sábado, 17 de novembro de 2012

Gaza ameaça Jerusalém pela primeira vez


A escalada de violência entre Israel e a faixa de Gaza se expandiu ontem aos arredores de Jerusalém, cidade sede do governo israelense, que, pela primeira vez em duas décadas, acionou seu alerta contra ataques aéreos.

Após mais de 500 ataques em três dias de ofensiva, Israel cogita uma invasão por terra. Ontem o governo autorizou a convocação de até 75 mil soldados da reserva e as principais estradas em torno de Gaza foram fechadas.

Dezesseis mil já receberam o chamado e começaram a se concentrar na divisa com Gaza, no sul. Apesar da preparação, analistas acreditam que Israel não tem interesse numa escalada por terra.

"Israel não vai fazer a paz nem derrubar o Hamas", disse o comentarista político Amnon Abramovitch, sobre o grupo islâmico que controla Gaza. "O objetivo é obter um cessar-fogo prolongado."

Isso pode mudar se Tel Aviv e Jerusalém continuarem na linha de tiro, como nos últimos dois dias. Ontem a grande Tel Aviv voltou a ser alvo de ataque pelo segundo dia seguido. Como na véspera, não houve vítimas.

Segundo a polícia israelense, um foguete disparado de Gaza caiu numa área aberta perto de Gush Etzion, bloco de assentamentos na Cisjordânia ocupada por Israel desde 1967, ao sul de Jerusalém.

Não causou vítimas ou danos e errou por mais de 20 km o Knesset (Parlamento israelense), alvo declarado do Hamas. Mas o foguete quebrou uma barreira psicológica importante ao colocar em alerta o centro de poder israelense.

Foi a primeira vez desde a Guerra do Golfo, em 1991, que o alarme antiaéro soou em Jerusalém. Na época, a cidade foi poupada dos mísseis iraquianos, que tinham na mira a área de Tel Aviv.

Numa demonstração de apoio ao Hamas, o premiê egípcio, Hisham Qandil, visitou a faixa de Gaza e fez fortes críticas à ofensiva israelense, que chamou de "desastre".
Nas três horas da visita, Israel suspendeu os ataques.

A Tunísia anunciou que enviará hoje seu chanceler a Gaza, continuando a caravana de apoio de governos árabes pós-revolucionários.
Enquanto a ofensiva lançada na quarta-feira por Israel contra o Hamas em Gaza se intensifica, assim como a represália palestina, aumentam os temores de que ela repita a guerra de 2008-2009.

Em três dias, a aviação de Israel efetuou mais de 500 ataques em Gaza, a começar pela execução do chefe militar do Hamas, Ahmed Jabari, na quarta. O número de palestinos mortos chegou ontem a 27.

O Exército afirma que a maioria dos alvos é de lançadores de foguetes. A prioridade são os de médio alcance do tipo Fajr, iranianos, que ameaçam Tel Aviv e Jerusalém.
O foguete de ontem foi o primeiro lançado contra Jerusalém desde 1970, quando dois mísseis foram lançados a partir da cidade de Batir.

"Nossa mensagem é curta e simples: não há segurança para nenhum sionista em cada polegada da Palestina, e novas surpresas virão", disse Abu Obeida, porta-voz do braço armado do Hamas.

Israel afirma que restaram poucos foguetes iranianos em poder do Hamas após os ataques recentes, mas o grupo diz que os projéteis recentemente disparados são do tipo M75, fabricados em Gaza.

O fortalecimento do poder de fogo do Hamas e de outros grupos radicais de Gaza nos últimos quatro anos está demonstrado pela potência e quantidade do armamento usado agora. Nos primeiros três dias, cerca de 600 projéteis foram lançados, o equivalente a três semanas da guerra de 2008-2009.

O país voltou a sofrer uma chuva de foguetes, mas quase um terço foi interceptado pelo sistema "Domo de Ferro".

Fonte: Folha

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Testemunha Ocular: Eu Vi o Mensalão Nascer


Sebastião Nery
Tarde de sábado do começo de 2003 no restaurante Piantella, o melhor de Brasília. Lula havia ganho as eleições presidenciais de 2002 contra José Serra e estava em Porto Alegre, com José Dirceu e a cúpula do PT, discutindo com o PT gaúcho a formação do novo governo.
Como fazíamos quase todas as tardes de sextas e sábados, um grupo de jornalistas almoçávamos a um canto, conversando sobre política e o pais.
De repente, entram nervosos, aflitos, os deputados Moreira Franco, Gedel Vieira Lima, Henrique Alves, da direção nacional do PMDB, e começam a discutir baixinho, quase cochichando. Em poucos instantes, chega o deputado Michel Temer, presidente nacional do PMDB. Nem almoçaram. Beberam pouca coisa, deram telefonemas, saíram rápido.
Nada falaram. Acontecera alguma coisa grave. Deviam voltar logo.
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LULA
Só um voltou e contou a bomba política do fim de semana. Antes de viajar para o Rio Grande do Sul, Lula encarregara José Dirceu, coordenador da equipe de transição e já convidado para Chefe da Casa Civil, de negociar com o PMDB o apoio a seu governo, em troca dos ministérios de Minas e Energia, Justiça e Previdência, que seriam entregues a senadores e deputados indicados pelo partido.
Lula já havia dito ao PT que eles não podiam esquecer a lição da derrubada de Collor pelo impeachment, que o senador Amir Lando, do PMDB de Rondonia, relator da CPI de PC Farias, havia definido como uma “quartelada parlamentar”. No Brasil, para governar era preciso ter sempre maioria no Congresso. O PT tinha que fazer as concessões necessárias.
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DIRCEU
O primeiro a ser chamado foi o PMDB, o maior partido da Câmara e do Senado. Lula mandou José Dirceu acertar com o PMDB. Combinaram os três ministérios e ficaram todos felizes. Em Porto Alegre, na primeira noite, Lula encontrou a gula voraz do PT gaúcho, que exigia os ministérios de Minas e Energia, da Justiça e da Previdência. Lula cedeu. Chamou Dirceu e deu ordem para desmanchar o acordo com o PMDB.
Dirceu perguntou como iriam conseguir maioria no Congresso.
- Compra os pequenos partidos, disse Lula a Dirceu. – Fica mais barato.
Dilma virou ministra de Minas e Energia, Tarso Genro da Justiça e Olivio Dutra das Cidades. E assim nasceu o Mensalão.
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O PATRÃO
O advogado do ex-deputado Roberto Jefferson, o brilhante Luiz Francisco Correa Barboza, disse ao Globo:
-“Não só Lula sabia do Mensalão como ordenou toda essa lambança. Não é possível acusar os empregados e deixar o patrão de fora”.
No dia 12 de agosto de 2005, em um pronunciamento, pela TV, a todo o povo brasileiro, Lula pediu “desculpas pelo escândalo”.
Lula é um “cappo”. Os companheiros do partido e governo no banco dos réus e ele, só ele, de fora. Logo ele que é o grande réu, “o réu”.
Dirceu, Roberto Jeferson, Genoino, Delúbio, Silvinho, Marcos Valério, Gushiken, João Paulo Cunha, Valdemar Costa Neto, Professor Luizinho, a malta toda, como disse o Procurador Geral da República, era uma “organização criminosa”, uma “quadrilha” chefiada pelo Dirceu. Mas sob o comando do chefão, Lula.
Quem tinha de estar no banco da frente era ele, “o réu”.
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SUPREMO
Desde 2003, todo ano relembro essa historia. Lula começou dizendo que “não sabia de nada”. Depois, passou para : “Fui traído pelas costas”. E, finalmente, a tese oficial dele e do PT : – “O Mensalão foi uma farsa”.
E Lula arranja ajudantes na desfaçatez para agredir o Supremo. Um gaúcho baixotinho, que ninguém sabe quem era e de onde veio e virou presidente da Câmara dos Deputados, esta semana cuspiu no Supremo:
- “O Mensalão é uma falácia”.
Ele não sabe o que é falácia. Mas cadeia ele sabe. Quando for visitar Dirceu, Genoino, Valério, seus companheiros, na cadeia, vai aprender.
Sebastião Nery é Jornalista
Fonte : Tribuna da Imprensa : terça-feira, 25 de setembro de 2012 e blog do Matosinho

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Enfim Lula diz algo que presta



    É lógico que ele está falando em votar no Serra!

Fonte: http://ruiaith.blogspot.com.br/

O LAMENTO DE UM DINOSSAURO".



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Artigo da Folha de São Paulo,  traz uma reflexão do grande jornalista Mário Chimanovitch que vale também para profissionais de outras áreas, onde ser velho virou sinônimo de estorvo.
  
  “Hoje, tratam o velho como um estorvo. Jornalistas das antigas são desprezados. Para os jovens, tudo está na internet, e lá não há velho chato. Estou sobrando”.

"Como velho jornalista da velha escola, aquela que nos ensinava na unha e nos cascudos de chefias que acatávamos sem chiar, gratos por podermos conviver com nomes cujo simples som nos intimidava, observo que em algum momento algo muito importante se rompeu e ninguém lhe deu a menor importância.

