segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Faxina na Casa do Covil



Charge: eramos6

TCU e Anatel favoreceram marido de Erenice


Unicel, empresa de telefonia celular que teve o marido da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, José Roberto Camargo Campos, como diretor, teve ajuda do Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Tribunal de Contas da União (TCU) na obtenção de licença para operar telefonia móvel via rádio, também chamado de Serviço Móvel Especializado. Os dois colegiados votaram favoravelmente à concessão da licença para a Unicel, contrariando parecer de suas respectivas áreas técnicas.


Andre Dusek/AEEm família. Marido da ex-ministra não comentou o caso
A Unicel só não conseguiu a licença até agora, apesar da boa vontade, por razões burocráticas. Houve mudança no quadro societário da empresa, de forma que o processo passa por uma nova avaliação na Anatel. A agência está verificando a capacidade técnica e, se não houver impedimento legal, a Unicel poderá iniciar seus serviços de rádio. Hoje, ela opera telefonia celular convencional na cidade de São Paulo e região metropolitana.

O conselheiro da Anatel Jarbas Valente disse ao Estado que sempre foi contra a concessão da licença do SME para a Unicel. Na época do pedido, 2005, ele integrava a área técnica da agência reguladora, que fez parecer contrário. Essa posição não foi modificada, ao contrário do que informou a "Veja" desta semana. "Nunca mudamos nossa posição em uma vírgula", disse. Segundo a revista, Valente teria revisto seu voto e por isso teria ganho o cargo de conselheiro da Anatel. Ele negou, argumentando que ganhou o cargo este ano.

Valente explicou que, em 2005, a Anatel decidiu fazer uma consulta às operadoras de serviços de telecomunicações sobre interesse em operar novas faixas de frequência, ou seja, oferecer novos serviços. Em vez de manifestar seu interesse, a Unicel entrou direto com um pedido de outorga, o que foi considerado irregular pelos técnicos.

Mesmo com o alerta da área técnica de que o pleito da operadora era improcedente, o Conselho Diretor da agência aprovou a outorga para a Unicel por quatro a um. Diante do impasse, o processo foi enviado para a área técnica do TCU, que fez análise similar à da área técnica da agência, ou seja, contra a outorga. Surpreendentemente, porém, o julgamento do plenário do TCU desconsiderou as análises e deu o aval para o prosseguimento.

Há outro processo que envolve a concessão de outorgas de Serviço Móvel Pessoal (SMP) para a Unicel em São Paulo. Segundo Valente, o impasse nessa questão foi a não aceitação, por parte da comissão de licitação, das garantias financeiras apresentadas pela Unicel. O marido da ex-ministra foi procurado, mas não foi encontrado.


PARA LEMBRAR


Ex-ministra pediu demissão na quinta-feira


Na semana passada, reportagem da revista Veja revelou que Israel Guerra, filho da então ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, faria parte de um esquema de tráfico de influência no governo em troca de pagamento de comissão. Ele teria operado, pelo menos, a concessão de um contrato de R$ 84 milhões para um empresário do setor aéreo com negócios com os correios.
Um servidor que estaria envolvido, Vinícius Castro, foi demitido na segunda-feira. Nos dias seguintes, novas denúncias apontavam que outros parentes de Erenice também estariam envolvidos no esquema. Na quinta-feira, dia 16, Erenice pediu demissão

Fonte: Estadão 20/09/10
Charge: Nani

domingo, 19 de setembro de 2010

Maioria das famílias tem dificuldade em fazer renda chegar ao fim do mês


Mais de 75% das famílias brasileiras dizem ter pelo menos alguma dificuldade de fazer a renda “‘chegar ao fim do mês”. De acordo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 17,9% têm muita dificuldade em chegar ao fim do mês.

Na outra ponta, cerca de 25% das famílias relataram ter algum grau de facilidade para alcançar o mesmo objetivo, segundo informações da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF). O dado é considerado uma medida de bem-estar da população. Do total das famílias, apenas 1% diz ter “muita facilidade” em concluir o mês.

Das famílias que alegaram ter muita dificuldade, 64,2% viviam com até três salários mínimos de renda mensal familiar. Entre as famílias com renda entre 3 e 6 salários, 24,2% apontaram o mesmo. Das famílias com renda acima de 15%, 2,1% relataram ter muita dificuldade em chegar ao fim do mês.

Fonte: G1 17/09/10
Charge: Santo

sábado, 18 de setembro de 2010

Forrest Lula


Por Wagner Valente

Resumo do governo Lula


- Todos conhecem o filme "Forrest Gump", que narra a história de um imbecil que sobe na Vida auxiliado por circunstâncias a ele, absurdamente, favoráveis. Nós brasileiros temos aqui o nosso "Forrest Lula", pelas razões que apresento abaixo:

1-) Lula pensa que chegou à Presidência do Brasil pela sua competência; mas, conseguiu tal proeza por uma junção entre sua "persistência malufiana" e o "mudancismo" do eleitor, que SÓ pelo desejo de Mudar, nem se sabe o quê, vota alternadamente em candidatos como Maluf, Collor e depois em Lula & Companhia.

2-) Lula pensa que é respeitado no Exterior; mas, não passa de uma "Curiosidade Zoológica", como o mico-leão dourado. A "esquerda" romântica de lá acha lindo um operário do Terceiro Mundo ter virado Presidente.... se ele é competente ou não, o terceiro mundo que se dane.. Mais ridículo do que ele próprio, é o fato dele acreditar que é "O CARA" (para Nós "DE PAU").

3-) Lula pensa que somos idiotas ao dizer que fez Novos Programas Sociais como o Bolsa-Família, que é o EX-Bolsa Escola (retificado para PIOR, pois antes era direcionado à EDUCAÇÃO das Crianças Pobres Brasileiras e hoje incentiva o aumento da natalidade, com consequente Crescimento da Pobreza Nacional), já existente durante o Governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso. De concreto, o que ele fez MESMO, foi proteger os "terroristas sem-terra" (do MST) e transformar o Bolsa-Escola em Bolsa-Esmola.

4-) Lula pensa que faz sucesso com a Imprensa; mas, na verdade contou apenas com uma Imprensa domesticada e cordial, pelo menos até os recentes escândalos.

5-) Lula pensa que não existe ninguém que possa questioná-lo, tanto em Ética, quanto em Política; mas, isso só acontece porque ele nunca se expôs a entrevistas coletivas sérias, com jornalistas especializados, onde teria que dar uma satisfação objetiva de seu desempenho como Presidente do Brasil.

6-) Lula pensa que é "imune" a essa Crise Econômica Mundial, porque seu percentual de aprovação ainda é alto; mas, vamos lembrar que a maioria dos Brasileiros, infelizmente, não tem EDUCAÇÃO, nem CULTURA. Aqueles que ainda confiam nele são tão ignorantes quanto ele; por isso, não sabem o que, realmente, acontece e são facilmente enganados e manipulados.

7-) Lula pensa que é o responsável pelo sucesso da Política Econômica Brasileira; mas, isso se deve única e exclusivamente à manutenção da Diretriz Econômica Programada durante o Governo do Presidente Fernando Henrique, que nomeou Henrique Meirelles como Presidente do Banco Central do Brasil e que, Graças a DEUS, está lá até hoje.

8-) Lula pensa que foi responsável pelo aumento das exportações brasileiras; mas, isso somente aconteceu como consequência de uma série de Fatores Anteriores ao seu governo, MAIS as circunstâncias favoráveis do Cenário Internacional.

9-) Lula pensa que não sofrerá o "Impeachment", porque está acima de TUDO o que acontece no Cenário Político Nacional, embora Collor tenha sido defenestrado por muito menos. Na Verdade, ele somente vai ficar na Presidência do Brasil porque não interessa a ninguém transformá-lo em Mártir, dando-lhe a chance de retornar à Política como Herói, futuramente.


Wagner Valenti (Professor do Departamento de Biologia Aplicada da USP) é um Ótimo Professor de Biologia, pois mostrou que entende BEM de Moluscos, Vermes e Parasitas. Existe um determininismo biológico, que JAMAIS devemos esquecer....

o Autor é Docente da Universidade de São Paulo onde, via de regra, a grande maioria de seus alunos e funcionários é de "Esquerda", festiva e eleitora do Lula.

Fonte: Blog do Dr.Marco Sobreira

Mensagem de um Diplomata


Por Ozires Silva


Acordei hoje com um pensamento fixo: "Preciso escolher meu candidato à Presidência da República." Mas, votar em quem??? O primeiro pensamento foi: NÃO VOTAREI NA DILMA!!! Mas por quê? Seria por causa do Lula?

Quando lembro-me do Lula, tenho uma certa aversão, mas aí vem o pensamento: "Como posso ter aversão a um presidente que na última pesquisa teve 81,7% de aprovação pelo povo brasileiro? (Fonte: "Jornal A Folha de São Paulo"). Comecei a imaginar que o problema está em mim e não no Presidente Lula".

Pensei até que esta aversão poderia ser pela lembrança de minha adolescência quando via as reportagens de um Lula, um pouco "descabelado" sobre um caminhão ou palanque, com uma grande barba negra, gritando... E como comecei a pensar no passado, resolvi analisar parte da história, onde grandes países que também passavam por grandes desigualdades, fomes e crises, elegeram um presidente de partidos populares, vindo normalmente do povo sofrido.

Iniciei analisando a grande potência do início do século XX, a Rússia. Em fevereiro de 1917, na Revolução Russa, houve a queda da autocracia do Czar Nicolau, o último Czar a governar, e procuraram estabelecer em seu lugar uma república de cunho liberal. Já em novembro de 1917, houve a Revolução de Outubro, na qual o Partido Bolchevique, liderado por Bu Abuláh, derrubou o governo provisório e impôs o governo socialista soviético.

Os Bolcheviques eram considerados a maioria, que pretendiam a implantação definitiva do socialismo na Rússia através de reformas radicais com o apoio do proletariado. Este grupo era formado por uma facção do Partido Operário Social-Democrata Russo liderada por Vladimir Lenin.

As primeiras medidas tomadas pelo novo governo foram a reforma agrária(com a distribuição de terras aos camponeses), a nacionalização dos bancos e fábricas, (sendo que a direção destas últimas foi entregue aos operários) e a saída da guerra. Ao retirar-se do conflito, a Rússia assinou com a Alemanha a Paz de Brest-Litovsk, entregando aos alemães algumas regiões russas. Nesta tomada do poder, Lenin tinha uma popularidade positiva de 89% e assim ele fundou e implantou o Comunismo na Rússia e exportou para outras nações posteriormente, como Cuba, China e Coréia do Norte (fonte: Os Bolcheviques - Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre).

