuradas no mercado acionário é, num sentido brutalmente literal, seu, meu, nosso, dos filhos de todos nós e das crianças que ainda não nasceram, mas pagarão a conta da dívida pública gerada pela aventura do empresário emblemático.
Eike é emblema, mas também indício. A saga da célere ascensão e do ainda mais rápido declínio do Grupo X contém uma profusão de pistas, ainda não exploradas, das relações perigosas entre o círculo interno do lulismo e o mundo dos altos negócios.
Na condição de "consultor privado", em julho de 2006 o ex-ministro José Dirceu viajou à Bolívia, num jatinho da MMX, exatamente quando o governo de Evo Morales recusava licença de operação à siderúrgica de Eike. Nos anos seguintes, impulsionado por um fluxo torrencial de dinheiro do BNDES, o Grupo X atravessou as corredeiras da fortuna. Durante a travessia, em 2009 o empresário contou com o beneplácito de Lula para uma tentativa frustrada de adquirir o controle da Vale, pela compra a preço de oportunidade da participação acionária dos fundos de pensão, do BNDES e do Bradesco na antiga estatal. Naquele mesmo ano o fracasso de bilheteria Lula, o Filho do Brasil, produzido com orçamento recordista, contou com o aporte de R$ 1 milhão do empreendedor X.
A parceria entre os dois "filhos do Brasil" não foi abalada pela reversão do movimento da roda da fortuna. Em janeiro passado, a bordo do jato do virtuoso empresário, Eike e o ex-presidente visitaram o Porto do Açu. O tema do encontro teria sido um plano de transferência para o Açu de um investimento de R$ 500 milhões de um estaleiro que uma empresa de Cingapura ergue no Espírito Santo. Em março, depois que Lula lhe recomendou prestar maior atenção às demandas dos empresários, Dilma Rousseff reuniu-se com 28 megaempresários, entre eles o inefável X. Dias depois, numa reunião menor, a presidente e um representante do BNDES se teriam sentado à mesa com Eike e seus credores privados do Itaú, Bradesco e BTG-Pactual.
Equilibrando-se à beira do abismo, o Grupo X explora diferentes hipóteses de resgate. O BNDES, opção preferencial, concedeu um novo financiamento, de R$ 935 milhões, à MMX e analisa uma solicitação da OSX, de créditos para a construção de uma plataforma de petróleo. Entrementes, diante da deterioração financeira do "melhor banco do mundo", emergem opções alternativas. No cenário mais provável, o Porto do Açu seria resgatado por uma série de iniciativas da Petrobrás e da Empresa de Planejamento e Logística. A primeira converteria a imensa estrutura portuária sem demanda em base para a produção de petróleo na Bacia de Campos. A segunda esculpiria um pacote de licitações de modo a ligar o porto fincado no meio do nada à malha ferroviária nacional, assumindo os riscos financeiros da operação.
No registro do emblema, a vasta mobilização de empresas estatais e recursos públicos para salvar o Grupo X pode ser justificada em nome da "imagem do País no exterior", como sugere candidamente o governo, ou da proteção da imagem do próprio governo e de seu modelo de capitalismo de Estado, como interpretam as raras vozes críticas. No registro do indício, porém, o resgate em curso solicitaria investigações de outra ordem e de amplas implicações - que, por isso mesmo, não serão feitas.
* Demétrio Magnoli é sociólogo e doutor em Geografia Humana pela USP. E-mail:demetrio.magnoli@uol.com.br.
Hora de mudar o ECA
Por : José Serra *
Um dos bandidos, o Champinha, de 16 anos, foi internado na Fundação Casa, onde poderia passar, no máximo, três anos, como determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Mas a Justiça, diante de laudos psiquiátricos, não permitiu que ele fosse posto em liberdade quando esse período se encerrou. Em 2007 Champinha conseguiu fugir, mas foi recapturado. Um juiz impediu, porém, que ele fosse transferido para a Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, pois conviveria com detidos adultos, embora, àquela altura, ele já tivesse 20 anos, dois acima do limite da maioridade penal. Mas era impossível interná-lo num dos hospitais públicos, que não dispõem da contenção física necessária para pacientes psiquiátricos perigosos. Preparamos, então - eu era governador -, uma unidade especial de saúde para poder recebê-lo. Hoje, há seis internados nesse local.