Hoje, por todo lado, apregoa-se que só o novo é bom e todos disputam a honra de serem mais novos do que os demais. Ser velho, nestes tempos estranhos, é ser um estorvo, ser inútil, um dinossauro improvável, movimentando-se num universo de frágeis louças. Eu sou um dinossauro e vivo trombando o grande rabo da minha longa história contra as prateleiras deste mundo asséptico. Acho que estou sobrando. 

Muito se fala, nos discursos eleitoreiros, das bondades que cada campanha sugere a seu candidato, para agradar a nós, os mais velhos. Cada vez que vejo um almofadinha desses abraçando a senhorinha sofrida e prometendo-lhe mundos e fundos, a ira me sobe à cabeça e por pouco não arremesso a bengala que me ampara de encontro ao televisor.

Porque, no fundo, no fundo mesmo, o que todo mundo quer é tirar a nós, os velhos, do caminho e dos cofres da previdência. Somos aquelas criaturas que parecem servir, apenas, para confrontar cada jovem pimpão com sua própria finitude e com o fato de que a única alternativa disponível à morte, por enquanto, é mesmo sobreviver, como der.

E é aqui que a coisa complica. Provavelmente nunca na história se desprezou tanto a experiência e a memória dos mais velhos como nas últimas décadas. Se você, como eu, é um jornalista "das antigas", vale menos que um PC 386, daqueles que um dia pareceram uma enorme inovação e hoje não passam de lixo eletrônico descartável e, como tal, ambientalmente incorreto. 

Eu me sinto ambientalmente incorreto quando tento mostrar o muito que a memória de duas guerras cobertas, alguns prêmios de imprensa e reportagens memoráveis, inutilmente, me ensinou. Desempregado desde 2007, sobrevivendo de cada vez mais raros bicos, sinto que cheguei aos meus limites. A autoestima se esfacela e posso entender porque tantos não resistiram e acabaram sucumbindo ao álcool, às drogas ou, tanto pior, à ideia da própria morte. 

Tolo e romântico que sempre fui, imaginava que essa vivência toda, mais tarde, me permitiria ajudar os mais novos a melhorarem o mundo imperfeito que é o campo de colheita dos bons jornalistas. Ledo engano, porém. Tudo o que a história pode ensinar a um jovem, ao que parece, pode ser encontrado nos meandros da nebulosa da internet. Com a vantagem de que lá não haverá nenhum velho chato para dizer que noutros tempos, no meu tempo, algo era assim ou assado por causa disto ou daquilo.

A informação brotará do tablet, cristalina, fria e desinfetada pelo distanciamento tecnológico. O dedicado repórter, c/o ímpeto de seus jovens anos, vai poder navegar p/escaninhos da memória que me resta, sem precisar me aturar e a minha própria história. Acho que vou ter de procurar emprego de empacotador de caixa de supermercado.

E se um dia algum candidato se aproximar de mim, entre um pé de alface e uma caixa de ovos, agradecerei cada migalha que governos me oferecerem como dádiva. Ao menos assim, talvez, eu tenha alguma utilidade".

MÁRIO CHIMANOVITCH, 67, é jornalista há 44 anos. Repórter investigativo,cobriu conflitos no Oriente Médio, na África e na Amazônia

A condenação do PT

 

Por Marco Antonio Villa

O julgamento do mensalão atingiu duramente o Partido dos Trabalhadores. As revelações acabaram por enterrar definitivamente o figurino construído ao longo de décadas de um partido ético, republicano e defensor dos mais pobres.

Agora é possível entender as razões da sua liderança de tentar, por todos os meios, impedir a realização do julgamento. Não queriam a publicização das práticas criminosas, das reuniões clandestinas, algumas delas ocorridas no interior do próprio Palácio do Planalto, caso único na história brasileira.

Muito distante das pesquisas acadêmicas — instrumentalizadas por petistas — e, portanto, mais próximos da realidade, os ministros do STF acertaram na mosca ao definir a liderança petista, em 2005, como uma sofisticada organização criminosa e que, no entender do ministro Joaquim Barbosa, tinha como chefe José Dirceu, ex-presidente do PT e ministro da Casa Civil de Lula.

Segundo o ministro Celso de Mello: “Este processo criminal revela a face sombria daqueles que, no controle do aparelho de Estado, transformaram a cultura da transgressão em prática ordinária e desonesta de poder.” E concluiu: “É macrodelinquência governamental.” O presidente Ayres Brito foi direto: “É continuísmo governamental. É golpe.”

O julgamento do mensalão desnudou o PT, daí o ódio dos seus fanáticos militantes com a Suprema Corte e, principalmente, contra o que eles consideram os “ministros traidores”, isto é, aqueles que julgaram segundo os autos do processo e não de acordo com as determinações emanadas da direção partidária.

Como estão acostumados a lotear as funções públicas, até hoje não entenderam o significado da
 existência de três poderes independentes e, mais ainda, o que é ser ministro do STF.
Para eles, especialmente Lula, ministro da Suprema Corte é cargo de confiança, como os milhares criados pelo partido desde 2003. Daí que já começaram a fazer campanha para que os próximos nomeados, a começar do substituto de Ayres Brito, sejam somente aqueles de absoluta confiança do PT, uma espécie de ministro companheiro. E assim, sucessivamente, até conseguirem ter um STF absolutamente sob controle partidário.

A recepção da liderança às condenações demonstra como os petistas têm uma enorme dificuldade de conviver com a democracia.
Primeiramente, logo após a eclosão do escândalo, Lula pediu desculpas em pronunciamento por rede nacional. No final do governo mudou de opinião: iria investigar o que aconteceu, sem explicar como e com quais instrumentos, pois seria um ex-presidente.

Em 2011 apresentou uma terceira explicação: tudo era uma farsa, não tinha existido o mensalão. Agora apresentou uma quarta versão: disse que foi absolvido pelas urnas — um ato falho, registre-se, pois não eram um dos réus do processo. Ao associar uma simples eleição com um julgamento demonstrou mais uma vez o seu desconhecimento do funcionamento das instituições — registre-se que, em todas estas versões, Lula sempre contou com o beneplácito dos intelectuais chapas-brancas para ecoar sua fala.

As lideranças condenadas pelo STF insistem em dizer que o partido tem que manter seu projeto estratégico. Qual? O socialismo foi abandonado e faz muito tempo. A retórica anticapitalista é reservada para os bate-papos nostálgicos de suas velhas lideranças, assim como fazem parte do passado o uso das indefectíveis bolsas de couro, as sandálias, as roupas desalinhadas e a barba por fazer.

A única revolução petista foi na aparência das suas lideranças. O look guevarista foi abandonado. Ficou reservado somente à base partidária. A direção, como eles próprios diriam em 1980, “se aburguesou”. Vestem roupas caras, fizeram plásticas, aplicam botox a três por quatro. Só frequentam restaurantes caros e a cachaça foi substituída pelo uísque e o vinho, sempre importados, claro.
O único projeto da aristocracia petista — conservadora, oportunista e reacionária — é de se perpetuar no poder. Para isso precisa contar com uma sociedade civil amorfa, invertebrada. Não é acidental que passaram a falar em controle social da imprensa e... do Judiciário. Sabem que a imprensa e o Judiciário acabaram se tornando, mesmo sem o querer, nos maiores obstáculos à ditadura de novo tipo que almejam criar, dada ausência de uma oposição político-partidária.

A estratégia petista conta com o apoio do que há de pior no Brasil. É uma associação entre políticos corruptos, empresários inescrupulosos e oportunistas de todos os tipos. O que os une é o desejo de saquear o Estado.

O PT acabou virando o instrumento de uma burguesia predatória, que sobrevive graças às benesses do Estado. De uma burguesia corrupta que, no fundo, odeia o capitalismo e a concorrência. E que encontrou no partido — depois de um século de desencontros, namorando os militares e setores políticos ultraconservadores — o melhor instrumento para a manutenção e expansão dos seus interesses. Não deram nenhum passo atrás na defesa dos seus interesses de classe. Ficaram onde sempre estiveram. Quem se movimentou em direção a eles foi o PT.

Vivemos uma quadra muito difícil. Remar contra a corrente não é tarefa das mais fáceis. As hordas governistas estão sempre prontas para calar seus adversários.

Mas as decisões do STF dão um alento, uma esperança, de que é possível imaginar uma república em que os valores predominantes não sejam o da malandragem e da corrupção, onde o desrespeito à coisa pública é uma espécie de lema governamental e a mala recheada de dinheiro roubado do Erário tenha se transformado em símbolo nacional.

Marco Antonio Villa é historiador e professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos 

Charge: Sponholz

sábado, 13 de outubro de 2012

Não foi aluno de Sobral Pinto


                      
Ricardo Lewandowski não foi aluno de Sobral Pinto, em Direito Penal. Tivesse sido e não contestaria a teoria do Domínio do Fato, que desde o século passado é amplamente reconhecida e aprimorada por luminares europeus. Por ela, não é preciso apertar o gatilho nem haver guerra para se responsabilizar e condenar participantes de crimes que não executaram fisicamente. Basta que tenham estado envolvidos, seja como mandantes, formuladores ou facilitadores.