Continuando na história chegamos a década de 30.

Olhando para outro país que passava por crises, principalmente por ter perdido uma guerra (1ª guerra mundial), a Alemanha vê um homem, vindo do povo e com apoio de um partido popular, um grande líder. É pouco provável que algum dirigente político do século 20 tenha igualado o grau de popularidade alcançado por Adolf Hitler (1889-1945) na Alemanha, nos dez anos que se seguiram a sua chegada ao poder, em 30 de janeiro de 1933. O apoio da população ao Partido Nazista era tímido se comparado à veneração dos alemães por seu líder máximo, que tinha 92% de popularidade enquanto governava a Alemanha (fonte: "Livro Hitler, 1889-1936, e Hitler, 1936-1945, Ian Kershaw, W.W. Norton, 1998 e 2000"). O culto ao mito exerceu um papel determinante no funcionamento do Terceiro Reich e na aterradora dinâmica do nazismo. Adorado pelo povo, adulado por seus subordinados e temido no resto da Europa, Hitler entrou para a História como a encarnação da barbárie, o artífice do Holocausto, o símbolo de um dos regimes mais horrendos já conhecidos da humanidade.

Na mesma época, outra nação passava por insatisfação com os resultados do final da 1ª guerra mundial, crescente insatisfação popular por alto índice de inflação, empobrecimento do povo, desemprego e fome. Então surge do meio do povo um líder, vindo da guerra e com um partido com objetivo de ter um governo forte e autoritário. Benito Mussolini, junto com seu partido, o Partido Nacional Fascista. No poder, Mussolini alcançou da popularidade de 77% na Itália (fonte: Benito Mussolini - Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre).

Bem, sou apaixonado por História, pois aprendi que quem não conhece História não é capaz de construir um grande futuro, e nós temos que sempre analisar todos os pontos possíveis quando nos propusermos a tomar uma decisão importante como votar para presidente da república.

Cheguei à conclusão de que minha aversão ao Lula tem fundamento, baseado no modo autoritário de governar. Em uma entrevista, quando ele é punido pelo STE por fazer campanha antes do tempo para sua candidata, afirma que não concorda em obedecer a juízes. Mostrando em sua fala que é contra a democracia.

E analisando nossos candidatos, não creio que temos muitas escolhas, infelizmente, mas creio que posso contribuir para que o Brasil não seja, no futuro próximo, mais um país governado por alguém eleito pelo povo humilde, que coloca suas esperanças nas mãos de alguém que promete muito, sem condições de cumprir nem 10%. E minha preocupação aumenta, quando vejo que a segurança do povo, a maior instância do poder judiciário, pode ter sua credibilidade contestada.

Estou falando o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, que é composto por juízes elevados ao posto de ministros. Esses ministros são indicados pelo Presidente da República e se forem aprovados pelo Congresso, assumem uma cadeira no lugar de quem se aposenta ou morre. Dos 11, temos uma indicação ainda do Sarney, uma do Fernando Collor de Melo e duas do Fernando Henrique Cardoso e SETE do Presidente Lula.

O Supremo Tribunal Federal (STF) é a mais alta instância do Poder Judiciário do Brasil e acumula competências típicas de Suprema Corte e Tribunal Constitucional. Sua função institucional principal é de servir como guardião da Constituição Federal.

Mais quatro anos no poder, sendo o guia de uma mulher que parece uma marionete, podemos ter um STF totalmente indicado por eles e os nossos olhos e voz, nos jornais não comprometidos com o governo, poderão ser fechados e calados, como está atualmente o jornal O Estado de São Paulo e Diário do Grande ABC que, por ordem do STF, não podem falar de nenhum aliado do governo.

Lula olha para Dilma nos palanques e aponta o dedo dizendo: CONTINUIDADE! CONTINUIDADE! (Fonte: Jornal de Pé de Figueira de11/08/2010 com a matéria: A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff afirmou, em seu primeiro comício em Minas Gerais ao lado do presidente Lula, que vai fazer de seu governo uma continuação da atual gestão).

Continuidade da política da fome, onde ele pegou a idéia do governo anterior, a chamada Bolsa Escola, que concedia às famílias uma ajuda por enviar o filho a escola, tirando a criança do analfabetismo e suprindo assim a necessidade do seu trabalho infantil, e a transformou na Bolsa Família, que dá o dinheiro, independente da criança frequentar a escola. Assim, o pai recebe e ainda obriga o filho a trabalhar, não educando as crianças e aceitando as migalhas lançadas pelo governo.

Continuidade da ânsia pelo poder, mesmo fazendo alianças com grandes inimigos como Sarney, Renan Calheiros, Fernando Collor de Melo, como relatou o Jornal Nacional 09/08/2010.

Um país sem Educação, não pode ter senso crítico e ter condições de analisar o que é melhor para todos. Sem educação, você não conseguiria ler esta matéria, seu mundo seria reduzido. Sem educação, você viveria com uma mísera bolsa família e pediria para todos seus amigos e familiares votarem em quem lhe proporciona essa esmola.

Em quem vou votar???

Meu voto é secreto e não divulgarei, mas posso afirmar, NÃO VOTAREI NA DILMA!!!

Ozires Silva Foi Embaixador em vários países e se destacou pela sua cultura, realmente diferenciada.

Fonte: Blog do Dr. Marco Sobreira

Se eu "sesse" você



Fonte: animatunes

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Ferreira Gullar branda: Vamos errar de novo?


Por Ferreira Gullar

FAZ MUITOS ANOS já que não pertenço a nenhum partido político, muito embora me preocupe todo o tempo com os problemas do país e, na medida do possível, procure contribuir para o entendimento do que ocorre. Em função disso, formulo opiniões sobre os políticos e os partidos, buscando sempre examinar os fatos com objetividade.


Minha história com o PT é indicativa desse esforço por ver as coisas objetivamente. Na época em que se discutia o nascimento desse novo partido, alguns companheiros do Partido Comunista opunham-se drasticamente à sua criação, enquanto eu argumentava a favor, por considerar positivo um novo partido de trabalhadores. Alegava eu que, se nós, comunas, não havíamos conseguido ganhar a adesão da classe operária, devíamos apoiar o novo partido que pretendia fazê-lo e, quem sabe, o conseguiria.

Lembro-me do entusiasmo de Mário Pedrosa por Lula, em quem via o renascer da luta proletária, paixão de sua juventude. Durante a campanha pela Frente Ampla, numa reunião no Teatro Casa Grande, pela primeira vez pude ver e ouvir Lula discursar.

Não gostei muito do tom raivoso do seu discurso e, especialmente, por ter acusado “essa gente de Ipanema” de dar força à ditadura militar, quando os organizadores daquela manifestação -como grande parte da intelectualidade que lutava contra o regime militar- ou moravam em Ipanema ou frequentavam sua praia e seus bares. Pouco depois, o torneiro mecânico do ABC passou a namorar uma jovem senhora da alta burguesia carioca.

Não foi isso, porém, que me fez mudar de opinião sobre o PT, mas o que veio depois: negar-se a assinar a Constituição de 1988, opor-se ferozmente a todos os governos que se seguiram ao fim da ditadura -o de Sarney, o de Collor, o de Itamar, o de FHC. Os poucos petistas que votaram pela eleição de Tancredo foram punidos. Erundina, por ter aceito o convite de Itamar para integrar seu ministério, foi expulsa.

Durante o governo FHC, a coisa se tornou ainda pior: Lula denunciou o Plano Real como uma mera jogada eleitoreira e orientou seu partido para votar contra todas as propostas que introduziam importantes mudanças na vida do país. Os petistas votaram contra a Lei de Responsabilidade Fiscal e, ao perderem no Congresso, entraram com uma ação no Supremo a fim de anulá-la. As privatizações foram satanizadas, inclusive a da Telefônica, graças à qual hoje todo cidadão brasileiro possui telefone. E tudo isso em nome de um esquerdismo vazio e ultrapassado, já que programa de governo o PT nunca teve.

Ao chegar à presidência da República, Lula adotou os programas contra os quais batalhara anos a fio. Não obstante, para espanto meu e de muita gente, conquistou enorme popularidade e, agora, ameaça eleger para governar o país uma senhora, até bem pouco desconhecida de todos, que nada realizou ao longo de sua obscura carreira política.

No polo oposto da disputa está José Serra, homem público, de todos conhecido por seu desempenho ao longo das décadas e por capacidade realizadora comprovada. Enquanto ele apresenta ao eleitor uma ampla lista de realizações indiscutivelmente importantes, no plano da educação, da saúde, da ampliação dos direitos do trabalhador e da cidadania, Dilma nada tem a mostrar, uma vez que sua candidatura é tão simplesmente uma invenção do presidente Lula, que a tirou da cartola, como ilusionista de circo que sabe muito bem enganar a plateia.

A possibilidade da eleição dela é bastante preocupante, porque seria a vitória da demagogia e da farsa sobre a competência e a dedicação à coisa pública. Foi Serra quem introduziu no Brasil o medicamento genérico; tornou amplo e efetivo o tratamento das pessoas contaminadas pelo vírus da Aids, o que lhe valeu o reconhecimento internacional. Suas realizações, como prefeito e governador, são provas de indiscutível competência. E Dilma, o que a habilita a exercer a Presidência da República? Nada, a não ser a palavra de Lula, que, por razões óbvias, não merece crédito.

O povo nem sempre acerta. Por duas vezes, o Brasil elegeu presidentes surgidos do nada -Jânio e Collor. O resultado foi desastroso. Acha que vale a pena correr de novo esse risco?

Fonte:Jornal Pequeno online- Blog do Linhares 05/09/10

PF esvazia tese de crime político na violação de dados fiscais de tucanos



Leandro Colon / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

O inquérito da Polícia Federal sobre a violação de sigilo de quatro tucanos, além da filha e do genro do presidenciável José Serra, esvazia a hipótese de crime político. O resultado da apuração da PF, por enquanto, está longe de descobrir os motivos que levaram à quebra dos dados fiscais dos adversários do PT.


Apesar de depoimentos contraditórios e novos indícios, a investigação caminha, até agora, para a mesma versão da corregedoria da Receita de que tudo não passou de um crime comum, dentro de um esquema de venda de informações sigilosas.