Um procurador federal, pasmem, acaba de entrar com ação pedindo o fechamento dessa unidade e a entrega dos internos a hospitais. Imaginem como seria a internação de Champinha e dos outros na ala psiquiátrica de um hospital comum. Na verdade, se prevalecer, a ação do procurador implicará soltar esses internados perigosos, que só teriam de receber acompanhamento ambulatorial.
O episódio ilustra, de modo emblemático, a necessidade de alterar a legislação vigente para dirimir dúvidas e fixar critérios que combinem, com mais clareza, os direitos humanos dos infratores e a segurança da população, que, ainda que alguns se surpreendam, também é um direito humano - e de pessoas que não infringiram lei alguma. A interdição dessas mudanças e até do debate é liderada pelo governo federal e pelas bancadas do PT no Congresso, por oportunismo político e ideológico.
Há outros temas que envolvem o assunto, como a maioridade penal. O artigo 228 da Constituição estabelece que são penalmente inimputáveis os menores de 18 anos, que devem sujeitar-se a legislação especial. Mas a eventual mudança desse artigo é improvável, dadas a politização do assunto, a dificuldade de alterar a Constituição e também do debate sobre se esse ponto é ou não cláusula pétrea, que, portanto, não pode ser objeto de emenda. Há, porém, um caminho mais curto, eficaz e viável para punir os crimes violentos praticados por jovens que têm plena consciência dos seus atos. É a mudança do § 3.º do artigo 121 do ECA, que estabelece que, "em nenhuma hipótese, o período de internação excederá a três anos". Esse trecho da lei permitiu, por exemplo, que fosse posto em liberdade em fevereiro de 2010 um adolescente que integrou o bando que, num carro, arrastou e matou uma criança no Rio, três anos antes. É o que vai acontecer com o rapaz que recentemente matou o estudante Victor Deppman, em São Paulo. O assassino completou 18 anos três dias depois do crime.
Opositores da mudança do prazo máximo de internação consideram meramente "oportunistas" as iniciativas a respeito motivadas por algum crime recente. Nada mais falso: o tema vem sendo debatido no Congresso há 13 anos, a partir de um projeto de lei do deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS). Outros parlamentares apensaram propostas, como os líderes do PSDB Jutahy Magalhães (em 2003) e Carlos Sampaio (em 2013). A ex-deputada Rita Camata, a grande relatora (e desde então a maior defensora) do ECA em 1990, apresentou um projeto, dez anos depois, prevendo a ampliação dos prazos de internação nos casos de crimes hediondos e ligados ao tráfico de entorpecentes. Em 2003 o governador Geraldo Alckmin fez a defesa dessa ampliação, reiterada este ano, quando relançou o debate e encaminhou proposta, por meio de Sampaio. Em fevereiro de 2007, quando governador, publiquei artigo na Folha de S.Paulo defendendo a proposta de ampliação do prazo máximo para dez anos, preparada pelo então secretário de Justiça, Luiz Marrey. Acolhida pelos governadores do Sudeste, foi por eles logo apresentada aos presidentes da Câmara e do Senado.
Outro argumento contrário à alteração do ECA enfatiza que os jovens que cometeram crimes hediondos são minoria entre os infratores. E daí? A morte de apenas uma pessoa, já se disse, nos diminui. O assassinato nos ofende. E a garantia da impunidade, por força da lei, nos humilha. Ora, leis contra o crime punem mesmo é a minoria criminosa, ou seria impossível viver em sociedade. A punição dos que violam o pacto democrático é condição necessária para que o comportamento indesejável não se multiplique.
Diz-se ainda que só políticas sociais oferecem uma resposta adequada. Trata-se de preconceito inaceitável contra os pobres. Qual é a inferência? Que sua condição social os predispõe à violência? Mais ainda, vamos dizer às pessoas que aceitem, estoicamente, a morte violenta de seus filhos, maridos, mulheres e namorados enquanto não alcançamos uma sociedade desenvolvida e igualitária?
É natural e saudável que a comoção causada por eventos trágicos nos leve a refletir e cobrar providências, evidenciando a omissão do governo federal e a resistência dos petistas em fazer o óbvio. Políticas sociais, educacionais e de juventude são urgentes, mas não bastam para impedir a violência. A questão deve ser tratada com racionalidade e responsabilidade. Os brasileiros não podem ser reféns - e vítimas passivas - de disputas de caráter ideológico. A população não quer saber de dogmas ou se uma ideia é rotulada como "de esquerda" ou "de direita". Quer o combate à violência escandalosa que há no País. Criar uma oposição entre a segurança pública e a defesa dos direitos humanos é uma trapaça intelectual. Se o governo resiste, o Congresso tem de se lembrar que é ele, por excelência, o Poder que representa a vontade do povo.