 Devia ter estudado mais…

Por que se fala de Sobral Pinto? Porque antes dos doutos juristas alemães e ingleses, o mestre já havia formulado a teoria do Domínio do Fato, por meio de uma experiência notável que contava aos seus alunos.

Ainda moço, já era respeitado no país inteiro como um dos maiores advogados de júri. Não atuava apenas no Rio, porque requisitado em dezenas de cidades do interior, sempre que havia um daqueles crimes célebres onde o assassino só podia esperar um milagre da defesa para livrar-se da cadeia.

Num município do Vale do Paraíba havia sido morto à bala um prefeito muito popular e sido denunciado um pistoleiro conhecido pela sua eficiência. Contrataram Sobral para defendê-lo e ele acentuava ter sido aquela sua maior performance. Conseguiu testemunhas de que o pistoleiro encontrava-se em outra cidade e foi tão brilhante que ao final da tréplica viu-se aplaudido de pé pela assistência e até por alguns jurados. Dava como certa a absolvição do réu quando, para sua surpresa, por unanimidade o júri veio a condená-lo.

Arrasado, foi esperar o ônibus para voltar ao Rio. Num botequim, verificou estarem os jurados tomando café. Reconhecido, viu-se cercado pelos maiores elogios, ouvindo que a cidade pensava em inaugurar sua fotografia no prédio do Foro. Não se conteve e indagou: “Mas se eu fui tão bem assim, como vocês condenaram meu cliente?”

E veio a resposta, acima e além de argumentações jurídicas, alfarrábios e lições de Direito: “Doutor,  matar daquele jeito,  com um tiro certinho, bem no meio na testa, como já havia feito outras vezes,  só mesmo o seu cliente…”

Tratou-se de uma lição de sabedoria popular e, guardadas as proporções, de Domínio do Fato. Mesmo sob a alegação de não estar na cidade no dia do crime, só podia ter sido seu cliente o assassino. Ou não havia deixado a sua marca?

Como absolver José Dirceu se ele era o manda-chuva do governo Lula, coordenador político e dono de todas as decisões adotadas no palácio do Planalto? Só podia ter sido mesmo o então chefe da Casa Civil a comandar a quadrilha e a gerir o mensalão, ainda que nenhuma prova constasse dos autos…



Fonte: Contraovento

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O Assessor e Carregador de Malas do réu do Mensalão tinha autorização para sacar dinheiro da conta de Valério no Banco Rural

Esta semana José Dirceu começa a ser julgado no Supremo, cumpre lembrar uma reportagem da VEJA publicada no dia 3 de agosto de 2005. Sabem quem tinha uma autorização para sacar dinheiro da conta de Marcos Valério no Banco Rural?

 Um senhor chamado Bob Marques. E quem era Bob Marques? Assessor direto de José Dirceu e, literalmente, seu carregador de malas. O tal saque, descobriu-se depois, acabou sendo feito por outra pessoa. Naquele caso ao menos, o Bob não fez uso do tal documento.

 Mas tinha, sim, a autorização, o que era certamente uma coincidência… Alguém deve ter cometido um erro e, sem querer, acabou emitindo a autorização em nome do assessor de Dirceu, acertando em cheio até o número de seu documento! Há coincidências que só acontecem com petistas

Leiam a reportagem, intitulada “Aonde Dirceu vai, o Bob vai atrás”. O assessor recorreu à Justiça para receber da VEJA R$ 100 mil de indenização por danos morais. O pedido foi negado pelo juiz Manoel Luiz Ribeiro, da 3ª Vara Cível do Foro Regional de Pinheiros, na capital paulista
Não foi só o depoimento de Renilda Santiago que colocou o ex-ministro José Dirceu no epicentro do escândalo do mensalão. Um documento, apreendido pela Polícia Federal na agência do Banco Rural em Belo Horizonte, revela que, entre as pessoas autorizadas a sacar dinheiro das contas do publicitário Marcos Valério, estava um dos principais ajudantes de Dirceu, Roberto Marques, conhecido como “Bob”, que cuida da agenda e das contas do ex-chefe da Casa Civil.

A descoberta surpreendeu a bancada petista na CPI dos Correios e provocou frisson entre os oposicionistas, que vêem no documento em poder da comissão o mais forte indício até agora da ligação de Dirceu com o esquema irregular de arrecadação de fundos. O documento, um fax com papel timbrado do Banco Rural, foi enviado à agência de São Paulo no dia 15 de junho do ano passado. Nele, um funcionário da agência mineira encaminha ao colega da Avenida Paulista uma autorização para o “sr. Roberto Marques receber a quantia de 50.000, referente ao cheque 414270, da empresa SMPB Comunicação”.

Os membros da CPI já sabem que, apesar da autorização dada ao ajudante de Dirceu, o saque foi feito no dia seguinte por Luiz Carlos Mazano, contador da corretora Bonus-Banval, que também estava autorizado a realizá-lo. A corretora informou que realmente tem um funcionário com esse nome, mas que o saque teria sido feito por um homônimo. O advogado da corretora, Antônio Sérgio Pitombo, vê armação. “Quando se associa o homônimo à corretora, o que se quer é agir de má-fé e desviar o foco das investigações da CPI”, diz.

Não é a primeira vez que o nome da Bonus-Banval aparece na investigação do escândalo do mensalão. Em Brasília, as investigações identificaram saques no valor de 225.000 reais cujo autor é Benoni Nascimento de Moura, funcionário da Banval. A corretora diz que está realizando uma auditoria interna para descobrir se houve alguma irregularidade cometida pelo funcionário Benoni. Quanto a Roberto Marques, a Bonus-Banval diz que não conhece nem nunca ouviu falar do ajudante de Dirceu. Pouco se sabe ainda sobre as atividades da corretora paulista, exceto que ela empregou até o fim do ano passado como estagiária Michele Janene, filha do deputado José Janene, suspeito de ser um dos chefes do mensalão. Talvez um bônus do tipo banval.

O aparecimento de Roberto Marques deve pautar os debates da CPI dos Correios, que vai ouvir nesta semana a diretora financeira da SMPB, Simone Vasconcelos. Bob é uma espécie de secretário particular de Dirceu. Faz as vezes de motorista, de despachante e de carregador de bagagem. Funcionário da Assembléia Legislativa de São Paulo, ninguém sabe direito o que ele é realmente – só que está sempre na companhia de Dirceu. Em muitas ocasiões, foi visto circulando por gabinetes do Palácio do Planalto. Em março deste ano, Bob, sob o comando de Dirceu, foi um dos mais ativos operadores na campanha para a presidência da Assembléia Legislativa de São Paulo.

A parceria entre Bob e Dirceu é tão intensa que o assessor chegou a representar oficialmente o então ministro da Casa Civil em solenidades, como a organizada pela Associação para Prevenção e Tratamento da Aids, realizada em 2003, em São Paulo. “Sou amigo do Zé há vinte anos. Faço companhia a ele nos fins de semana e ajudo no que for possível”, afirma Bob. Dinheiro de Valério? Ele garante que nada tem a ver com isso.

 É, segundo ele, coincidência ou armação. “Só em São Paulo existem 5.000 pessoas com o mesmo nome”, diz o amigo-secretário de Dirceu. “Nunca estive no Rural, não saquei dinheiro nenhum e se usaram meu nome foi indevidamente”, garante ele. O problema é que a CPI resolveu investigar e descobriu que a autorização foi, sim, dada ao assessor legislativo, embora ele não tenha sido o autor do saque. “Só pode ser então uma armação para complicar a vida do Zé Dirceu”, afirma. Esse Bob é mesmo esponja.

Acima, a autorização para o faz-tudo de Dirceu sacar R$ 50 mil da conta de Valério no Banco Rural. Quanta coincidência!!!

 A confirmação de que o Roberto Marques do documento do Rural é o mesmo Bob ajudante de Dirceu foi dada a VEJA na última sexta-feira pelo deputado Carlos Abicalil, do PT de Mato Grosso. Sub-relator da CPI dos Correios, o parlamentar contou que foi procurado pelo próprio Marques na semana retrasada para tentar esclarecer o aparecimento de seu nome nos documentos contábeis do Banco Rural. Segundo o deputado, o assessor repassou o número de sua identidade e de seu CPF, para que ele pudesse conferir com os documentos em poder da CPI.

 O resultado da pesquisa, nas palavras do próprio deputado, foi o seguinte: “O número do RG conferia. Só não conferia o saque”, diz. Dirceu sabia que o documento com o nome do ajudante apareceria cedo ou tarde. O próprio Roberto Marques contou ter conversado com o ex-ministro sobre o assunto muito antes de surgirem os rumores de que o papel existia. “Eu disse que não tinha nada a ver com isso.” Desde o início da semana passada, Dirceu procurava insistentemente falar com o presidente da CPI, o senador Delcidio Amaral.

 Na terça-feira, Delcidio foi à casa do ex-ministro, onde passou meia hora. Os dois tiveram uma conversa dura, segundo relatos ouvidos por membros da CPI. Oficialmente, discutiram sobre o andamento dos trabalhos da comissão. O ex-ministro demonstrou grande preocupação com a velocidade da investigação e, principalmente, com o vazamento de documentos – um estranho incômodo para quem, em tese, nada tem a ver com o assunto.