O Estado teve acesso ao conteúdo das investigações da PF. As duas lideranças do PT nacional ouvidas, Rui Falcão e Fernando Pimentel, negaram qualquer ligação com as violações de sigilo. Admitiram, no máximo, que frequentaram este ano o escritório no Lago Sul montado pelo jornalista Luiz Lanzetta, que era coordenador de comunicação da campanha de Dilma Rousseff (PT) até junho. O depoimento deles, prestado há três semanas, não ocupa uma página inteira de respostas. É breve, sucinto.

Candidato ao Senado por Minas Gerais, Pimentel foi quem convidou Lanzetta para participar da campanha de Dilma. O jornalista deixou a equipe eleitoral em junho por causa do envolvimento no episódio do dossiê contra tucanos. Um dos pivôs do escândalo, o jornalista Amaury Ribeiro, por exemplo, deu dois depoimentos, um no dia 24 de agosto e outro na última segunda-feira. Nas duas vezes negou ligação com as violações de sigilo e, na última visita, aproveitou para deixar com a PF o relatório da chamada Operação Caribe, em que ele reúne informações de supostas operações financeiras de tucanos no exterior. A PF ouviu Amaury pela segunda vez depois que o PT pediu oficialmente para que ele fosse de novo interrogado. Ou seja, o pedido do partido pôs nas mãos da polícia um documento contra os tucanos.

Contradições. A PF não aprofundou ainda as contradições nos depoimentos dados pelas cinco pessoas - entre elas Amaury Ribeiro - que participaram de uma reunião em abril para discutir a elaboração de um dossiê contra os tucanos. Presente ao encontro, o delegado Onésimo de Souza afirmou à polícia que foi chamado para cuidar da segurança do escritório de Lanzetta no Lago Sul, mas que, durante a conversa, surgiram outras solicitações. Pediram, segundo ele, que "fosse levantado tudo sobre algumas pessoas". Onésimo disse à PF que entendeu que poderia haver um "método que não fosse legal", e repetiu sua versão de que Amaury afirmou possuir "dois tiros fatais" contra Serra.

Representante da campanha na tal reunião, Lanzetta deu outra versão aos policiais. Contou que foi contratado pelo Diretório Nacional do PT para cuidar da assessoria de imprensa da campanha de Dilma e consultou Onésimo para fazer segurança porque estava preocupado com o vazamento de informações do escritório montado no Lago Sul. Durante a conversa, segundo Lanzetta, Onézimo falou de outros trabalhos executados por possíveis adversários do PT. Para Lanzetta, isso mostrou que a conversa estava extrapolando o seu objetivo e, por isso, se retirou da reunião.

Distante de uma elucidação política do caso, a PF caminha, por enquanto, para apontar a servidora Ana Maria Cano como envolvida num esquema de venda dedados sigilosos, assim como Adeildda Ferreira dos Santos - dona do computador da Receita usado para violar o sigilo fiscal do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, de três tucanos, e também da filha e do genro de José Serra.


O RUMO DA PF NA VIOLAÇÃO FISCAL


Investigação esvazia tese de crime político e aponta para contradições em depoimentos

Amaury Ribeiro
Em dois depoimentos, negou envolvimento com a quebra dos sigilos dos tucanos. Alegou que, no fim do ano passado, estava tocando os negócios da família. Entregou à PF o relatório da Operação Caribe, feito por ele e que mostraria a participação de tucanos em negócios no exterior, mas que não teriam dados fiscais brasileiros

Onésimo de Souza
Disse que foi convidado para cuidar das instalações físicas do comitê de campanha de Dilma a convite do coordenador-geral, Fernando Pimentel. No encontro, porém, apareceu o jornalista Luiz Lanzetta. Na conversa, surgiram "outras solicitações". Foi pedido que "fosse levantado tudo sobre algumas pessoas". Advertiu que poderia ocorrer o episódio "aloprados 2". Não viu nenhum dossiê

Luiz Lanzetta
Contou que foi contratado pelo Diretório Nacional do PT para cuidar da assessoria de imprensa da campanha de Dilma. Consultou Onézimo, por meio de Amaury. No jantar, mostrou preocupação com o vazamento de informações do comitê. Durante a conversa, Onézimo falou de outros trabalhos executados por possíveis adversários do PT. Em nenhum momento foi tratado assunto sobre interceptação ilegal

Benedito de Oliveira
Disse que não é envolvido em campanha eleitoral. Conhece Amaury e Lanzetta há 3 anos. Mantém rotina social com Lanzetta, que o convidou para um happy hour no dia da tal reunião. Não ouviu menção a quebra de sigilo, nem dossiê
Idalberto Matias, conhecido como Dadá Permaneceu calado durante todo o depoimento

Fonte: Estadão 16/09/10
Charge:Renato

Planalto já sabia sobre o lobby desde fevereiro


Leandro Colon - O Estado de S.Paulo

O Palácio do Planalto sabia pelo menos desde de fevereiro deste ano que havia um lobby funcionando dentro da Casa Civil e cobrança de vantagens para intermediar empréstimos junto ao BNDES.


Foi em 1.º de fevereiro que o empresário Rubnei Quícoli, estopim da queda de Erenice Guerra, enviou e-mail para quatro funcionários da assessoria especial da Casa Civil em que reclama da cobrança por fora de R$ 240 mil feita pela empresa de Israel Guerra.

Israel é filho da ministra, e teria feito a cobrança para que o processo de crédito de R$ 9 bilhões fosse acelerado. Em uma das mensagens daquele dia, Quícoli, consultor da EDRB do Brasil Ltda, pede que o assunto seja levado à então ministra e hoje presidenciável, Dilma Rousseff (PT). "Espero de coração que esse e-mail chegue às mãos da dra. Erenice e a (sic) ministra Dilma", afirma.

Dilma era ministra também quando, 45 dias antes, Quícoli recebeu a minuta do contrato que faria com a Capital Assessoria, empresa que Israel, filho de Erenice, usa para fazer lobby e cobrar dinheiro em contratos obtidos junto a órgãos públicos.

O documento cita o pagamento mensal de R$ 40 mil e a taxa de 5% (que significaria R$ 450 milhões) em caso de sucesso na operação para financiar um projeto de usina solar.

Consultor da EDRB, Rubnei Quícoli entregou ontem ao Estado os e-mails que enviou aos assessores da Casa Civil no dia 1º de fevereiro. Às 7h08, ele remeteu mensagem a Vinicius Castro, Glauciene Leitão, Vilma Nascimento do Carmo e Vera Oliveira, todos lotados na assessoria especial da Casa Civil. O primeiro pediu demissão na segunda-feira, depois da revelação de que botou sua mãe, Sônia Castro, como sócia "laranja" da Capital Assessoria.

Já Glauciene, além de receber os e-mails sobre as cobranças feitas pela empresa de Israel, foi quem agendou a reunião de 10 de novembro, que contou com a presença de Erenice e dos donos EDRB. Quatro dias antes, a funcionária da Casa Civil confirma o encontro e faz um alerta em que menciona a candidata do PT: "O Vinícius Oliveira - Assessor da Secretária, informou que o conteúdo do CD que está com ele é muito extenso e que é necessária uma apresentação mais sucinta para mostrar à ministra Dilma."

Nas mensagens aos funcionários da Casa Civil, Quícoli alerta sobre o uso do escritório Trajano e Silva Advogados pelo grupo ligado a Erenice Guerra para fazer negociatas. A Casa Civil confirmou, para o Estado, a lotação das funcionárias. Um dos sócios do escritório, o advogado Márcio Silva, que representa Dilma na Justiça Eleitoral, nega conhecer os representantes da EDRB. "Nunca vi essas pessoas."


Fonte: Estadão 17/10/10

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Abandono trafega nas rodovias



CNT avalia 90 mil quilômetros de estradas e constata que apenas 14% deles podem ser considerados “ótimos”, quase todos entregues à iniciativa privada.

Embora a proporção de rodovias classificadas como “boas” tenha aumentado de 17%, em 2009, para 26,5%, em 2010, quase 60% das estradas federais e das principais vias estaduais pavimentadas do país receberam conceito de “regular” a “péssimo” em pesquisa feita pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) divulgada ontem. Foram avaliados 90,9 mil quilômetros de estradas e no quesito “ótimo”, estão apenas 14,7% deles.

O levantamento apontou ainda a disparidade entre os trechos administrados por concessionárias — 54,7% receberam a mais alta nota — e os submetidos à gestão pública — apenas 7,1% conseguiram a classificação máxima. O Distrito Federal, apesar de exibir índices de conservação e qualidade de suas pistas superiores à média nacional, tem quase todos os corredores rodoviários enquadrados na menção “regular”.

Por estado, São Paulo foi o que disparadamente recebeu as melhores notas. De acordo com a CNT, autora da pesquisa, a explicação está na presença maciça de rodovias concedidas à iniciativa privada. “Locais em que se verifica a manutenção e o fluxo regular de investimento produzindo resultados favoráveis aos usuários”, explica a entidade, em nota.

Presidente da Associação Brasileira de Monitoramento e Controle do Trânsito (Abramcet), Sílvio Medici também atribui à gestão privada os bons resultados paulistas, chamando atenção, entretanto, para um quadro diferente nas privatizações feitas pelo governo federal. “Essas ainda não surtiram o efeito esperado. Claro que o valor de pedágio pago em São Paulo é muito superior, o que, de certa forma, pode explicar as condições melhores. Entretanto, precisamos cobrar as melhorias também nas outras privatizações”, afirma Medici.


Rodovia BR 40 BDB/BH Felixlândia /Curvelo Sete Lagoas

A Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) foi procurada pela reportagem, mas afirmou, via assessoria de imprensa, que não podia comentar a pesquisa por não ter ainda estudado os dados. De acordo com a CNT, mesmo nas rodovias não concedidas à iniciativa privada houve uma melhora no último ano, resultado dos maiores investimentos em infraestrutura de transportes. A entidade defendeu recursos para garantir a manutenção da malha atual, além de sua ampliação.

Para Medici, entretanto, além de conservar e aumentar as vias, é preciso reconstruir muitas delas. “Temos uma situação bastante dramática no Brasil, com estradas antigas, planejadas na década de 1940, 1950, com traçados equivocados e problemas estruturais”, critica.

Algumas dessas rodovias antigas fazem parte dos principais corredores rodoviários em que os moradores de Brasília precisam se aventurar quando querem viajar de carro. Para se ter uma ideia do tamanho do problema, dos seis trajetos avaliados pela pesquisa, quatro receberam menção regular. O mais longo deles, Brasília-Belém, envolve seis rodovias, incluindo a DF-001, totalizando quase 2 mil quilômetros. Os caminhos que levam a Palmas e a São Paulo foram os únicos considerados bons.