* José Serra é ex-governador e ex-prefeito de São Paulo.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Contrato feito após ida de Lula à Costa Rica é investigado
Na semana passada, o chefe do Ministério Público da Costa Rica, Jorge Chavarría, determinou a abertura de investigação sobre a concessão, por 30 anos, da rodovia mais importante do país à OAS que desembolsará US$ 524 milhões. Estima-se que ela recupere o valor em cinco anos e arrecade US$ 4 bilhões na vigência do contrato.
O Ministério Público investigará se houve tráfico de influência e enriquecimento e associação ilícitos. O inquérito se baseia em petição de advogados, segundo a qual o contrato tem "a finalidade de enriquecer a OAS".
Os advogados alegam ainda que houve pagamento de propina. "A história não conhece um caso tão evidente de corrupção em nosso país."
A comissão de controle da Assembleia Nacional também abriu investigação. "A rodovia será a mais cara da América Latina: cada quilômetro custará US$ 9 milhões", disse o deputado José María Villalta. No Brasil, o custo de 1 km é um terço disso, segundo o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte).
Parlamentares também questionam o fato de o ministro de Obras Públicas e Transportes, Pedro Castro, ter assessorado a OAS antes de assumir o cargo, além de o contrato isentar a empresa de pagar alguns impostos.
VIAGENS
A OAS recebeu a concessão após viagem de Lula em agosto de 2011, paga pela empreiteira. Naquele momento, a empresa tentava entrar no mercado local, mas a imprensa questionou o papel do ex-presidente nas negociações.
Meses depois, o governo anunciou a concessão. Como a Folha revelou, empreiteiras bancaram viagens para quase metade dos países visitados por Lula depois que ele deixou o Planalto.
O petista declarou que elas servem para "vender" produtos brasileiros no exterior.
"A OAS patrocinou a visita de Lula, o sentou com a presidenta [Laura Chinchilla] e o processo da rodovia se acelerou", disse Nuria Badilla, que fez passeata contra a obra na semana passada.
UNESCO
No Panamá, obra da Odebrecht gera polêmica por estar em área eleita pela Unesco como Patrimônio da Humanidade. Lula visitou parte do projeto em 2011, em viagem bancada pela empresa, e depois teve jantar com o presidente panamenho e o diretor da empreiteira no país.
Vencida pela Odebrecht, a licitação de US$ 777 milhões previa um túnel sob o mar. Após a concorrência, o governo autorizou a construção de um aterro. Com aditivos aprovados, o valor a ser pago até 2016 é de US$ 782 milhões.
Segundo Ramón Arias, advogado que assina pedido de investigação feito pela Sociedade de Engenheiros, a ponte custa menos que o túnel e gera ganho ilegal de US$ 480 milhões para a empreiteira.
"Engenheiros calculam que o custo da obra é de menos de US$ 300 milhões", disse Arias. A Unesco notificou o Panamá, que pode perder o título se não alterar a obra.
OUTRO LADO
Os governos da Costa Rica e do Panamá informaram que preparam estudos para sanar irregularidades encontradas.
A Costa Rica anunciou a retirada do ministro de Transportes, Pedro Castro, da negociação da concessão para a OAS e a suspensão do início das obras. O ministro foi assessor da empreiteira.
Em nota, o governo anunciou ainda ter formado um grupo de engenheiros, arquitetos e professores para "realizar uma auditoria técnica".
Segundo o ministério, "a atualização dos preços foi estudada pela Câmara de Construção". Em 2004, a obra foi avaliada em US$ 197 milhões; hoje, em US$ 524 milhões.
A OAS não respondeu aos questionamentos enviados há duas semanas. O contrato informa que os preços de pedágio foram pesquisados por consultoria internacional e que os valores apresentados pela empresa são "congruentes" com dados do governo.
Carlos Ho, diretor de Projetos Especiais do Ministério de Obras do Panamá, disse que a alteração do projeto de um túnel para uma ponte foi baseada em premissas técnicas. A Odebrecht informou que a concorrência permitia um desenho alternativo.
A opção escolhida pelo Panamá, diz a empresa, é US$ 103 milhões mais econômica. "Os fundos foram destinados para a infraestrutura."
O Instituto Lula informou não ter conhecimento das investigações e que não fará comentários por não ter relação com os contratos.
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