Dirceu também defendeu que seu depoimento era desnecessário. Por fim, fez uma proposta indecorosa ao presidente da CPI. Sugeriu a Delcidio que barganhasse seu depoimento em troca da não-convocação do presidente do PSDB, Eduardo Azeredo, cujo nome também apareceu como beneficiário do dinheiro de Marcos Valério. Delcidio desconversou

. Outros parlamentares afirmam que Dirceu queria sumir ainda com a autorização de saque para Bob, sob a alegação de que era um papel avulso, sem validade jurídica. Sobre o aparecimento do nome de seu secretário particular, ajudante, amigo e, agora se sabe, pau para toda a obra, Dirceu mandou dizer que tudo indica tratar-se de uma “plantação” para prejudicá-lo. A convocação do ex-ministro para a CPI deverá ser aprovada nesta semana.

 Por Reinaldo Azevedo

O que pensa a classe média?


Os Estados Unidos não são mais aqueles. Seja qual for a solução que venha a ser dada à questão da dívida pública, o fato é que a América expôs as suas vulnerabilidades ao mundo. Ao menos na minha geração, ninguém esperava vir a assistir ao fim da supremacia do dólar.

O século passado é apontado pelos historiadores como o “século americano”. Nos anos 70 e 80 as pessoas guardavam dólares em casa. Era uma reserva de valor. “In God we trust” (“Em Deus confiamos”) vem inscrito nas cédulas verdes. E nós – independentemente da crença no Todo-Poderoso – botávamos alguma fé também no dólar…

Hoje os EUA ameaçam uma moratória e as cotações da sua moeda estão despencando. Algo impensável poucos anos atrás. A Europa também vai mal e, com isso, a civilização ocidental fica sem referências. O século 21 promete ser dos Brics, que, com exceção da Rússia, são as únicas grandes economias que continuam crescendo (China, Índia, África do Sul e Brasil). E é a respeito do nosso país que falaremos agora.

O lulopetismo ficou encantado ao perceber, já no seu segundo mandato, que os ventos sopravam a favor do Brasil. Os preços das nossas commodities (ferro e soja, principalmente) subiram nos mercados internacionais e, assim, escapamos com poucos danos da crise financeira. Além disso, foram encontradas grandes jazidas de petróleo. Mesmo que porventura elas venham a mostrar-se economicamente inviáveis, serviram, ao menos, para criar uma grande expectativa em relação ao Brasil e aos brasileiros.

O grande líder descobriu, maravilhado, que a classe média havia crescido em tamanho e poder aquisitivo. Nosso estadista-operário tratou, então, de atribuir o fenômeno ao seu governo. “Isso foi possível graças às nossas políticas sociais”, cantam seus acólitos. “Foi tudo obra nossa”. O andor tem de ser carregado com mais apuro. Efeitos não devem passar por causas. Não é porque tudo isso ocorreu durante a gestão petista que lhe caberiam todos os louros. Aliás, o único mérito que reconhecidamente lhe cabe, no campo econômico, é o de não ter interrompido o que já estava sendo feito.

A tão alardeada “nova classe média” é composta de pessoas que, com certeza, não são clientes do Bolsa-Família, nem de nenhum outro eventual mecanismo de transferência de renda. É mais provável que tenham emergido socialmente porque a inflação acabou. Garantida a estabilidade econômica, a oferta de crédito aumentou e mais gente pôde ter acesso a ele.

Quanto às jazidas de petróleo, apesar do alarido, há que considerar que não foram descobertas pelos petistas, mas durante o governo deles. A mais de 7 mil metros de profundidade, não há nenhuma certeza quanto à viabilidade econômica de sua extração. Nem sequer existe tecnologia para tanto, vale ressaltar.
A bem da verdade, a estabilidade não se deve tão somente ao Plano Real.

O problema é que as finanças públicas estavam desarrumadas, os poderes públicos – federal, estaduais e municipais – vinham gastando muito mais do que arrecadavam. Endividavam-se todos além do razoável e se cultivava o mau hábito de repassar tais passivos aos novos governantes. “O dever acima de tudo!”, bradavam prefeitos e governadores. E como a inflação era alta, ela se encarregava de mascarar todo o processo. Para estancar de vez a sangria inflacionária não bastava um engenhoso plano econômico. Isso ficou evidente com o fracasso de todos os planos anteriores. O fim da constante elevação dos preços restabeleceu a verdade dos fatos: o problema estava no setor público.

O governo federal acabou com o déficit da União. E assumiu para si as dívidas dos Estados e municípios. Todos, a partir dali, poderiam recomeçar do zero. E para evitar que eles voltassem a se endividar foi criada a Lei de Responsabilidade Fiscal. Algo assim como o preceito popular “aqui se faz, aqui se paga”. Governadores e prefeitos não mais poderiam assumir dívidas que não pudessem quitar durante sua gestão.
Vários setores da economia, antes em poder do Estado, foram privatizados.

 Nos anos 90, bem me recordo, não havia linhas telefônicas disponíveis. Aqui, em São Paulo, a empresa estatal de telefonia vendia novas linhas para entrega num futuro incerto. O jeito era alugar as já existentes. Celulares já existiam, mas custavam caro e não completavam as ligações, davam sempre sinal de ocupado.

Não dá para afirmar que as gestões tucanas tenham sido 100% virtuosas. Havia quase tantos escândalos como agora. Mas tiveram a visão correta dos males de que padecia o País e a coragem de fazer as reformas necessárias. O custo político foi alto. Como a economia não crescia, a popularidade do governo também não. Aos petistas, que chegaram ao poder depois, coube apenas colher os resultados. Restou aos social-democratas a oposição.

Quanto à “nova classe média”, o governo acaba de encomendar pesquisa para aprender a lidar com ela. A classe média, no Brasil, já é maioria. Ela possui casa, carro e computador. E não é tola. Troca informações pela internet. Qual a mensagem que a sensibiliza? Talvez a do “espírito de fronteira”. A cultura do desafio. Algo que no passado entusiasmava os americanos e agora não existe mais. É triste. A História nos ensina que a decadência dos impérios começa onde as virtudes de seus povos terminam.

O que distingue um sonhador de um realizador é que este cuida de transformar os próprios sonhos em realidade. E, para tanto sabem que é preciso dedicar muito esforço, talento e empenho. A educação também entra nessa lista. E a “nova classe média” não espera pelas dádivas de ninguém. Ela própria financia seus estudos. Seus membros têm consciência de que ninguém lhes dará nada sem lhes exigir alguma coisa. Eles têm o sagrado direito de buscar a felicidade. E já o fazem. Mas à sua maneira.

Fonte: Estadão - 
Publicado por João Mellão Neto Em 02 Aug 2011
Charge: Junião

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O PT na hora do lobo - FERNANDO GABEIRA


Ex-petista, Fernando Gabeira tem sido um dos mais ácidos críticos do partido e diz que a agremiação vive sua “hora do lobo”. Um momento de crise existencial, de uma sigla que decidiu se comportar com o marido infiel de Nelson Rodrigues, negando sempre as evidências. Leia:


O ESTADÃO - 28/09
A Hora do Lobo é um filme de Ingmar Bergman. Os antigos a chamavam assim porque é a hora em que a maioria das pessoas morre... e a maioria nasce. Nessa hora os pesadelos nos invadem, como o fizeram com o personagem Johan Borg, interpretado por Max von Sydow.

Como projeto destinado a mudar a cultura política do País,o PT fracassou no início de 2003. Para mim, que desejava uma trajetória renovadora, o PT sobrevive como um fósforo frio. Entretanto, na realidade, é uma força indiscutível. Detém o poder central, ocupou a máquina do Estado, criou um razoável aparato de propaganda e parece que o dinheiro chove em sua horta com a regularidade das chuvas vespertinas na floresta amazônica. Mas o PT está diante de um novo momento que poderia levá-lo a uma crise existencial, como o personagem de Bergman, atormentado pelos pesadelos. Pode também empurrá-lo mais ainda para o pragmatismo que cavou o abismo entre as propostas do passado e a realidade do presente.

O PT sempre usou duas táticas combinadas para enfrentar as denúncias de corrupção. A primeira é enfatizar seu objetivo: uma política social que distribui renda e reduz as grandes desigualdades nacionais. Diante dessa equação que enfatiza os fins e relativiza os meios, alguns quadros chegam a desprezar as críticas, atribuindo-as às obsessões da classe média, etiquetando- as como um comportamento da velha UDN, partido marcado pela oposição a Getúlio Vargas e pela proximidade com o golpe que derrubou João Goulart. A segunda é criar uma versão corrigida para os fatos negativos, certo de que a opinião pública ficará perdida na guerra de versões. Esta tática é a que enfatiza o desprezo da política moderna pelas evidências, como se o confronto fosse uma guerra em que a verdade é vitimada por ambos os lados.