Claro que o valor de pedágio pago em São Paulo é muito superior, o que, de certa forma, pode explicar as condições melhores”

Sílvio Medici, presidente da Associação Brasileira de Monitoramento e Controle do Trânsito.

Fonte: Correio Braziliense - Renata Mariz 15/09/10

Amamentação pode reduzir risco de diabetes da mãe, confirma estudo


Os benefícios do leite materno para o bebê - incluindo o fortalecimento de seu sistema imunológico e a redução do risco de diversas doenças - são conhecidos por todos, sendo indicada a amamentação exclusiva por pelo menos seis meses. Vários estudos têm demonstrado que essa prática favorece também a saúde da mãe, incluindo uma pesquisa recente da Universidade de Pittsburgh, nos EUA, que indica que as mulheres que não amamentam seus filhos pelo menos por um mês são mais propensas a desenvolver o diabetes tipo 2, comparadas àquelas que alimentam os pequenos com o leite materno.

Avaliando mais de 2 mil mulheres com idades entre 40 e 78 anos, os pesquisadores descobriram que, entre as mulheres que não amamentaram seus filhos, 26,7% tiveram diabetes mais tarde, comparadas com apenas 18% daquelas que alimentaram seus filhos exclusivamente com o leite materno por pelo menos um mês, e 17,5% daquelas que não tiveram filhos.

Segundo especialistas, as descobertas “ressaltam a importância para a saúde materna de consistente lactação após cada nascimento”, e aumenta ainda mais as evidências de que não amamentar pode acrescentar riscos à saúde. “O que descobrirmos que é, de certa forma, surpreendente foram os enormes benefícios para mães que amamentam tão pouco quanto apenas um mês após o nascimento de seu filho”, destacou a pesquisadora Eleanor Schwarz. “A amamentação é parte do processo normal de recuperação”, acrescentou.

Publicados na edição deste mês do American Journal of Medicine, os resultados não explicam as razões desse efeito da amamentação no risco de diabetes tipo 2 da mãe. Estudos com animais sugerem que a formação e secreção de leite pelas glândulas mamárias poderiam iniciar processos biológicos que aumentam a sensibilidade à insulina e reduzem a formação de gordura abdominal. Entretanto, mais estudos são necessários.

Fonte: UOL 15/09/10 e American Journal of Medicine. 09 de setembro de 2010.

Sátira em quadrinhos mostra a ex-refém das Farc Ingrid Betancourt como egoísta e interesseira


Uma história em quadrinhos cruel sobre Ingrid Betancourt chegou às livrarias francesas nesta quarta-feira (15), poucos dias antes do lançamento do livro de memórias escrito pela franco-colombiana que passou anos refém de guerrilheiros das Farc.

"Ingrid da selva", da editora "Fluide Glacial", satiriza Betancourt, chamada de Ingrid "Petancourt", e faz piada não apenas de seus anos de cativeiro e de seu resgate triunfal, como também dos governantes do país chamado "Colombin", dos guerrilheiros da "Farce" e dos líderes da França, ridicularizando em especial um diminuto "Nicolas Sarko".

A ex-candidata à presidência da Colômbia é retratada como uma mulher ambiciosa e egoísta, uma hipócrita que bate no peito que é devota da Virgem e do Papa, mas que se comporta como um verdadeiro monstro com os outros reféns, de quem rouba as porções de comida.

No livro escrito e desenhado por Serge Scotto, Eric Stoffel e Richard Di Martino, a "Ingrid da selva" é servil com os líderes guerrilheiros e se mostra ingrata depois da espetacular libertação por um comando de agentes ocidentais que usam camisas com a inscrição "Chien Guevara" e bigodes falsos.

No livro, Petancourt entra na selva, em uma área controlada pelas Farce, depois de ter planejado com o ex-amante, o barbudo guerrilheiro "companheiro Raúlo", seu sequestro, que, segundo ela, significaria apoio popular e a ajudaria a ser a primeira presidenta de "Colombin".

Mas Petancourt não contava com a traição do líder guerrilheiro: as Farce a capturam de verdade e mantêm como refém por seis anos.

A história também ridiculariza suas tentativas de fuga e ironiza os dirigentes políticos que tentam tirar proveito do "caso Petancourt", como "Nicolas Sarko", que acaba de ser eleito presidente da França e, abandonado pela esposa, procura uma namorada e encontra "Carla Bruti".

Sarko se apropria de maneira feliz da causa de "Petancourt", sobretudo porque seus rivais políticos, o ex-presidente "Jacques" (Chirac) e o seu primeiro-ministro, "Dominique de Grillepin", eterno enamorado de Ingrid, fracassaram de maneira retumbante ao tentar resgatá-la das Farce.

A publicação da sátira demolidora de 46 páginas não acontece em um bom momento para Ingrid Betancourt.

A ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) busca recuperar com seu livro o prestígio perdido após a libertação, pelo excesso de exposição e pelos muitos passos em falso.

O vergonhoso incidente a respeito do Prêmio Nobel da Paz, quando a fundação que leva o nome dela reagiu de maneira agressiva ao saber que Betancourt não era a vencedora, também contribuiu para arranhar sua imagem, assim como as versões negativas a seu respeito por parte de alguns companheiros de cativeiro, entre eles Clara Rojas, que era candidata a vice na chapa da política e foi raptada com ela.

Um americano que foi refém das Farc e esteve no mesmo campo que Ingrid fez um retrato devastador de Betancourt, descrevendo situações em que a colombiana é mostrada como uma mulher manipuladora e odiosa.

Segundo uma pesquisa do instituto Ivamer Gallup publicada em julho, 80% dos colombianos têm uma imagem desfavorável da ex-refém, que ao deixar a selva para muitos teria um futuro político brilhante.

Fonte: UOL notícias 15/09/10

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Lula segue disseminando o ódio e a intolerância



Por Adriana Vandoni

Em comício de Dilma, na noite desta segunda-feira (13), em Joinville (SC), Lula defendeu que o DEM seja “extirpado” da política brasileira, pois o o Democratas “alimenta ódio”.

Enfático e com um tom permanentemente crítico, Lula, disse que o Brasil não pode abrir mão da política administrativa atual em detrimento de uma direita raivosa e leviana. “São pessoas que alimentam o ódio. Nós precisamos extirpar o DEM (Democratas) da política brasileira”

Mais que alimentar o ódio, Lula está dizendo que não quer ter oposição. Isso é perigoso e sintomático. Pregar o ódio é costume de Lula. Em todos os seus discursos ele incita algum tipo de confronto. É o rico que não gosta do pobre; o branco que não gosta do negro; o estudado que não gosta do sem estudo. O que no começo era apenas verbalização dos seus recalques, passa a ser a incitação de confronto de classes e de raças.

Reinaldo Azevedo lembrou bem em sua coluna, um fato ocorrido em 2005, na época do mensalão, com o então senador Jorge Bornhausen, insultado ontem por Lula no mesmo discurso. Veja o que escreveu Reinando Azevedo:

“Em 2005, à esteira do mensalão, o então senador Jorge Bornhausen era presidente do PFL e chegou a ter, assim, uma espécie de epifania que, infelizmente, não se cumpriu. Referindo-se aos petistas, afirmou que a gente ia “se ver livre dessa raça por uns 30 anos”. Apanhou barbaridade! Os “inteliquituais” petistas saíram gritando “Racista! Nazista!” Bornhausen processou um deles e ganhou!

Os colunistas progressistas e “outro-ladistas de um lado só” também ficaram indignados. Atentem para a ironia: eles realmente achavam que o PT era uma… raça! Não! Não é! Felizmente, não estamos diante de características transmitidas pelos genes. Pode até ser uma doença moral, psicológica e social, mas não física. Há esperanças.

Pois bem! Digamos que o sentido da afirmação de ambos fosse o mesmo — não é, mas não entro nessa particularidade agora para não me desviar do essencial —, há uma diferença básica de pessoa e de circunstâncias: Bornhausen era só o presidente de um partido de oposição — e, pois, como tal, representava mesmo uma “parte” da sociedade. Lula é o presidente da República. São condições distintas, que pedem decoros distintos. Ele é presidente em tempo integral. Imaginem se, em qualquer democracia do mundo, um chefe de governo e de estado fala em “extirpar” um partido da oposição. É absolutamente inconcebível!

E desta vez? Lula vai apanhar como apanhou Bornhausen, embora as circunstâncias tornem a sua fala muito mais grave? Ora, é claro que não! Vão dizer que é só uma reação, que está devolvendo na mesma moeda. Ocorre, e isto é muito importante, que o tratamento dispensado a Bornhausen não é muito diferente do dispensado a Serra na TV, a quem chamou de “candidato da turma do contra”, que “entorta o nariz para tudo”. Mas ai daquele que apontar o risco de mexicanização da política brasileira e a tentativa do PT de destruir a oposição! O Elio Gaspari e os efebos, os gasparzinhos, logo se excitam. Se preciso, arranjam até alguns “intelequituais” independentes (independentes, mas do PT, é claro!) para dizer que isso não é verdade, que é coisa da direita raivosa…

Lula está bravo porque Ideli Salvatti amarga um terceiro lugar em Santa Catarina. Perde para Angela Amin, do PP, e para Raimundo Colombo, do DEM. Como todos sabemos, em matéria de eleição, Lula só acha feio perder. O resto ele topa.

Bornhausen respondeu: “É triste ter um presidente sem compromisso com a verdade e sem respeito pelo cargo. Pior ainda é que ele venha a Santa Catarina só para destilar ódio, o que é próprio dos embriagados”.”

Fonte: Prosa e Política 14/09/10

Entenda as denúncias contra a ministra Erenice Guerra


Braço direito de Dilma Rousseff nos cinco anos em que a hoje candidata do PT à Presidência esteve à frente da Casa Civil, Erenice Guerra se tornou ministra-chefe da pasta em março, quando Dilma deixou o governo para se candidatar.

Seu nome se tornou famoso em 2008, em meio ao escândalo dos cartões corporativos. Na época, com o governo pressionado pela oposição por conta do uso indevido de verba pública, ela foi acusada de montar um dossiê com os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e da então primeira-dama, Ruth Cardoso, morta em 2008. O polêmico caso está sob investigação da Polícia Federal.

