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domingo, 29 de janeiro de 2012

Mudanças na Petrobrás


CELSO MING - O Estado de S.Paulo

A troca na direção da Petrobrás está sendo vendida ao distinto público como manobra do atual presidente, José Sérgio Gabrielli, de modo a melhor se posicionar para concorrer ao posto de governador do Estado da Bahia. Para isso, ele assumirá, avisam, importante secretaria do governo baiano, conduzido hoje por Jaques Wagner.

Se fosse para atender aos objetivos políticos de Gabrielli, seria uma substituição prematura e equivocada. As eleições dos governadores só acontecerão em outubro de 2014 e, se sua saída da Petrobrás fosse para cacifar essa candidatura, Gabrielli perderia notoriedade - o que é essencial para um futuro candidato a cargo de governador. Teria mais exposição pública enquanto presidente da Petrobrás do que à frente de qualquer secretaria do governo da Bahia.

A substituição de Gabrielli pela atual diretora de Gás e Energia da Petrobrás, Maria das Graças Silva Foster, é decisão da presidente Dilma Rousseff. O que ainda não está claro é o plano inteiro do qual essa mudança faz parte.

Aparentemente, a presidente Dilma não está satisfeita nem com as escolhas da atual administração da Petrobrás nem com seus resultados. Em maio, seu governo rejeitara duas vezes o Plano de Negócios 2011-2015 da Petrobrás, alegadamente porque suas metas "não eram realistas".

Os projetos de investimento da Petrobrás estão atrasados e são raros os cronogramas que vêm sendo cumpridos. Em parte, isso está acontecendo porque a empresa não consegue coordenar eficientemente sua cada vez maior rede de fornecedores, hoje defendidos pelas exigências de conteúdo local - cláusula que eleva custos e prejudica o andamento dos investimentos.

Está cada vez mais difícil separar o que é tarefa grande demais - até mesmo para uma empresa do tamanho da Petrobrás - e o que pura e simplesmente resulta da baixa eficiência de uma pesada administração estatal, loteada entre próceres da base política do governo Dilma.

As decisões do novo marco regulatório do petróleo exigem que a Petrobrás integre os consórcios de todas as novas licitações do pré-sal com participação mínima de 30% e que ela seja a empresa operadora em todas elas. Isso significa que todo o programa de licitações tem de esperar até que a Petrobrás esteja em condições de assumir novos contratos de exploração.

Além disso, desde a administração Lula, o governo federal tem exigido que a Petrobrás participe intensamente do setor de geração de energia elétrica; que lidere o segmento produtor de etanol; que execute políticas de boa vizinhança de alto custo com Bolívia, Argentina e Venezuela; e que concorra com seu caixa para a política anti-inflacionária interna, não importando o impacto de todo esse jogo no seu faturamento e na sua capacidade de investir. Enfim, é areia demais para o caminhãozinho da Petrobrás.

Mas não está claro o que a presidente Dilma Rousseff quer mudar em toda essa carga e que poderes terá a nova presidente da Petrobrás, Maria das Graças, para formatá-la a esses planos.

Fonte: Estadão
Charge: Sponholz

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sábado, 21 de maio de 2011

Consumidor sofre


Por João Luiz Mauad

Há cinquenta anos ouço a mesma ladainha: os combustíveis são produtos estratégicos para o desenvolvimento do país e, por isso, devem ser mantidos sob o controle do Estado para que o seu fornecimento não seja interrompido e os seus preços não fiquem à mercê de especuladores e empresários gananciosos. O monopólio – anteriormente de direito e hoje de fato – da Petrobras no setor tem sido mantido, durante todos esses anos, sob a égide desse tipo de argumento.

Embora seja algo muito pouco comum – porque desnecessário - em setores monopolizados, somos "fuzilados" diuturnamente pela propaganda institucional intensiva dos feitos e conquistas daquela que é vista pelo brasileiro comum como a joia da coroa tupiniquim. E ai de quem ousar propor a sua privatização. No mínimo, é tachado de entreguista, vassalo do grande capital etc.