Acontece que essa fuga das evidências encontra seu teste máximo no julgamento do mensalão. O ministro Joaquim Barbosa apresenta as acusações com grande riqueza de detalhes. As teses corrigidas foram sendo atropeladas pelos fatos. Não era dinheiro público? Ficou claro que sim, era dinheiro público circulando no mensalão. Ninguém comprou ninguém, eram apenas empréstimos entre aliados. Teses que se tornam risíveis diante da origem e do volume do dinheiro. O PT salvando o PP de José Janene, Pedro Correa e Pedro Henry da fúria dos credores?

O relatório de Joaquim Barbosa apresenta o mensalão como uma evidência reconhecida pela maioria do Supremo, dos órgãos de comunicação e dos brasileiros. Como ficará a tática do PT diante dessa realidade? Negar a evidência? É um tipo de reação que, mesmo em tempo de prosperidade econômica, não funciona quando os fatos são inequívocos.

Ao longo de minhas viagens observei que o mensalão não havia afetado as eleições municipais. Mas o processo está em curso. Algumas cidades já estão afetadas, como São Paulo e Curitiba. Nesta ocorre algo bastante irônico: o candidato Gustavo Fruet (PDT) é acusado de ter o apoio do PT e por isso perde votos. Fruet foi um dos deputados que investigaram o mensalão na CPI dos Correios.

A reação do PT diante da possível condenação de seus líderes vai ser decisiva. Encontrará forças para reconhecer seu erro, aceitar o julgamento do STF e iniciar um processo de autocrítica? Tudo indica que não. A teoria conspiratória domina suas declarações. O mensalão foi uma invenção da mídia golpista, dizem alguns. Na nota dos partidos aliados, que deviam ser chamados de partidos submissos, acusa-se uma manobra da oposição, como se tudo isso tivesse sido construído por ela, que descansa em berço esplêndido.

Numa entrevista raivosa, um dos réus, Paulo Rocha (PT-PA), alega que as denúncias do mensalão ocorrem porque Lula abriu o mercado brasileiro aos países árabes. A tese conspiratória é tão clássica que os judeus não poderiam ser esquecidos

O ex-presidente Lula parece viver realmente a hora do lobo.Percorre o Brasil atacando adversários e diz que, tal como venceu o câncer, vai derrotar os candidatos de oposição. Se o ressentimento e o rancor brotam com tanta facilidade dos lábios do líder máximo, o que esperar do exército virtual de combatentes pagos para atirar pedras?

Este é um momento crítico na história do PT. Deve contestar estas evidências com a mesma eloquência com que contestou outras. Mas as de agora são transmitidas ao vivo, foram submetidas ao exame de ministros do Supremo, estão coalhadas de fatos, depoimentos, provas.

Ao contestar as evidências o PT não inventa um caminho. Paulo Maluf foi acusado durante anos de desviar dinheiro para o exterior e sempre negou. A condenação e a eventual prisão de líderes não afastam o PT do poder, mas transformam o encontro nos jardins da casa de Maluf em algo mais que uma simples oportunidade fotográfica. O PT não só verteu milhões para os caixas do partido Maluf, como aceitará a tática malufista de negar as evidências, mesmo quando são esmagadoras.

Em defesa de Maluf pode-se dizer que ele nunca prometeu a renovação ética da política brasileira.Usa apenas um mesmo e fiel assessor de imprensa para rebater críticas nos espaços de cartas de leitores. Descendente de árabes, Maluf jamais, ao que me consta, culpou uma conspiração sionista por sua desgraça. Sempre foi o Maluf apenas,sem maiores mistificações.

Montado numa máquina publicitária, apoiado por uma miríade de intelectuais, orientado por competentes marqueteiros, o PT viverá em escala partidária a aventura individual de Maluf: negar as evidências. Até o momento nada indica que assumirá a realidade. Seu caminho deve ser negar, negar,como o marido infiel nas peças de Nelson Rodrigues - por sinal, o inventor da expressão "óbvio ululante".

O mensalão não é um cadáver no armário, invenção de opositores ou da imprensa. Nasceu, cresceu e implodiu nas entranhas do governo. É difícil sentar se em cima dos fatos. Ele são como uma baioneta: espetam.

Fonte: Estadão e comentário de brasil247

Joaquim insinua que Marco Aurélio não precisou estudar para ser ministro

Relator do processo do mensalão, o ministro Joaquim Barbosa rebateu as críticas do ministro Marco Aurélio, que questionou em duas ocasiões, a futura gestão do relator à frente da Suprema Corte. Barbosa, que assumirá o comando do Supremo Tribunal Federal em novembro, chegou a procurar o presidente, Carlos Ayres Britto, para reclamar das declarações do colega. "Quem esse cara [Marco Aurélio] pensa que é?", perguntou. Marco Aurélio interveio na defesa do revisor, Ricardo Lewandowiski, durante o julgamento do mensalão, e pediu a Barbosa que "policie sua linguagem".

Pouco antes do início da sessão, Marco Aurélio indagou a jornalistas se Barbosa terá condições de comandar a mais alta corte do país com seu temperamento forte. "Como é que ele (Barbosa) vai coordenar o tribunal? Como vai se relacionar com os demais órgãos e demais poderes?"

O relator do processo do mensalão, em resposta divulgada mo jornal O Globo, insinuou que Marco Aurélio não tinha estudado o suficiente para chegar ao cargo, mas se valido do parentesco com o ex-presidente Fernando Collor, que o nomeou. "Ao contrário de quem me ofende momentaneamente, devo toda a minha ascensão profissional a estudos aprofundados, à submissão múltipla a inúmeros e diversificados métodos de avaliação acadêmica e profissional. Jamais me vali ou tirei proveito de relações de natureza familiar".

Barbosa afirmou também que Marco Aurélio costuma ser um problema para todos os presidentes do STF. E ressaltou que obedece às regras de convivência aprendidas não apenas nos livros, mas na vida.


Fonte: Claudio Humberto 28/09/12

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Perigo! Lula quer agir para evitar a prisão de mensaleiros


Manchete da página 11 do primeiro caderno do jornal Valor, edição de hoje: “Lula discute saída para evitar prisão de petistas”.

Diz a notícia no seu primeiro parágrafo:

- O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está o comando das articulações políticas e jurídicas para tentar salvar da prisão os acusados de montar o esquema do mensalão. Lula e a cúpula do PT avaliam que já não há mais o que fazer para evitar a condenação dos réus.

Assustei-me.

O julgamento do mensalão ainda não chegou à metade.

O destino dos réus depende exclusivamente do voto dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Haverá condenados e inocentes. E por fim os ministros fixarão a pena dos condenados.

O que Lula poderá fazer para evitar que os condenados cumpram pena caso os ministros assim decidam?

Os advogados sabem que medidas legais lhes restarão para livrar seus clientes da cadeia. Para isso não precisam da ajuda de Lula.

Então Lula só poderá ajudar os advogados se atravessar a fronteira da legalidade.

Como seria isso?

Pressionando os ministros do Supremo para que façam o que ele quer.

Ou pressionando Dilma para que ela pressione os ministros do Supremo.

Ou pressionando amigos dos ministros do Supremo para que os pressionem.

Onde fica o respeito à Justiça? À independência dos poderes? À própria democracia.

Mantido o respeito, simplesmente Lula nada terá a fazer para evitar que eventuais condenados sejam presos.

É por isso que a notícia do jornal assusta.

Lula foi protagonista de um escândalo dentro do outro.

Para tentar adiar o julgamento do mensalão, ele cabalou votos de ministros, sugeriu ao ministro Gilmar Mendes que ele poderia ter problemas com a CPI do Cachoeira e se ofereceu para livrá-lo de maiores embaraços.

Quanta afoiteza!

Gilmar subiu nas tamancas e contou o que ouvira de Lula.

O ex-presidente é conhecido por mandar às favas todos os escrúpulos quando quer alcançar seus objetivos.

Daí o perigo que representa em certas ocasiões.

Fonte:Blog contraovento e do Noblat.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Lula pede a cabeça de Mantega culpando-o por traição na guerra de Dilma contra ex-presidente da Petrobrás


Por Jorge Serrão

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, teve sua cabeça pedida por ninguém menos que seu padrinho Luiz Inácio Lula da Silva. A Presidenta Dilma Rousseff voltou a ficar chateada com o ex-Presidente por causa de mais esta tentativa de interferência direta e indevida em seu governo. A sempre tensa relação pessoal entre ambos não ficou estremecida e nem há sinais de rompimento. O risco é o quanto a intriga pode custar para os negócios petistas.

Nos bastidores, não se tem certeza do motivo concreto da bronca de Lula contra Mantega. Acredita-se que o desgaste faça parte da guerra intestina contra o ex-presidente da Petrobrás José Sérgio Gabrielli (parceirão de Lula). A briga é movida por Dilma, Maria das Graças Foster e conta com o apoio de Mantega – que preside o Conselho de Administração da petrolífera estatal de economia mista. O pedido de Lula para detonar Mantega aconteceu na última quinta-feira.

A petralhada até produziu uma versão light e fantasiosa para o descontentamento de Lula com Mantega. O ex-presidente estaria descontente com a política econômica em vigor. Segundo reclamação de Lula a amigos e aliados próximos, as medidas do ministro da Fazenda estariam desgastando a imagem do governo e prejudicando a campanha dos candidatos petistas – principalmente aqueles apoiados pessoalmente por Lula.