Agora, Erenice surge novamente no noticiário, como personagem central do segundo escândalo que abala a disputa presidencial em 2010 – o primeiro é o das quebras de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB, que também segue sendo investigado pela PF e pelo Ministério Público Federal.

Os três irmãos de Erenice – Maria Euriza Alves Carvalho, Antônio Eudacy Alves Carvalho e José Euricélio Carvalho – tiveram cargos públicos federais comissionados, mas deixaram os postos em 2008, após o Supremo Tribunal Federal proibir oficialmente o nepotismo (contratação de parentes em órgãos públicos). Agora, Erenice, dois de seus irmãos, e um dos filhos da ministra, Israel Guerra, estão envolvido em denúncias.

Confira abaixo as denúncias que pesam contra Erenice e seus parentes e o que eles alegam:

Filho teria feito lobby e recebido propina

Denúncia: Israel Guerra, filho de Erenice Guerra, teria feito lobby para que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) liberasse a concessão dos voos da MTA Linhas Aéreas, que fora suspensa. Mais tarde, a MTA fechou contrato de R$ 19,6 milhões com os Correios, sem licitação, para transporte de carga.

Em troca da intermediação, Israel cobraria uma “taxa de sucesso” de 6% sobre os contratos, e a própria Erenice teria cobrado o empresário Fábio Baracat, ex-sócio da MTA.

A defesa: Em nota distribuída no sábado (11), Fábio Baracat “rechaça oficialmente as informações” de pagamento de propina. Em posterior entrevista, Baracat confirmou que Israel Guerra atuava como intermediador da MTA. Erenice Guerra também nega as acusações. Ela colocou seus sigilos fiscal, bancário e telefônico à disposição e solicitou uma investigação por parte da Comissão de Ética da Presidência.

Contrato sem licitação

Denúncia: Maria Euriza (irmã de Erenice) teria aprovado, em setembro de 2009, sem licitação, a contratação, por parte da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do escritório de advocacia Trajano e Silva Advogados, onde trabalhou até março Antônio Eudacy, seu irmão e da ministra Erenice. O escritório deveria defender a EPE contra uma empresa que brigava para participar de um leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Observação: Márcio Silva, um dos sócios do escritório Trajano e Silva Advogados, representa a campanha da ex-ministra Dilma Rousseff na Justiça Eleitoral

A Defesa: Márcio Silva, sócio do escritório, diz que a contratação foi feita às pressas porque era o único contato que a EPE, sediada no Rio de Janeiro, tinha em Brasília

Empresa aberta em nome de laranja


Denúncia: Em 1997, Erenice Guerra teria usado um “laranja” para abrir a empresa de investigação particular Conservadora Asa Imperial em nome de seu filho, Israel Guerra. A “laranja” seria a professora desempregada Geralda Amorim de Oliveira, que confirmou ter fornecido documentos para a abertura da empresa. Geralda Amorim de Oliveira é irmã de uma amiga antiga de Erenice

A defesa: Erenice Guerra confirmou a abertura da empresa, mas disse que ela nunca operou e nem teve atividade econômica. A empresa aparece como ativa na Junta Comercial do Distrito Federal “por mera formalidade e inércia dos sócios”.

Fonte: Época 13/09/10

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Lina Vieira, que brigou com Dilma, pretende “se exilar” na Espanha, temendo morrer se PT vencer


Por Jorge Serrão

Exclusivo – Lina Maria Vieira, ex-secretária da Receita Federal que caiu em desgraça com Dilma Rousseff e a cúpula do governo, chegou a sondar a Embaixada da Espanha, no final do ano passado e no começo deste ano, sobre a possibilidade de se mudar para lá. A amigos muito próximos, Lina alegou que sua família vinha “sofrendo ameaças”. Por isso teria de deixar o Brasil o mais depressa possível. Funcionária de carreira do Ministério da Fazenda há 33 anos, desde 1976, quando foi aprovada em concurso público, a “ex-petista” Lina se tornou mais uma vítima do terror imposto aos inimigos pela máquina nazipetralha.

Dirigentes da cúpula do PSDB guardam essa informação preciosa sobre Lina Vieira a sete chaves, embora não saibam o que fazer com ela em meio ao escândalo da violação dos sigilos fiscais do vice-presidente tucano Eduardo Jorge Caldas Pereira e da filha e genro do candidato presidencial José Serra – feita por funcionários da Receita filiados ao Partido dos Trabalhadores. O temor do Palácio do Planalto é que apareçam, no meio da campanha eleitoral, informações que comprovem qualquer ligação da Casa Civil da Presidência da República com o uso criminoso da máquina da Receita Federal para violar sigilos fiscais.

A oposição tem indícios, mas ainda não dispõe de provas objetivas, de que Lina Vieira seja um arquivo-vivo sobre a máquina petralha de devassar a vida de adversários, inimigos ou “aliados” com quem faz grandes negócios. Apesar dos riscos de se transformar em um “Celso Daniel” ou um “Toninho do PT”, Lina tem um “seguro de vida” valioso. Guarda, com amigos fiéis, cópias de um CD-ROM com todas as mensagens eletrônicas trocadas entre ela e seus assessores durante os onze meses em que comandou a Receita Federal.

Lina Vieira acabou demitida da Receita por vários motivos. Contestou a contabilidade fiscal da Petrobras, cuja presidenta do Conselho de Administração era a “amiga” Dilma Rousseff. Também teria apertado a fiscalização de banqueiros e de outros grandes contribuintes. Foi responsabilizada pelo presidente Lula pela perda de arrecadação. Mas Lina teria pago caro porque não "agilizou" a investigação sobre um filho do presidente do Senado, José Sarney, e ainda deixou que o caso vazasse.

O fato real é que Dilma Rousseff e Lina Vieira se odeiam. Até hoje, Dilma nega a famosa reunião com Lina, em 2008, para um pedido de interferência pessoal no andamento de uma investigação tributária que incomodava um filho do presidente do Senado, José Sarney. O registro oficial de entrada-e-saída do Palácio do Planalto confirmou que Lina lá esteve em 9 de outubro de 2008, às 10h13. A então secretária da Receita deixou o Planalto às 11h29 do mesmo dia. O fato foi confirmado por uma anotação a mão de Lina, em sua agenda, no mesmo dia 9 de outubro de 2008, logo em seguida à reunião com Dilma. Lina deixou escrito: "Dar retorno à ministra sobre família Sarney".

Depois que o caso virou escândalo, e foi parar no Senado, o técnico de informática Demetrius Sampaio Felinto revelou que existia uma cópia da suposta reunião gravada no circuito interno de TV do Palácio do Planalto. Mas as imagens teriam sido apagadas pelo serviço de segurança do Gabinete de Segurança Institucional Presidência. No Senado, como pode ser visto no vídeo acima, a ex-secretária da Receita descreveu detalhes de seu acesso à Casa Civil, como o portão e o elevador utilizados e o nome do motorista que a transportou. Na sequência do depoimento, o governo afastou de postos de comando da Receita três pessoas ligadas a Lina. E o motorista dela, vinculado a uma empresa terceirizada do Ministério da Fazenda, pediu demissão.

Como de costume, o governo Lula e sua base amestrada conseguiram abafar o caso. Mas, agora, uma lembrança do Caso Lina pode demonstrar que os caminhos do Leãogate são muito mais obscuros do que supõe a vã filosofia de oposição tímida e intimidada.

Fonte: Alerta Total 09/09/10

Casa Civil dos Horrores


Por Claudio Umberto

A oposição parece haver despertado, após a revelação da revista Veja desta semana de que, com anuência e apoio da ministra Erenice Guerra, braço direito e substituta de Dilma Rousseff na Casa Civil da Presidência da República, seu filho, Israel Guerra, virou lobista em Brasília, e faz intermediação de contratos milionários entre empresários e órgãos do governo mediante o pagamento de "taxa de sucesso", a sua empresa Capital Assessoria e Consultoria.

O presidente nacional do PSDB, senador Sergio Guerra (PE), pediu que a Procuradoria Geral da República abra investigação imediata. O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), destacou que o balcão de negócios não foi instalado apenas nos ministérios, mas na Casa Civil, dentro do Palácio do Planalto.

Estarrecido, o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) pediu a Polícia Federal e a Justiça Eleitoral no caso imediatamente. Já o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) acha gravíssimo que a ministra tenha dito, segundo a reportagem, que a propina era para "saldar compromissos políticos", configurando corrupção e fator de impugnação da candidatura de Dilma Rousseff. Erenice distribuiu nota dizendo-se "ofendida e ultrajada", Dilma diz que a denúncia objetiva prejudicar sua candidatura.




Repórter gravou tudo e avisa: vem mais por aí

- O empresário Fabio Baracat, que estaria em Paris, hoje divulgou nota assinada e datada em São Paulo, desmentindo que tenha feito a denúncia, mas o autor da reportagem, Diego Escosteguy, revelou em seu twitter que tem tudo gravado e que se necessário for a revista vai divulgar o áudio em seu site.

Ele tem recebido muitos elogios e também críticas de blogs vinculados ao governo e ao PT. "Aos xingamentos histéricos", escreveu Escosteguy em seu microblog, "respondo com a reportagem que está nas bancas e com as que virão". Baracat contou ainda à revista que precisou se livrar de caneta, relógio, celular, qualquer aparelho que pudesse embutir um gravador, antes da reunião com Erenice.

O empresário contratou os préstimos da Capital Assessoria e Consultoria, e passou a pagar 25 000 reais mensais, sempre em dinheiro vivo, para que Israel fizesse avançar seus interesses em órgãos do estado. Se os negócios de Baracat se ampliassem, seria paga uma "taxa de sucesso" de 6%. Houve outras reuniões com Erenice, inclusive depois que ela virou ministra. O lobby de Israel Guerra, o empresário obteve contratos no valor de R$ 84 milhões com os Correios.

Diretor dos Correios confirma à 'Folha'

- O diretor de Operações dos Correios, Artur Rodrigues da Silva, e o empresário Fabio Baracat, apontaram o filho da ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, como intermediador entre uma empresa e o governo Lula. É o que informa o jornal Folha de S. Paulo em seu site.



Personagens do esquema na Casa Civil

- Segundo a reportagem, o esquema no alto escalão do governo inclui Vinicius Castro, funcionário da Casa Civil, e Stevan Knezevic, servidor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) hoje lotado na Presidência da República. Eles são parceiros do filho da ministra, Israel Guerra.