Há poucos anos, ainda durante o último governo Lula, fomos informados de que aquela laboriosa estatal nos havia alçado ao restrito grupo de países autossuficientes em petróleo, com direito a fanfarras, mãos sujas de óleo e muita, muita propaganda. Se dependesse do presidente, deveríamos, inclusive, pleitear o nosso ingresso no cartel da Organização dos Países Exportadores de Petróleo – OPEP.

Malgrado tudo isso, a conta de petróleo e álcool deverá fechar o ano com um déficit de aproximadamente 18 bilhões de dólares, resultado de pesadas importações para satisfazer a crescente demanda interna. E, por mais incrível que isso possa parecer, estamos importando até mesmo etanol – considerado pelos nacionalistas (e ambientalistas) mais entusiasmados o combustível do futuro, capaz, inclusive, de substituir o petróleo.

Se a autossuficiência parece hoje coisa do passado, governo e Petrobras tampouco conseguem manter os preços ao consumidor sequer em patamares razoáveis. Abismado com os atuais preços da gasolina, na casa dos R$ 3,00 por litro nas bombas de todo o País, fui fazer uma breve pesquisa para saber por que pagamos um preço tão mais alto que os nossos vizinhos.

Muita gente acha que a questão se resume aos impostos embutidos no preço de venda. Mas, a bem da verdade, embora eles sejam absurdamente altos, não explicam tudo.

De acordo com informações da Petrobras, o preço da gasolina pura, vendida às distribuidoras na porta das refinarias de todo o Brasil, é de R$1,05/l. Segundo a mesma Petrobras, embora responsável por 3/4 da mistura, o custo da gasolina equivale a 27% do preço final, enquanto o custo do álcool, que responde por apenas 1/4 da mistura, equivale a 21%. O restante são tributos (39%) e margens de distribuidores e postos (13%).




Com efeito, quando o consumidor enche o tanque do seu automóvel com 40 litros de gasolina comum, pagando um total de R$ 120, cerca de R$ 46,80 vão para os cofres dos governos, R$ 15,60 vão para os caixas de postos e distribuidores, R$ 32,40 são o custo da gasolina (75% da mistura) e – notem o absurdo – nada menos que R$ 25,20 correspondem ao custo do álcool (25% da mistura).

Vistos de maneira apressada, os números acima poderiam dar a impressão de que a gasolina fornecida pela Petrobras (responsável por 90% do fornecimento das refinarias) é barata e, por conseguinte, a culpa pela carestia é exclusivamente dos impostos e do álcool. Mas não é bem assim, não.

Realmente, com o barril de petróleo na casa dos US$ 120, o preço praticado pela Petrobras está de acordo com os padrões internacionais e, não por acaso, aquela empresa vem pleiteando aumento já faz algum tempo. No entanto, não podemos esquecer que este preço já vem de longa data – mais precisamente desde junho de 2009.

Para efeito de comparação, de junho de 2009 até dezembro de 2010, o preço da gasolina vendida ao consumidor nos EUA (onde varia de acordo com a cotação internacional do petróleo), variou de US$ 2,50/gl (R$ 1,12/l) a US$ 2,90/gl (R$ 1,30/l). Tomando uma média de US$ 2,80/gl no período, o custo (matéria prima + refino e lucros) médio para os distribuidores americanos foi de US$ 2,05/gl, equivalente a R$ 0,94/l (dólar a R$ 1,75).

Ou seja, durante praticamente um ano e meio, a Petrobras vendeu gasolina pura no Brasil -– cuja octanagem é bem inferior, é bom frisar – por um preço médio 11,7% superior ao do mercado americano. Nos seis meses anteriores, entre dezembro de 2008 e junho de 2009, essa disparidade foi bem maior, pois o preço praticado pela Petrobras foi de R$ 1,10/l, enquanto o preço no mercado americano era ainda menor.

Resumo da ópera: por conta de uma carga tributária absurda, da ineficiência latente de uma empresa estatal e de uma política governamental esdrúxula, chamada Pró-álcool, que só serve para enriquecer usineiros e agradar ambientalistas, o consumidor brasileiro paga um dos preços mais altos do mundo pela gasolina.

Fonte: Midia mais 20/05/11
Charge: Sponholz e G.Passofundo