Aliados próximos de Dilma já enxergam o movimento de Lula contra Mantega como um perigoso ato de destempero emocional do ex-Presidente. Mantega não é só o condutor principal da perigosa política econômica em vigor (na verdade, uma herança maldita deixada pela equipe de Lula e que agora começa a fazer outros problemas virem à tona, como o câmbio flutuando de mentirinha, o aumento do endividamento das famílias e a consequente inadimplência, junto com a dificuldade de crédito promovida pelos bancos e na contramão da propaganda oficial).

Mantega é, principalmente, o grande condutor dos negócios petistas dentro do governo. Se Lula perdeu a confiança no ministro da Fazenda que indicou pessoalmente, algo muito grave pode ter acontecido. Há quem atribua o destempero de Lula a dois motivos. Primeiro, sua oscilante situação de saúde (que é excelente no discurso médico, mas não tão perfeita assim nas fotos em que o ex-presidente aparece com o rosto bem inchado e acima do peso). O outro motivo é a pressão gerada pelo inesperado resultado, até agora, do julgamento do mensalão, em que até ministros do STF considerados aliados do governo já votam para detonar os petistas réus no esquema de corrupção que, milagrosamente, poupou Lula até agora.

Se Mantega for derrubado, o esquema petralha pode desmoronar junto com ele. Na mídia amestrada tupiniquim, nada ainda é falado sobre tal briga intestina do PT. Mas, na imprensa Argentina, onde se acompanha com cuidado tudo de grave que acontece no Brasil e pode repercutir negativamente por lá, já se fala no desgaste e na saída de Mantega se problemas econômicos se aprofundarem. Até o final do ano, certamente depois do resultado eleitoral, a equipe econômica de Dilma terá de tomar uma desgastante decisão sobre o aumento dos combustíveis, para dar uma aliviada nos impensáveis prejuízos da Petrobrás.

Os problemas na empresa são a herança maldida deixada por José Sérgio Gabrielli – homem de alta confiança de Lula e que foi tirado da presidência da Petrobrás por Dilma inteiramente contra a vontade do ex-Presidente. A temperatura do inferno petista deve subir no próximo dia 11 de setembro, quando a presidenta da Petrobrás, Maria das Graças Foster, comparecerá à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, para esclarecer os motivos dos surpreendentes prejuízos na companhia. O medo entre a turma de Lula é que Graça desgaste ainda mais a imagem queimada de Gabrielli.

Graça tem poder porque, além de amiga pessoal e protegida de Dilma Rousseff, também é pessoa de confiança da oligarquia financeira globalitária que detém ações da Petrobrás e não quer saber de prejuízos no negócio. Graça tem prestígio por influência direta de seu marido Colin Foster, que é alto dirigente da Loja Maçônica Unida da Inglaterra, cujos principais integrantes são dirigentes das maiores transnacionais que controlam o mundo a partir da City de Londres.

Lula agora corre grande perigo por afrontar tal poder que ajudou a sustentá-lo no governo, mesmo nos momentos mais críticos do vazamento de diversos escândalos de corrupção. Se Lula derrubar Mantega, para salvar seu aliado Gabrielli, pode estar cometendo o que se chama, tecnicamente, na gíria chula, de “Arakiri baiano”. Ou "tiro-no-pé" (para doer menos...).

Fonre: Alerta Total 03/09/12

sábado, 1 de setembro de 2012

O SEGREDO DO CONTRABANDO OFICIAL DO NIÓBIO


Por: Mário Assis Causanilhas

Cada vez mais , no dia-a-dia, o tema é abordado em reportagens nas mídias escrita e televisiva, chegando a já ser alarmante.


Como é possível que metade da produção brasileira de nióbio seja subfaturada “ oficialmente ” e enviada ao exterior, configurando assim o crime de descaminho , com todas as investigações apontando de longa data, para o gabinete presidencial ?


Como é possível o fato do Brasil ser o único fornecedor mundial de nióbio ( 98% das jazidas desse metal estão aqui), sem o qual não se fabricam turbinas, naves espaciais, aviões, mísseis, centrais elétricas e super aços; e seu preço para a venda, além de muito baixo , seja fixado pela Inglaterra , que não tem nióbio algum ?
E EUA, Europa, e Japão são 100% dependentes do nióbio brasileiro.


Como é possível em não havendo outro fornecedor, que nos sejam atribuídos apenas 55% dessa produção, e os 45% restantes saiam extra-oficialmente , não sendo assim computados.


Estamos perdendo cerca de 14 bilhões de dólares anuais, e vendendo o nosso nióbio na mesma proporção como se a OPEP vendesse a 1 dólar o barril de petróleo, com o agravante de que o petróleo existe em outras fontes, e o Nióbio só tem no Brasil ; podendo ser uma outra moeda nossa.


Não é um descalabro alarmante ?


O publicitário Marcos Valério , na CPI dos Correios , sob pressão revelou na TV para todo o Brasil, dizendo: “O dinheiro do mensalão não é nada, o grosso do dinheiro vem do contrabando do nióbio ”.

E ainda: “O ministro José Dirceu estava negociando com bancos, uma mina de nióbio na Amazônia”. Ninguém teve coragem de investigar … Ou estarão todos ganhando com isso ?

Some-se a esse fato o que foi publicado na Folha de S. Paulo em 2002: “ Lula ficou hospedado na casa do dono da CMN (produtora de nióbio) em Araxá-MG , cuja ONG financiou o programa Fome Zero ”.

As maiores jazidas mundiais de nióbio estão em Roraima e Amazonas ( São Gabriel da Cachoeira e Raposa – Serra do Sol ), sendo esse o real motivo da demarcação contínua da reserva, sem a presença do povo brasileiro não-índio para a total liberdade das ONGs internacionais e das mineradoras estrangeiras .

Há fortes indícios que a própria FUNAI esteja envolvida no contrabando do nióbio , usando índios para envio do minério à Guiana Inglesa , e dali aos EUA e Europa.
A maior reserva de nióbio do mundo , a do Morro dos Seis Lagos , em São Gabriel da Cachoeira ( AM ), é conhecida desde os anos 80, mas o governo federal nunca a explorou oficialmente , deixando assim o contrabando fluir livremente , num acordo entre a presidência da República e os países consumidores , oficializando assim o roubo de divisas do Brasil.


Todos viram recentemente Lula em foto oficial, assentado em destaque, ao lado da rainha da Inglaterra .


Nação que é a mais beneficiada com a demarcação em Roraima , e a maior intermediária na venda do nióbio brasileiro ao mundo todo.


Pelo visto, sua alteza real Elizabeth II demonstra total gratidão para com os nossos “ traíras ” a serviço da Coroa Britânica. Mas, pelo andar dessa carruagem, esse escândalo está por pouco para estourar.
Afinal, o segredo sobre o nióbio como moeda de troca , não está resistindo às pressões da mídia esclarecida e patriótica e tem sido exaustivamente questionado pela Internet .

NUM PAÍS DECENTE, OS RESPONSÁVEIS POR TAMANHA TRAIÇÃO JÁ ESTARIAM TODOS NA CADEIA ...

Fonte: Tribuna da Imprensa e ABDIC

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Diplomatas vêem Patriota vítima de assédio moral


Diplomatas já inativos, e alguns integrantes do chamado “quadro especial” do Itamaraty, vão tentar convencer o ministro Antonio Patriota (Relações Exteriores) a não apenas pedir demissão do cargo como ainda ajuizar processo contra a presidenta Dilma por assédio moral.

Eles consideram que Patriota, diplomata tão brilhante quanto discreto e cordial, não merece – ninguém merece – as humilhações impostas por Dilma

Ela quis substituir Patriota, mas as sondagens a eventuais substitutos deram em nada: ninguém parece aceitar o papel de saco de pancadas.

A presidenta considera que o Itamaraty, na gestão de Antonio Patriota, assumiu atitude à imagem e semelhança dele: tímida, pouco ousada

A gota d’água ocorreu durante a visita de Dilma a Washington, em março, a menos relevante de um presidente brasileiro em décadas.

Irritada, Dilma alijou Patriota das ações que resultaram na trapalhada brasileira, que “puniu” o Paraguai para enfiar a Venezuela no Mercosul.

Fonte: Claudio Humberto

domingo, 19 de agosto de 2012

Minha Casa, Minha Vida pode quebrar o FGTS, patrimônio de todos os trabalhadores


BRASÍLIA O uso crescente dos recursos do FGTS pelo governo para fazer política habitacional já põe em risco o patrimônio líquido do Fundo, uma reserva importante que assegura o equilíbrio das contas e serve para cobrir despesas imprevistas.

Neste ano, os subsídios destinados ao programa Minha Casa, Minha Vida já chegam a R$ 6,5 bilhões, superando o lucro líquido do Fundo apurado em 2011, de R$ 5,1 bilhões. Integrantes do Conselho Curador alertam que, nesse ritmo, a concessão de subsídios avançará sobre o patrimônio líquido do FGTS, atualmente em R$ 41 bilhões, já a partir de 2013.