"Como a Capital tem sede na casa do proprio Israel, o trio recorre a um escritório de advocacia em Brasília para despachar com os clientes. Ali trabalha gente importante. Um dos advogados é Marcio Silva, coordenador em Brasília da banca que cuida dos assuntos jurídicos da campanha presidencial de Dilma Rousseff. Outro é Antônio Alves Carvalho, irmão de Erenice Guerra.", informa Veja

Fonte: Claudio Humberto 12/09/10

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

IBGE: ‘entulho autoritário’ da ditadura



Por Luis Carlos Barros

O IBGE foi criado no Estado Novo pela ditadura Vargas em 1938, e recriado pelo decreto do ditador Castelo Branco, em 1967 - lei 161, de 13 de fevereiro de 1967. Em 14 de novembro de 1968, o responsável pelo período mais feroz da ditadura, o general Costa e Silva criou a lei 5.534, obrigando todos os cidadãos brasileiros a prestarem informações sobre sua vida privada ao IBGE, sob pena de pagar multa de 10 salários, mínimos além de ser obrigado a prestar as informações.

Na época, o serviço de informações da ditadura procurava por todos os meios ficar sabendo o máximo possível da vida dos cidadãos, para poder controlar as oposições. Agora, recentemente, graças à atuação do IBGE, cria da ditadura, o INSS diminui o valor da pensão dos aposentados porque os brasileiros estão vivendo mais.

Quanto à afirmação de que as informações são sigilosas, isso é uma piada de mau gosto, visto que até ministros são espionados no Brasil - será que o sigilo do IBGE é igual o do Enem? Quem garante que não vão vender nossas informações para marqueteiros elegerem presidentes?

A lei só “existe”, pois somos um pais de analfabetos políticos e sociais, e não fazemos valer a Constituição de 88 , que é superior a qualquer lei. A lei é de que ano mesmo? Ah, LEI No 5.534, DE 14 DE NOVEMBRO DE 1968. Leia abaixo, informe-se um pouco sobre o seu país, sobre quando essa lei foi criada, e depois a apoie ou não.



Como tudo começou
Em 1967, assume a presidência o general Arthur da Costa e Silva, após ser eleito indiretamente pelo Congresso Nacional. Seu governo é marcado por protestos e manifestações sociais. A oposição ao regime militar cresce no país. A UNE (União Nacional dos Estudantes) organiza, no Rio de Janeiro, a Passeata dos Cem Mil. Em Contagem (MG) e Osasco (SP), greves de operários paralisam fábricas, em protesto ao regime militar.

A guerrilha urbana começa a se organizar. Formada por jovens idealistas de esquerda, assaltam bancos e sequestram embaixadores, para obterem fundos para o movimento de oposição armada.

No dia 13 de dezembro de 1968, o governo decreta o Ato Institucional Número 5 (AI-5 ). Este foi o mais duro do governo militar, pois aposentou juízes, cassou mandatos, acabou com as garantias do habeas corpus e aumentou a repressão militar e policial. O resto é História.


Luis Carlos Barros é jornalista, ex-preso político e fundador do jornal A guarita da liberdade.

Fonte: Claudio Humberto

Presidente partido



Por Dora Kramer

No dia da Independência, de broche da Bandeira Nacional na lapela, o presidente da República fez um pronunciamento à Nação no horário eleitoral do PT para desancar a oposição, defender sua candidata a presidente e confundir a opinião pública acerca das quebras de sigilo fiscal na Receita Federal.


Além de deformar os atributos do poder delegado pelas urnas, o presidente eleito para presidir a todos os brasileiros trabalha para um partido (o que é vedado pela Constituição) e se imiscui indevidamente nas investigações em andamento na Receita e na Polícia Federal.

Procurando dar uma feição oficial ao manifesto acusou seus adversários disso e daquilo, mas não contou o caso direito nem entrou em nenhum detalhe sobre o assunto que põe sob suspeita o governo, o PT e a campanha presidencial do partido.

Luiz Inácio da Silva não esclareceu coisa alguma sobre o que está acontecendo, só afirmou que "baixezas" são cometidas contra a candidata a presidente e, de maneira demagógica, estendeu a "ofensa" às mulheres de todo País.



Se a candidata não sabe - ou não pode - se defender, a maioria das mulheres sabe perfeitamente como fazer isso, embora muitas não disponham de instrumentos suficientes e nem todas obtenham êxito.

No caso, a defesa extensiva de sua excelência seria bem recebida não só por mulheres, mas também por homens. Todos os cidadãos que tiveram o sigilo violado na Receita gostariam de ser defendidos por Lula, mas até agora não mereceram atenção das autoridades, preocupadas com a única mulher que ao governo interessa: Dilma Rousseff.

Tirando ela, a necessidade de protegê-la e a ânsia de que o País inteiro "reconheça" que a eleição está decidida antes mesmo de a eleição acontecer, nada mais parece importar.

Ainda há quem se pergunte o que leva a imprensa de um modo geral a dar crédito à denúncia da oposição de que as quebras de sigilo fiscal descobertas até agora, no ABC paulista e no interior de Minas Gerais, teriam como alvo o candidato a presidente pelo PSDB.

Vários fatores: o histórico de conduta, o fato em si (petistas como agentes da violação, tucanos e parentes do candidato como objetos dos atos), o interesse, mas principalmente a atitude dos suspeitos, agora corroborada pela reação direta e pessoal do presidente Luiz Inácio da Silva.



As mentiras e mais recentemente a contundência deixam pouquíssima margem para dúvidas.

Se não sentisse um aroma de perigo no ar, Lula não se incomodaria com o caso. Por muito mais, a crise aérea de 2006/2007, o presidente da República demorou meses até se pronunciar.

Sendo verdade, como diz o ministro da Fazenda - com outras palavras, claro -, que a Receita Federal é uma peneira, natural seria que o governo demonstrasse um mínimo de preocupação com o fato.

Quanto à "coincidência" de na lista constar os nomes da filha de José Serra, do genro, do marido da prima, do ex-caixa de campanha, de um ministro do governo FH e do vice-presidente do partido do candidato da oposição, torna mais grave por força da eleição.

Insuspeito talvez não, mas mais republicano poderia ser considerado o gesto do presidente da República se no lugar de insultos ele dirigisse ao candidato escusas pelos transtornos causados pelo Estado.

Em seguida, anunciasse uma devassa em regra na Receita, mais especificamente na delegacia de Mauá e respectivas ramificações.

Refresco. A candidata Marina Silva provavelmente se considerasse vítima da Receita caso seu sigilo fiscal tivesse sido quebrado.

Portanto, quem teve a privacidade violada pelo Estado não se "faz" de vítima. Por definição "é" uma vítima, independentemente da filiação partidária.

Só para raciocinar: e se o sigilo fiscal violado fosse o de um dos filhos do presidente Lula? E se o caso acontecesse no governo do PSDB?


Fonte: Estadão 09/09/10

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

''O presidente Lula passou dos limites''


Entrevista com o cientista político, José Álvaro Moisés

O cientista político José Álvaro Moisés afirma que a atitude do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso das violações de sigilos fiscais é preocupante para a democracia no Brasil - porque estaria sinalizando que a vontade dos detentores do poder fica acima do primado da lei. Para o especialista, professor da Universidade de São Paulo e diretor científico do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas daquela instituição, Lula confunde o papel de primeiro mandatário brasileiro com o de militante petista, responsável pela indicação de Dilma Rousseff como candidata à sua sucessão. Essa confusão de papéis pode dificultar as investigações sobre o episódio.


Como o senhor viu a presença do presidente Lula no horário de propaganda eleitoral gratuita, assumindo o papel de escudo da candidata Dilma Rousseff frente às suspeitas de envolvimento do PT no caso de quebra de dados fiscais de pessoas ligadas ao PSDB? Isso não pode causar a impressão de que o primeiro mandatário do País tomou partido frente a uma questão que vai além do debate eleitoral?

Sim. O presidente não tem tido cuidado, no processo eleitoral, de fazer distinção entre os papéis de presidente da República e de militante do PT responsável pela indicação de Dilma Rousseff como candidata à sua sucessão. Ele tem direito, como cidadão, de participar da campanha, desde que separe os papéis. Deveríamos lembrar o que ocorreu em 2002, durante a campanha que resultou na primeira eleição de Lula. O presidente Fernando Cardoso, apesar de apoiar o então candidato José Serra, teve cuidado para separar completamente as coisas, não misturar as funções. O presidente Lula não está tendo esse cuidado agora, assim como não teve em outros momentos de seu mandato.

Quais momentos?

Podemos citar as vezes nas quais desqualificou procedimentos do governo denunciados pelo Tribunal de Contas da União. Mais recentemente, ao ser multado pelo Tribunal Eleitoral, por fazer confusão entre sua função presidencial e a de dirigente do PT, ele praticamente menosprezou as decisões. Essas não são boas indicações. Elas sinalizam que, uma vez no cargo de primeiro mandatário, você pode misturar e confundir as coisas, pode ficar acima do que a lei estabelece.

O senhor não estaria sendo exagerado nas suas preocupações? Afinal, acaba de citar dois tribunais que estão funcionando e exercendo suas funções, numa comprovação de que a democracia anda normalmente.

Não há exagero. É extremamente importante discutir essas questões porque, embora estejamos numa democracia, o império da lei ainda não está inteiramente estabelecido no Brasil. Essas sinalizações dadas pelo presidente mostram que ele não leva em conta a ideia de que a democracia é o governo da lei e não o governo dos homens. Esse é um momento muito importante, porque envolve uma coisa crucial para a democracia, que é a violação do direito individual. Não estamos falando apenas dos dados da filha do Serra e do vice-presidente do PSDB, mas sim de milhares de pessoas. Fiquei indignado quando abri o jornal e li as declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, autojustificando, em certo sentido, as violações, porque já teriam ocorrido outras vezes.

O que se deveria esperar de alguém no cargo dele?

Eu esperaria que o ministro e o presidente da República viessem a público para dizer que medidas estariam sendo tomadas em face dos crimes de violações que afetam direitos individuais garantidos na Constituição - a questão do direito individual é uma cláusula pétrea da Constituição do Brasil. Mas ninguém disse uma palavra sobre isso. Pelo contrário, houve um esforço para blindar a candidata e dizer que, uma vez que já ocorreu em outras ocasiões, é normal que continue ocorrendo. Eu digo: não é normal. Especialmente no governo de um partido que pretendia reorganizar a política no Brasil, com uma resposta republicana. Penso que nesse caso o presidente Lula passou dos limites.

Se o presidente misturou de fato os papéis, isso poderia de alguma maneira atrapalhar as investigações sobre o caso? Os funcionários encarregados desse trabalho poderiam ver na mensagem do primeiro mandatário um sinal de que não é lá tão importante assim aprofundar a investigação?

Eu me preocupo com isso. No Brasil, a função de presidente, pelo prestígio, pelos recursos que tem e até mesmo pelo ritual do exercício do cargo, tem uma influência muito forte na sociedade. Aqui se valoriza muito a pessoa do primeiro mandatário, com uma certa ideia de que ele pode tudo. Vivemos em um meio com um forte elemento de personalização das relações de poder. Daí a necessidade de um cuidado ainda maior para se separar as funções. Se o Lula não faz isso, ele sinaliza que o desmando cometido por alguém, não importa o tamanho desse desmando, pode ser autorizado por alguém lá de cima, alguém que chega e diz que o caso não tem importância nenhuma. É uma situação que me faz lembrar aquilo que dizem que Getúlio Vargas dizia, quando governava: para os inimigos a lei e para os nossos, o tratamento que quisermos dar. Isso diminui e desqualifica a democracia.

Voltamos à questão anterior, sobre o funcionamento das instituições democráticas.

Não acho que está em questão se temos democracia. Nós temos. O que está em questão é a qualidade da democracia. Não se pode ter durante dois ou três anos um presidente que faz campanha eleitoral ao mesmo tempo que exerce as funções de primeiro mandatário. Essa separação é muito importante.

Na sua opinião, o comportamento do presidente, que desfruta de alta popularidade, é negativo para a democracia?

O presidente Lula, particularmente neste último período de governo, tem dado uma contribuição negativa para a cultura política do País. Tudo bem ele dizer que é um brasileirinho igual a você que chegou lá. Os elementos virtuosos da personalidade política não devem ser confundidos, porém, com a função presidencial. Ela tem regras, dispositivos constitucionais, que devem ser aceitos por quem quer que exerça o cargo.

Ele não deveria ter feito declarações sobre o caso na TV?

O presidente Lula poderia ter ido à TV dar explicações, dizer que a sua candidata não tem nada a ver com isso e que a oposição está explorando o fato. Mas também deveria ter admitido os erros e dizer que medidas está tomando para corrigi-los. O escárnio dele é de tal ordem que dias atrás perguntou: "Onde está esse tal de sigilo". Esse comportamento é agravado pela popularidade dele, pela sua enorme responsabilidade. Sigilo é muito relevante para a democracia. Sinaliza o primado da lei, que não deve ser usada arbitrariamente de acordo com a vontade do presidente.

O senhor não estaria sendo muito purista em relação à chamada liturgia do cargo?

Não. A liturgia do cargo ajuda a sinalizar o respeito que a autoridade tem para quem é devido o respeito - os eleitores. Isso é central para as democracias. Eu duvido que em qualquer outro país de democracia consolidada, ao ocorrer um fato dessa natureza, o ministro venha a público para se justificar e não para se desculpar. Qualquer um de nós pode cometer erros e se desculpar. Eu posso citar um autor errado numa das minhas aulas e, mais tarde, ao descobrir o erro, me desculpar perante os alunos e corrigir o erro. Uma autoridade também pode vir a público reconhecer um erro e anunciar que está tomando medidas para corrigi-lo, medidas baseada na lei, nas regras do funcionalismo. Mas o que vimos foi o ministro vir a público para se justificar, com aquele argumento, que insisto, é inaceitável. Mais uma vez querem passar a ideia de que não há nada a ser feito.

Por que mais uma vez?

Isso já aconteceu no episódio do mensalão, quando passaram a mão na cabeça dos envolvidos no caso.


QUEM É

Mestre em política e governo pela University of Essex e doutor em ciência política pela Universidade de São Paulo (USP), é professor titular do Departamento de Ciência Política e diretor científico do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da USP. Sua experiência tem ênfase em teoria democrática e comportamento político. Entre os livros de análise política que escreveu está Os brasileiros e a democracia.


Fonte: Estadão

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Nossa Democracia e seus assassinatos


Por Márcio Accioly

Tem gente que acredita em papai Noel (que mora na Lapônia), em varinha de condão e, até, na bondade de algumas das ações de criminosos em série. Tem gente que acredita no chamado Estado Democrático de Direito no Brasil, mesmo consciente da impunidade e de desmandos sem fim, na escancarada roubalheira. Que fazer?

O jornalista Lélio Gamboa desata a rir, chega a chorar, quando lhe falam sobre as vantagens da democracia brasileira. Entre gargalhadas e soluços, ele lembra os assassinatos do então prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel, e o de Campinas (SP), Toninho, ambos do PT.

E recorda que, no caso Celso Daniel, o número de testemunhas desaparecidas, mortas de maneira não racionalmente explicável, supera a casa das dez e pode chegar a quase 20, se efetuado levantamento detalhado. A “democracia” brasileira é estranha e provoca indescritível desconforto.

Na morte de Celso Daniel, o principal envolvido, Sérgio Gomes da Silva, conhecido como “Sombra”, trabalhou no gabinete do então deputado federal Luiz Inácio Lula da Silva (PT), hoje ocupante da Presidência da República, cujo índice de popularidade retrata com fidelidade o grau de entendimento de nossa população.

Sem contar que esses crimes estão vinculados a denúncia levada aos ouvidos do hoje presidente, Dom Luiz Inácio, tratando sobre esquemas de desvios milionários na coleta do lixo (em Prefeituras petistas). Tal denúncia resultou na expulsão partidária de quem ousou levantar o assunto, o tesoureiro Paulo de Tarso Venceslau.

Tudo isso para lembrar que, nas esquinas das grandes cidades (segundo não se cansa de veicular os diversos meios de comunicação), podem ser comprados CDs atualizados que trazem informações a respeito das atividades financeiras da maioria dos contribuintes da República.

E ao se encontrarem provas de quebra de sigilo, dentro do órgão responsável pela guarda dos dados (Receita Federal), as autoridades aparecem lépidas e fagueiras, garantindo que tudo não passa de matéria requentada. E que os verdadeiros culpados são os que têm suas vidas expostas nos CDs das ruas, ora veja!

Pois a denúncia de quebra de sigilo fiscal de pessoas vinculadas ao candidato presidencial José Serra (PSDB), claramente comprovadas (apesar de visível tentativa de abafa), parece se encaminhar para “exemplar” punição de funcionários dos escalões inferiores. Sem esquecer a apuração “rigorosa”, doa em quem doer.

O PT é mestre na montagem de dossiês, na coleta de dados e exposição dos adversários, no faça o que digo, mas não o que faço, na embromação e dissimulação. Não é este o primeiro caso. Nem se comenta mais sobre os dólares na cueca do assessor do então deputado estadual José Nobre, preso no aeroporto de Guarulhos (SP).

José Nobre (de comportamento vil), irmão do deputado federal José Genoíno, tornou-se deputado federal e ora dá as cartas com todos os naipes no Congresso Nacional. O próprio Genoíno, envolvido nos mais variados rolos, escondeu-se na ribalta e raramente põe o pescoço em cena.

Ele era conhecido como “mariposa”, no salão verde da Câmara, pois cada vez que se acendiam as luzes televisivas, lá ficava rondando refletores, dando cabeçada em abajures. Agora acontece exatamente o inverso.

O país que se está montando, nas esmolas sociais dos impostos que não beneficiam à organização social, é o do analfabetismo, da miséria e dos altos índices de homicídios que impedem a livre circulação de quem se arrisca nas ruas. Como é que não se enxerga nada disso? Vivemos num país de submissão e alheamento.

Fonte :Alerta Total 02/09/10 - Márcio Accioly é Jornalista.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Escondidinho


Nove entre cada dez juristas e até mesmo a OAB estão condenando a atitude do titular da Advocacia-Geral da União, Luis Inácio Adams (xará do presidente) de tentar impedir o acesso de Eduardo Jorge, vitima de quebra de sigilo fiscal, aos dados da investigação, alegando teor sigiloso.

A Corregedoria da Receita Federal já havia desobedecido a ordem judicial, sonegando ao mesmo Eduardo Jorge acesso a partes do processo de investigação e agora se sabe que o trecho omitido era justamente o que envolvia a violação do sigilo de Verônica Serra.

É mais um capítulo de uma nova história do país, onde o presidente do Superior Tribunal Militar, Carlos Alberto Marques Soares, mantém, desde março, trancado num cofre, todo o processo da ação subversiva e prisão de Dilma Rousseff (por lei, deve ser de consulta pública).

Fonte: Giba Um 02/09/10

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A volta do bode preto da velha esquerda


Por Arnaldo Jabor

Meu primeiro grande amor começou num "aparelho" do Partido Comunista Brasileiro em 1963, meses antes do golpe militar. Era um pequeno apartamento conjugado na Rua Djalma Ulrich em Copacabana, em cima de uma loja de discos. No apartamento, havia um sofá-cama com a paina aparecendo por um buraco da mola, entre manchas indistintas - marcas de amor ou de revolução? Na parede, um cartaz dos girassóis de Van Gogh e, numa tábua sobre tijolos, livros da Academia de Ciências da URSS. Um companheiro me emprestara a chave com olhar preocupado, sabendo que era para o amor e não para a política. "Cuidado, hein, se o dirigente da "base" souber..." - disse-me, vendo a gratidão em meus olhos.


Eu era virgem de sexo com namoradas, pois pouquíssimas moças "davam", nessa época anterior à pílula; transar para elas era ainda um ato de coragem política. As moças iam para a cama pálidas de medo, para romper com a "vida burguesa", correndo o risco da gravidez - supremo pavor. Famintos de amor, usávamos até Marx para convencer as meninas.

"Não. Aí eu não entro!", gemiam, empacadas na porta do apartamento. Nós usávamos argumentos que iam de Sartre e Simone até a revolução: "Mas, meu bem... deixa de ser "alienada"... A sexualidade é um ato de liberdade contra a direita..."

Tudo era ideológico em Ipanema - até a praia tinha um gosto de transgressão política. Éramos assim nos anos 60.

A guerra fria, Cuba, China, tudo dava a sensação de que a "revolução" estava próxima. "Revolução" era uma varinha de condão, uma mudança radical em tudo, desde nossos "pintinhos" até a reorganização das relações de produção. Não fazíamos diferença entre desejo e possibilidade. Eu era do "Grupo Vertigem", como colegas radicais nos apelidaram. Nossa revolução era poética, Rimbaud com Guevara; era uma esperança de um tempo futuro em que a feia confusão da vida se harmonizaria numa perfeição política e estética. Para os mais obsessivos, era uma tarefa a cumprir, uma disciplina infernal, um calvário de sacrifícios para atingir não sabíamos bem o quê. Tínhamos os fins, mas não tínhamos os meios.