O subsídio é um desconto concedido às famílias de baixa renda nos financiamentos habitacionais. O valor chega a R$ 23 mil para moradores de São Paulo e Brasília e, nas demais cidades, varia entre R$ 13 mil e R$ 17 mil. Esse dinheiro é repassado às famílias a fundo perdido e não retorna ao FGTS.

Regra para ganhar benefícios mudou

Em 2012, os subsídios do Minha Casa Minha Vida, além de consumir todo o lucro do FGTS no ano passado, já comprometeram parte do resultado do ano, que ainda nem está fechado. Além disso, o Executivo planeja gastar mais R$ 4,465 bilhões em subsídios para o programa em 2013.

O orçamento do FGTS previa R$ 4,5 bilhões em subsídios para o programa neste ano, mas, em julho, o governo destinou mais R$ 2 bilhões para esse fim e, até agora, não houve a contrapartida do orçamento da União.

— Os subsídios estão aumentando mais depressa do que os lucros. Isso pode criar uma bomba-relógio para o futuro — disse um técnico do governo que acompanha as contas do Fundo.

Integrantes do Conselho Curador destacam que, ao criar o Minha Casa, Minha Vida, o governo retirou a trava que permitia ao Fundo fazer política social de moradia e, ao mesmo tempo, engordar seu patrimônio. Até 2009, metade do lucro líquido era destinada aos subsídios e a outra metade, aplicado em títulos públicos.

Além disso, a regra de concessão do benefício às famílias de menor renda mudou. A Lei 11.124/2005, que criou uma política habitacional para classes de baixa renda, prevê que o FGTS deve ser usado para complementar a capacidade de pagamento do mutuário na tomada do financiamento. Por essa regra, primeiro é feita uma análise da renda e da capacidade de pagamento da família, e o Fundo entra só como complemento em caso de insuficiência de renda. Agora, o governo oferece de saída o desconto, que chega a R$ 23 mil para quem mora em São Paulo e Brasília.

— É a farra do subsídio. Ou a família compra um imóvel mais caro ou toma financiamento mais baixo do que a capacidade da renda — disse uma fonte.

Com o FGTS bancando parcela crescente dos subsídios à casa própria, o FI-FGTS — fundo criado no bojo do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para investimentos em projetos de infraestrutura — também corre o risco de ser paralisado, dentro de três anos, segundo estimativas de conselheiros do Fundo. Esses investimentos são cruciais para os setores de energia, rodovias, ferrovias e portos.

Em dezembro, o valor desembolsado pelo FI-FGTS em projetos somava R$ 17,9 bilhões. Outros R$ 6,4 bilhões estavam reservados para os investimentos, mas 21 projetos, que totalizam R$ 8,6 bilhões, não têm garantia de liberação dos recursos.

— À medida que os subsídios avançam, o FI também é prejudicado e pode ser paralisado, sem recursos para novos projetos — destacou outra fonte.

Falta regulamentação

Segundo especialistas, nunca se usou tanto dinheiro do Fundo para subsídios, o que não é seu papel principal. A maior crítica está no fato de o subsídio ser oferecido pela União com recursos do FGTS, que é privado. Um detalhe importante, segundo especialistas, é que não está previsto em lugar algum o que fazer com os lucros do Fundo, o que permitiu que fossem sendo criados programas que usam esse dinheiro.

O presidente do Instituto FGTS, Mario Avelino, defende a distribuição do lucro do Fundo entre os cotistas e lembra que há projetos no Congresso sobre o tema. O último (PLS 580/2011) foi apresentado pela senadora Marta Suplicy (PT-SP) no ano passado:

— Quando começou, o Minha Casa, Minha Vida era bem tímido. Como é possível ratear o lucro se estão, com toda a liberdade, imputando ao Fundo despesas que não são dele? Seu único gasto de verdade é o da gestão da Caixa.

De acordo com o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, a saída para preservar o Fundo pode ser a Justiça.

— Do jeito que o governo está fazendo, vai quebrar o FGTS.

Segundo Claudio Gomes, representante da CUT no Conselho Curador, o aumento dos subsídios com recursos do FGTS é preocupante. Mas ele ponderou que o país passa por um momento difícil e que é preciso tomar medidas excepcionais para preservar empregos:

— Isso não pode virar uma política corriqueira — disse.

Fonte: O Globo

Coisas de advogados e outros mentirosos...



Charge: Nani

STF-Voto Fatiado



Charge:Duke

sábado, 18 de agosto de 2012

Privatizando as Privatizações (ou As Virtudes da Inoperância)


A vida costuma ser mais fascinante e surpreendente do que a ficção. Muitas vezes, para dar alento a quem resiste. Ontem, dia do retrocesso, o governo Dilma Rousseff anunciou nova onda de privatizações, quer dizer, de doação de patrimônio público a uns poucos privilegiados que se valem da ficção para enriquecer e aumentar seu poder. Só que a vida sempre revela a fraqueza do embuste.

Caiu por terra, em 24 horas, a mentira de ser a iniciativa privada mais eficiente, motriz primeira do desenvolvimento, enquanto o Estado só cria despesas e gera desperdício e corrupção.

Ficamos sabendo estarem no limiar da falência as empresas aéreas Tam e Gol, além de penduricalhos. Basta ler seus balanços, mesmo maquiados. Seguem no rumo da Panair, da Varig, da Real, da Cruzeiro do Sul, da Transbrasil, da Vasp e de outras. Seu prejuízo é de centenas de milhões. E mais crescerá. Se ainda teimam em voar, e será por pouco tempo, a causa repousa na ajuda nem sempre honesta dos cofres públicos, das benesses fiscais e do sacrifício de seus funcionários.

Demonstra a natureza das coisas que certas atividades devem obrigatoriamente ser estatais, quer dizer, pertencer ao todo, não a partes privilegiadas. Os transportes públicos são uma delas, tanto faz se aéreos, terrestres ou marítimos. Da mesma forma a educação, a saúde e a segurança públicas. Sem esquecer a indústria pesada, a geração de energia e o controle do sistema financeiro.

Nas últimas décadas assistimos o desmonte do patrimônio estatal, isto é, do povo, em nome de uma falsa eficiência construída às custas da compressão dos salários e das dificuldades do trabalhador, favorecendo grupinhos que sem nada investir apropriam-se dos investimentos públicos e insistem em proclamar as virtudes de sua inoperância. Os transportes aéreos constituem apenas um exemplo, aqui referido por conta da coincidência entre a mentira de ontem, quarta-feira, e a verdade de hoje, quinta.

Entre outros objetivos, o PT formou-se para sustentar a defesa do poder público, a prevalência da sociedade sobre minorias egoístas. O tempo passou e os companheiros cederam à tentação de valer-se da estratégia que os beneficiaria e transformaria em comensais do elitismo.

Que um sociólogo tivesse traído ideais antes apregoados por ele, tratou-se de uma individualidade fraca. Mas admitir essa mudança numa vanguarda que um dia pretendeu a reconquista do coletivo e a prevalência do social, deve ter doído muito em quem neles acreditou. Talvez por isso boa parte debandou. Os que ficaram, transfigurando-se, aliaram-se à cartilha dos adversários do passado. Hoje, são cultores do neoliberalismo. Servem-se dele para exercer e preservar o poder que não merecem mais, cegos diante da maré que logo os asfixiará, como vai acontecendo lá fora.

Que diferença existe entre o nosso governo e aqueles que na Alemanha, Inglaterra, Espanha, Grécia, Portugal e alhures praticam, às custas dos direitos sociais, a política perversa da doação de bens públicos? Servem aos mesmos que através dos tempos tem sido os geradores da injustiça, da perversidade e das crises inevitáveis.

Pois bem: mais cedo do que imaginavam com a própria ficção, engolem a resposta da vida. Vão fazer o quê? Privatizar a privatização das empresas aéreas? Ou abrir ainda mais as burras do tesouro para preservá-las por outros quinze minutos?

Fonte: Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa e Blog contraovento

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

PT blinda Delta na CPI do Cachoeira


A CPI que investiga o esquema do empresário Carlinhos Cachoeira praticamente sepultou ontem uma de suas mais importantes linhas de apuração. A comissão, comandada por governistas, engavetou cerca de 250 requerimentos, entre eles os que determinavam a quebra de sigilo de empresas supostamente de fachada usadas no eixo Rio-SP pela empreiteira Delta -da qual Cachoeira era sócio, segundo a Polícia Federal.

Antes, ao quebrar o sigilo da Delta, a CPI descobrira que empresas desse eixo, criadas a partir de 2006, receberam ao menos R$ 220 milhões da empreiteira. Os pedidos não votados ontem poderiam elucidar o que as firmas fizeram com esse montante.

A decisão de não verificar essas contas vai gerar uma situação inusitada. O empresário Adir Assad, que controla parte dessas empresas, vai depor no dia 28, e os parlamentares terão de inquiri-lo sem informações sobre suas movimentações financeiras.

As quebras de sigilo vêm sendo tratadas pelos parlamentares como forma de driblar o silêncio recorrente entre os depoentes da CPI. A expectativa era que a verificação do destino dado pelas empresas do eixo RJ-SP ao dinheiro recebido da Delta indicasse novas conexões políticas da empreiteira. Esses requerimentos ainda podem ser aprovados, mas só em setembro. Como o prazo para o relatório final da comissão é 23 de outubro, dificilmente haveria tempo hábil para analisar os dados.