E, como todos, tínhamos horror ao demônio do capital e da administração da realidade para a luta (coisa chata, sem utopia...) Por isso, a incompetência era arrepiante. Ninguém sabia administrar nada, mas essa mediocridade era compensada por bandeiras e frases bombásticas sobre justiça social, etc... Nunca vi gente tão incompetente quanto a velha esquerda que agora quer voltar ao poder como em 63, de novo com a ajuda de um presidente. Assim como foi com Jango, agora precisam do Lula. São as mesmas besteiras de pessoas que ainda pensam como nos anos 60 e, pior, anos 40.

"Revolução" era uma mão na roda para justificar sua ignorância, pois essa ala da esquerda burra (a inteligente cresceu e mudou...) não precisava estudar nada profundamente, por serem "a favor" do bem e da justiça - a "boa consciência", último refúgio dos boçais. Era generosidade e era egoísmo. A desgraça dos pobres nos doía como um problema existencial nosso, embora a miséria fosse deles. Em nossa "fome" pela justiça, nem pensávamos nas dificuldades de qualquer revolução, as tais "condições objetivas"; não sabíamos nada, mas o desejo bastava. Como hoje, os idiotas continuam com as mesmas palavras, se bem que aprenderam a roubar e mentir como "burgueses".

A democracia lhes repugnava, com suas fragilidades, sua lentidão. Era difícil fazer uma revolução? Deixávamos esses "detalhes mixurucas" para os militantes tarefeiros, que considerávamos inferiores, "peões" de Lenin ou (mais absurdo ainda) delegávamos o dever da revolução ao presidente da República, na melhor tradição de dependência ao Estado, como hoje. Deu nos 20 anos de bode preto da ditadura.

Por que escrevo essas coisas antigas, estimado leitor? Porque muita gente que está aí, gritando slogans, não quer entender que a via mais revolucionária para o Brasil de hoje é justamente o que chamávamos de "democracia burguesa", com boquinha de nojo. Muita gente sem idade e sem memória não sabe que o caminho para o crescimento e justiça social é o progressivo aperfeiçoamento da democracia, minando aos poucos, com reformas, a tradição escrota de oligarquias patrimonialistas.

Escrevo isso porque acho que a luta de hoje é entre a verdadeira esquerda que amadureceu e uma esquerda que quer continuar a bobagem, não por romantismo, mas porque o Lula abri-lhes as portas para a lucrativa pelegagem. Vejo, assustado, que querem substituir o patrimonialismo "burguês" pelo sindicalista, claro que numa aliança de metas e métodos com o que há de pior na política deste país.

Vão partir para um controle soviético e gramsciano vulgar do Estado para ter salvo-condutos para suas roubalheiras num país sem oposição, entregue a inimigos da liberdade de opinião. Escrevo isso enojado pela mentira vencendo com 80% de Ibope, apagando como da história brasileira o melhor governo que já tivemos de 94 a 2002, com o Plano Real, com a Lei de Responsabilidade Fiscal, com a telefonia moderna de hoje, com o Proer que limpou os bancos e impediu a crise nos atingir, com privatizações essenciais que mentem ao povo que "venderam nossos bens...", com a diminuição da pobreza em 35% e que abriu caminho para o progresso econômico de hoje que foi apropriado na "mão grande" por Lula e seus bolchevistas.

Ladroeira pura, que o povo, anestesiado pelo Bolsa-Família e pelas rebolations do Lula na TV, não entende. Também estou enojado com os vergonhosos tucanos apanhando na cara por oito anos sem reagir. O governo Lula roubou FHC e o mais sério período do País e seus amigos nunca o defenderam nem reagiram. São pássaros ridículos em extinção.

Tenho orgulho de que, há 40 anos, no apartamento conjugado do Partidão com minha namorada, eu gostava mais dos girassóis de Van Gogh do que dos livros de Plenkanov.

Por isso, para levar meu primeiro amor ao apartamento, usei uma cantada de esquerda: "Nosso amor também é uma forma de luta contra o imperialismo norte-americano." E ela foi.

Fonte: Estadão 31/08/10



Modus operandi





Charges: Sponholz

Quebra de sigilo é fruto de 'banditismo', diz Gilmar Mendes


Felipe Seligman

Ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, 54, afirmou que a quebra de sigilo fiscal de pessoas vinculadas a tucanos é fruto de "banditismo político" e revela "paradigmas selvagens da política sindical".

Em entrevista anteontem à Folha, ele disse que "o servidor público não pode usar button", numa referência àqueles que usam o cargo em benefício de seus partidos.

Mendes criticou o aparelhamento político do serviço público brasileiro, ao dizer que se trata de "uma anomalia que se normalizou". "Os funcionários públicos precisam entender que não estão a serviço de uma instituição partidária", declara.

Segundo ele, o episódio do vazamento da Receita Federal é algo típico de "partidos clandestinos que utilizavam dessas práticas como um instrumento de defesa contra um regime ditatorial".

No comando do STF (2008-2010), o ministro ficou conhecido por críticas que fez ao que chamou de Estado policial e "espetacularização das prisões" pela Polícia Federal, que, segundo ele, estava fora de controle.

Folha - Como o sr. avalia esse vazamento de informações sigilosas da Receita Federal?

Gilmar Mendes - É algo assustador e lamentável. Sobretudo quando ocorre em uma instituição profissionalizada e profissional como a Receita Federal.

O sr. vê alguma relação com o grande número de cargos em comissão?

Claro. O aparelhamento de instituições é algo grave e nocivo ao serviço público do país. Os funcionários públicos precisam entender que não estão a serviço de uma instituição partidária. Quando fazem isso, estão descumprindo o princípio democrático.

Esse aparelhamento é tratado como algo natural no Brasil?

O servidor não pode usar button e isso é algo que se transformou em cultura ao longo do tempo. É uma anomalia que se normalizou.

Mas não existe só na Receita. É algo que se generalizou?

Para atender a interesses partidários, os interesses democráticos são desrespeitados. Isso acontece em qualquer órgão [aparelhado]. É o funcionário da Receita que quebra sigilo fiscal. É o funcionário de um banco que quebra o sigilo bancário.

Como combater isso, já que, como o sr. mesmo diz, se normalizou?

É preciso punir gravemente essa cultura de dossiês no país. Os partidos que se utilizaram disso têm que pedir desculpa. Têm que fazer um mea culpa. Porque isso é típico de partido da clandestinidade e não pode ocorrer em um regime democrático.

O aparelhamento é uma característica genuinamente brasileira?

Em outros países democráticos é pequeno o número de funcionários com ligações partidárias porque existem poucos cargos em comissão. Aqui costumamos ver funcionários públicos a serviço de siglas partidárias. É coisa de partido clandestino que atuava contra regimes autoritários. Mas é preciso entender que não vivemos mais sob tais condições. Vivemos em um regime democrático e isso é inadmissível.

O sr. atribui o vazamento na Receita apenas à cultura de clandestinidade partidária?

Não. A cultura do vale-tudo da política sindical também pode estar ligada a tudo o que vem acontecendo. Não se pode transpor ao mundo político institucional os paradigmas selvagens da política sindical. Também vejo isso como outra fase do patrimonialismo. Aqueles que estão no poder acham que podem fazer tudo por estarem lá.

E eles podem?

Hoje a Receita pode, por exemplo, quebrar sigilo bancário em procedimentos administrativos sem autorização judicial. Isso é permitido por uma lei complementar [105 de 2001] que inclusive foi contestada no Supremo [Ação Cautelar 33, atualmente sob um pedido de vista da ministra Ellen Gracie]. Mas quem confiará em um órgão que age dessa maneira?

Por episódios como esse, é possível que o Supremo derrube essa lei?

O Supremo pode discutir isso e deve fazer. Mas, como eu venho dizendo, é preciso que se edite uma lei de abuso de autoridade para punir quem age dessa maneira. Neste caso, porém, o fenômeno é ainda mais grave. É preciso punir tanto aquele que passa as informações como aquele que recebe. Porque quem pega essas informações e as utiliza está estimulando esse tipo de prática.

E como é possível punir aquele agente partidário que recebe as informações?

É como no crime de receptação. Tanto participa do crime aquele que furta como aquele que compra o objeto furtado. Por isso que as agremiações políticas também devem ser responsabilizadas por receber essas informações. Ou então devem ir a público e repudiar esse tipo de prática de banditismo político. Porque isso não tem nada a ver com política partidária.

O sr. vê o PT envolvido nesse vazamento?

Isso eu não posso dizer, mas é preciso verificar quem está por trás disso. Se for partido de governo é algo ainda mais grave. Quando a Receita é aparelhada, os Correios são aparelhados, quem é que vai confiar nessas instituições? E quando elas ficam desacreditadas, abre-se espaço para aventuras antidemocráticas.

Fonte: Folha On Line 29/08/10

Lotes que seriam para sem-terras foram transformados em sítios de lazer


Acampamento de Sem Terras aguardando lotes perto de Itaquaraí

Segundo fiscalização feita pelo Programa Nacional de Reforma Agrária em Mato Grosso do Sul, os lotes da reforma agrária destinados aos sem-terra foram transformados em sítiosde lazer, e os assentamentos agrícolas do Governo Federal viraram áreas de especulação imobiliária.

A comprovação resultou na prisão de Valdir Cipriano do Nascimento, superintendente do Incra e quatro funcionários do órgão no Estado. Todos acusados pelo Ministério Público Federal, como membros em esquemas criminosos que resultaram em prejuízos de R$ 62 milhões para o tesouro. A fraude aconteceu na distribuição dos 497 lotes da Fazenda Santo Antônio, em Itaquiraí.

No local, os melhores terrenos não foram entregues aos sem-terra. Um total de 425 sem-terra ficou sem os lotes, que foram entregues para terceiros. Os beneficiados são familiares e amigos dos líderes, um deles ficou com a sede da fazenda, ainda conforme a denúncia. Os restantes R$$ 12 milhões correspondem ao valor de 300 lotes do Incra, vendidos para políticos, comerciantes e pessoas sem o perfil exigido pela Reforma Agrária. As informações do O Globo

Fonte: Claudio Humberto 01/09/10