À Folha, em junho, Marcello Abbud, parceiro de Assad, disse trabalhar para "metade das grandes empreiteiras do país" e negou que as empresas sejam de fachada. Segundo ele, cujo pedido de convocação não foi votado ontem, elas alugam máquinas para as construtoras. Outra investigação abandonada se refere a empresas de fachada controladas por Cachoeira nos EUA. Com engavetamentos, a CPI foca só empresas usadas por Delta e Cachoeira no eixo Goiás-DF.

O dono da Delta, Fernando Cavendish, deporá no dia 28; no dia 29, a CPI ouvirá o ex-diretor do Dnit, Luiz Antônio Pagot, e o ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto. Pagot, que já se mostrou disposto a falar na CPI, pode levantar suspeitas sobre o financiamento de campanhas do PT e do PSDB.

Fonte:Folha de São Paulo
Charge: Sponholz

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Nossos atletas Brasileiros abandonados à própria sorte


Advogado de Jefferson acusa Lula de ser mandante do mensalão


O advogado Luiz Fernando Corrêa Barbosa afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva era o mandante do esquema conhecido como "mensalão" e solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) abra processo contra ele. Barbosa defende o ex-deputado e atual presidente do PTB, Roberto Jefferson.

Barbosa destacou que três ex-ministros são réus, José Dirceu, Luiz Gushiken e Anderson Adauto, mas destacou que eles eram apenas auxiliares do ex-presidente. "Ele (Lula) não só sabia como ordenou o desencadeamento de tudo isso que essa ação penal discute aqui. Ele ordenou. Aqueles ministros eram só auxiliares".

Ele citou a exposição de Roberto Gurgel, Procurador-Geral da República, de que o esquema acontecia no Palácio do Planalto. Para o advogado, dizer que Lula não sabia é uma ofensa ao ex-presidente. "Claro que sua excelência (Gurgel) não pode afirmar que o presidente da República fosse um pateta, um deficiente, que sob suas barbas estivesse acontecendo tenebrosas transações e ele não soubesse nada".

Barbosa destacou que Jefferson contou a Lula sobre o esquema e disse que este não tomou nenhuma medida para investigá-lo. Destacou que uma certidão emitida pela então chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, atual presidente, dava conta que nenhum procedimento foi aberto a mando de Lula.

O advogado afirmou que as provas apresentadas pela PGR são fracas porque o "mandante" ficou de fora e previu um "festival de absolvições". Destacou que Lula responde a uma ação civil pública relativa a uma suposta ação em favor do BMG para a concessão de crédito consignado a aposentados e pensionistas. O BMG é um dos bancos que fez os empréstimos que serviram para o pagamento a parlamentares.

O defensor de Jefferson pediu que a ação penal do mensalão seja convertida em diligência para se investigar Lula ou que se abra outro processo contra o ex-presidente. "Não é possível que um escândalo dessa dimensão passe lotado por essa Suprema Corte. Normas há e essa decisão se pede".

Fonte: Estadão
Charge: Sponholz

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A voz e a vez dos anjinhos


Quem se der ao trabalho de analisar em conjunto e não isoladamente os depoimentos dos cinco primeiros advogados dos réus do mensalão chegará à conclusão de terem defendido cinco anjinhos. Arcanjos e querubins expostos à sanha satânica do Ministério Público.

Nenhum dos patronos admitiu o mensalão, palavra, aliás, evitada por todos, pouquíssimo pronunciada. José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares, Marcos Valério e Ramon Hollerbach foram apresentados como inocentes e injustiçados. Não aconteceu o que se presume acontecerá durante a semana e nas próximas, a acusação de uns sobre outros mensaleiros como forma de saltarem de banda. Isso vai se verificar quando os bagrinhos entrarem em campo, aqueles que imaginam poder safar-se sustentando haver cumprido ordens, sem saber de nada.

Ouvidos com a máxima atenção pelos onze ministros do Supremo Tribunal Federal, os advogados exerceram o milenar direito do contraditório. Terão se entendido antes, nos dias que se seguiram ao libelo do Procurador-Geral da República. Acertaram os ponteiros, esperançosos de vir o relógio a registrar a vigésima quinta hora, única que, em sã consciência, poderá abrigar a total absolvição de seus clientes.

Fonte: Contraovento
Charge:Sponholz e contravento

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Tim Tim por Tim Tim

Então quer dizer que a TIM tá enganando os clientes, fazendo as ligações caírem, pra todo mundo ter que ligar de novo?




Fonte e Charge: eramos6

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Omissão do nome de Lulinha na CPI dos Correios e blindagem ao sigilo da Gamecorp salvaram Lula de ser denunciado no rol dos mensaleiros


Por Jorge Serrão

É sintomática da permanente onda de impunidade tupiniquim a pouca repercussão midiática da gravíssima e tardia revelação de que a CPI dos Correios recebeu pressão política e suprimiu, em seu texto final, qualquer menção ao filho de Luiz Inácio Lula da Silva. Eram públicas as ligações privadas dele com uma grande empresa de telefonia que tinha recebido aportes do BNDES e que tinha dois fundos de pensão investigados entre seus acionistas. Mas a omissão proposital no relatório final da CPI tinha o objetivo tático de blindar Lula de uma eventual denúncia no escândalo do mensalão.

A aliviada de barra para Lulinha, na ação de bastidores que evitou qualquer investigação sobre os recursos financeiros da família Silva, foi fundamental para que o Papai e Chefão Lula tivesse seu santo nome providencial e milagrosamente excluído dos réus do mensalão. A CPI tinha como uma das missões apurar o caminho do dinheiro do mensalão. Como não quebrou o sigilo da Gamecorp, empresa de jogos eletrônicos de Lulinha, toda a família acabou salva de qualquer suspeita.

Fábio Luís da Silva foi investigado na CPI dos Correios, que cuidou do tema “Fundos de Pensão”, pelo fato de a Telemar (atual Oi) ter investido R$ 5 milhões na Gamecorp. Criada por Lulinha em 2004, com capital de R$ 10 mil, um ano depois, a empresa recebeu o aporte milionário da tele. Mas o fato acabou no dito pelo não dito, como um mero investimento de uma quase estatal em uma promissora empresa de um jovem empreendedor. Puro capimunismo tupiniquim.

Nessa mesma onda, o julgamento do mensalão, que começa na quinta-feira no Supremo Tribunal Federal, tem tudo para dar em nada ou em pouca coisa. A previsão é de penas brandas ou nenhuma pena para os principais autores dos comprovados crimes de peculato, corrupção ativa, corrupção passiva, formação de quadrilha e os crimes fiscal e financeiro. Apesar da impunidade programada, a petralhada ainda teme que algo diferente possa acontecer e o julgamento se transforme em um ponto de inflexão na História do Brasil.

O medinho é tão sintomático que um dos mais famosos réus do esquema, o deputado federal petista João Paulo Cunha, foi taticamente orientado a não comparecer à sessão pública de fotos de campanha que Luiz Inácio Lula da Silva promoveu ontem com 118 candidatos a prefeito e vereador do partido, em São Paulo. Cunha, que é candidato a prefeito de Osasco (cidade paulista estratégica para os esquemas petistas) preferiu faltar ao encontro para não ficar mal na foto, com exposição negativa na imprensa, na véspera do julgamento da Ação Penal 470 no STF.

Antes do esperado evento jurídico-político começar, o PT será alvo indireto de mais um desgaste. O ministro Antonio Dias Toffoli pode ser acionado e ser impedido de participar do julgamento. Motivo: em 2007, a namorada dele, Roberta Gurgel, fez sustentação oral para um dos réus no STF: o ex-deputado Professor Luizinho (PT-SP). O MPF tem tudo para pedir impedimento dele, já que o marido (ou companheiro) não pode decidir causas em que a esposa tenha sido advogada ou parte. Além disso, Toffoli é tido como “amigo” de José Dirceu, um dos réus.

Ontem, o advogado Paulo Magalhães Araújo enviou petição ao STF para que Toffoli seja impedido de participar do julgamento. Mas a Corte não deve considerar o documento, porque Araújo não é advogado de nenhum réu. O pedido contra Toffoli só seria válido se viesse da defesa ou do procurador-geral. Por isso, o presidente do Supremo, ministro Carlos Ayres Britto, reafirmou que o ministro Dias Toffoli tem plena capacidade para decidir se deve ou não participar do julgamento do mensalão.

Agosto, mês do desgosto que começa amanhã, tem tudo para ser inesquecível para os membros do Governo do Crime Organizado...

Caso Lulinha

Foram meramente políticos os motivos para que tenham diso suprimidos do texto final da CPI trechos que citavam Lulinha ou eram críticos a ele e a Lula.

O recado que vinha dos bastidores era: se o nome dele entrar no papel, o relatório final não seria aprovado.

O caso é apenas mais uma demonstração de como funcionou a operação abafa para impedir que Lula acabasse relacionado a qualquer denúncia em torno do esquema mensaleiro que agora vai a julgamento no STF.

Fonte: Alerta Total